Centro de Portugal: Um destino religioso com muito para dar

Centro de Portugal: Um destino religioso com muito para dar

Categoria Explore, Reportagem

Fátima

Enquanto para alguns, Fátima é o destino que prevalece na memória quando a região Centro de Portugal é falada, nem todas as mais-valias do turismo religioso se confinam a esta cidade, nem significa que não existam outros destinos a merecer uma visita. É verdade que, estatisticamente, não existe qualquer outro local de culto comparável a Fátima. Mas uma região é feita de muitos lugares. E Ambitur mostra-lhe que eles existem.

Falámos com Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, que destaca a Rede de Judiarias e os Caminhos de Santiago, um trabalho da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal e da Associação de Peregrinos Via Lusitana, que visa a colocação uniformizada de sinalética num total de 200 quilómetros. “Será, assim, garantida a uniformidade deste caminho, com o objetivo de colmatar a ausência de informações ou sinalização, bem como, apoiar os peregrinos, facilitando a sua orientação, deslocação e comodidade”, explica.

Com a vinda do Papa Francisco ao Santuário de Fátima, no âmbito das comemorações do Centenário das Aparições, discute-se o início de uma nova fase para o Centro, que agora se começa a desvendar. Por isso, e aproveitando o momento, a Ambitur lança-lhe um olhar mais abrangente sobre a região enquanto destino religioso. Queremos mostrar-lhe que há muito mais para desfrutar ao redor de Fátima e outros pontos de interesse que pode – e deve – conhecer.

Fátima, Coimbra e Alcobaça

Pedro Machado

Fátima é um dos mais importantes locais de turismo religioso da humanidade e a principal marca de Portugal em alguns mercados. Em Portugal, o culto a Nossa Senhora remonta à fundação do país e deu origem a mosteiros, igrejas ou santuários. É o caso do Santuário de Fátima, considerado a grande âncora do destino e um dos principais monumentos do culto mariano mundial.

Pedro Machado reconhece a “importância ímpar” que a “marca Fátima” representa para a região Centro e para o país. “Acreditamos que a celebração do Centenário das Aparições de Fátima, aliada à visita do Santo Padre, o Papa Francisco, em 2017, permitirá alavancar a marca ‘Centro de Portugal’ e a marca ‘Portugal’, através da força de ‘Fátima’, apresentando-a como a ‘porta de entrada’ de um território que pretende afirmar-se como marca do turismo da diversidade, onde há tanto para ver e experimentar”, sublinha.

Alexandre Marto Pereira

Estima-se que o destino receba cerca de seis milhões de visitantes por ano, embora, Alexandre Marto, diretor do Fatima Hotels Group, acredite que, “este ano, poder-se-ão alcançar os oito milhões”. Mas falar da região Centro é também falar da cidade de Coimbra e, aqui, escolhemos dar uma maior visibilidade à Sé Velha de Coimbra, uma igreja fortaleza, associada ao estilo romântico, e que data do período de fundação de Portugal.

Em Alcobaça, casa-mãe da Ordem de Cister, encontramos o Mosteiro de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, e considerado Património Mundial da UNESCO desde 1985. A abadia de pedra branca é um monumento consagrado a Santa Maria. Mandado construir no século XII, foi, ainda, o fundador do gótico cisterciense em Portugal. O mosteiro foi um dos mais visitados o ano passado (226.516 mil visitantes) na região Centro e a ele se deve muito da fama da vila de Alcobaça.

Nazaré, Batalha e Tomar

Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha (Paulo Cunha)

Na Nazaré, existe um monumento que é objeto de outra concorrida romaria, associada a um conhecido milagre local, a lenda de Nossa Senhora da Nazaré. Reza a história que a 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do castelo de Porto de Mós, foi milagrosamente salvo de uma queda aparatosa do alto de uma falésia pela imagem de Nossa Senhora da Nazaré. O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré é, por isso, um local de culto, mandado construir no século XIV por El-Rei Dom Fernando. Para dar resposta ao número de peregrinos que ali se deslocavam pela divulgação do “milagre”, o monumento foi alvo de várias obras de ampliação nos reinados de D. João I, D. João II e D. Manuel.

Por sua vez, o Mosteiro da Batalha empresta densidade à vila de Batalha e muitos são os devotos que lhe reconhecem essa caraterística. Trata-se de um monumento gótico, consagrado a Santa Maria, e identitário, onde se encontra a génese do estilo manuelino, quer no Claustro Real como nas Capelas Imperfeitas. Considerado Património Mundial da UNESCO desde 1983, foi o segundo monumento da região Centro mais visitado em 2016 (cerca de 396.423 mil visitantes), muito devido à proximidade a Fátima. Também a igreja matriz de Batalha é, igualmente, um exemplar riquíssimo da arte manuelina em todo o seu esplendor. Esta obra foi mandada construir a pedido dos habitantes, uma vez que o Mosteiro não dispunha de serviço paroquial.

Mosteiro de Alcobaça

E se quisermos conhecer Tomar numa perspetiva religiosa, o Convento de Cristo é um dos exemplos mais caraterísticos da oferta regional e está ligado aos primórdios da constituição do reino de Portugal, na época do Renascimento. Em 1983, a UNESCO elevou o complexo monumental – Castelo Templário, Convento da Ordem de Cristo, Ermida da Imaculada Conceição e o Aqueduto dos Pegões – a Património Mundial. Este monumento foi também um dos mais visitados do Centro do país durante o ano passado (295.808 mil visitantes), em plena sede das Ordens do Templo e de Cristo.

Este artigo foi publicado na edição 302 da Ambitur.