Ainda há défice na imagem de Portugal nos mercados estrangeiros

Ainda há défice na imagem de Portugal nos mercados estrangeiros

Apesar do crescimento turístico que se tem vindo a registar nos últimos anos em Portugal, os mercados estrangeiros continuam a apontar algumas “debilidades de imagem” ao nosso país, informou ontem o diretor do Departamento de Gestão de Programas Comunitários do Turismo de Portugal, Nuno Fazenda, no Laboratório da Estratégia de Turismo 2027, dedicado a Lisboa e que decorreu na Escola Superior de Turismo e Hotelaria.

Como explicou o responsável, o Turismo de Portugal, na tentativa de ouvir o maior número de intervenientes do setor antes de publicar a estratégia final para o setor do Turismo para os próximos 10 anos, realizou, pela primeira vez, um focus group em quatro dos mercados estratégicos para Portugal: França, Alemanha, Reino Unido e Espanha.

Segundo Nuno Fazenda, no mercado francês verifica-se ainda “um défice na imagem de Portugal”, afirmando os operadores deste país não conhecerem a diversidade de oferta existente, tendo a ideia que se trata apenas de um destino de Verão. Para este mercado, a gastronomia não tem muita visibilidade, e a Madeira, Lisboa, o Algarve e o Porto são as regiões mais conhecidas. No caso da região autónoma, há a perceção de que se trata de um destino de turismo sénior.

Na Alemanha, o conhecimento sobre o nosso país é mais influenciado pelo ‘offline’, “pois as agências de turismo ainda têm grande impacto”. Porém, para os operadores alemães, esta oferta deveria estar aliada ao ‘online’, de modo a aumentar a perceção sobre Portugal. Junta-se o problema deste público específico estar a viajar menos, devido ao maior investimento em obras na habitação. A Madeira e o Algarve são as regiões mais escolhidas pelos alemães, mas novamente, a imagem da ilha está mais associada a um turismo sénior.

Já no Reino Unido, os operadores são da opinião que se tem feito um bom trabalho no ‘online’,  através de ‘tv shows’ e da rádio, porém, entendem que deve haver mais investimento nas áreas de ‘Wine, food & culture’. Destacaram ainda que “as relações entre os dois países não vão mudar por causa do Brexit”.

Por fim, em Espanha, também o conhecimento sobre o nosso país é ainda superficial. Apesar de Portugal ser um destino que os espanhóis gostam quando visitam, não é vendido da melhor forma. A riqueza cultural é ainda desconhecida deste público.

Nestes focus group foram também apontados aspetos positivos como a autenticidade, modernidade e preservação, o facto de os habitantes portugueses serem um ‘friendly people’, a segurança e higiene, a cultura, a diversidade de oferta e a qualidade.

No fim das intervenções de Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, Vítor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo de Lisboa e José Manuel Teixeira, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e Francisco, foi o momento de ouvir os intervenientes interessados em colocar novas ideias, sugestões ou aspetos a melhorar.

Um dos assuntos trazidos para cima da mesa foi a necessidade de criar “um novo aeroporto”, pelo facto de a proposta de localização no Montijo, no distrito de Setúbal, não ser a mais favorável pelas complicações de mobilidade que exige. A este respeito, o presidente da Entidade Regional de Turismo de Lisboa, sublinhou que “o atual aeroporto é a melhor solução pela vantagem da localização” uma vez que a alternativa ficava a 90km, acrescentando que “se deve apostar no seu melhoramento”.

Foi também referida a importância do turismo de compras que, segundo Luís Rosendo, em representação da Global Bluee, deveria merecer mais atenção da parte do governo. “Espanha desenvolveu um plano há cerca de um ano e que já está a dar frutos, estando já a desviar turistas para Madrid e Barcelona”, afirmou o responsável. Dando conta que “a maioria dos turistas de compras em Portugal são provenientes de destinos de fora da Zona Euro”, Luís Morgado sublinhou as vantagens que Portugal pode ter com a saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão da intermodalidade, ou seja, da necessidade de fazer melhorias na rede de transportes, tanto na região de Lisboa, como na deslocação para outras regiões do país; a melhoria na legislação do alojamento local; a aposta na formação no setor; e o investimento em análise estatística  foram outras sugestões ouvidas.