“Eu não divido a APAVT entre continuidade e inovação”

“Eu não divido a APAVT entre continuidade e inovação”

Pedro Costa Ferreira, atual presidente da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo e único candidato à próxima direção para o mandato 2018-2020, apresentou ontem, dia 14 de setembro, em Lisboa, o programa que irá nortear a sua lista, sob o lema “Juntos pelo Futuro”. O responsável fez questão de sublinhar: “eu não divido a APAVT entre continuidade e inovação”, defendendo que a associação “é um espaço de todos”. Explicou ainda que “uma associação tem de ser sempre de continuidade, porque é a história, os valores e os princípios, que têm de ser perenes, têm de ter continuidade”. Mas, em simultâneo, “temos que ter novas ideias” e admite ser “mais fácil ter novas ideias com novos protagonistas”, referindo-se por exemplo à entrada de Tiago Raiano, em nome da Turangra, para encabeçar a presidência da assembleia geral da lista candidata, garantindo que “novos caminhos se abrem na APAVT”. Pedro Costa Ferreira admitiu ter já antes convidado Tiago Raiano para trabalharem em conjunto na associação – “e sete vezes obtive um não” – acrescentando estar “hoje muito feliz por ter ouvido um sim”, certo de que a nova direção da APAVT sairá com isso fortalecida.

Reconhecendo que os próximos anos serão desafiantes, Pedro Costa Ferreira defende que “devemos estar juntos para olharmos para esses anos com algum otimismo”, tendo definido três princípios orientadores para o próximo mandato: Juntar, Dialogar e Internacionalizar. Em primeiro lugar, relembra que “a APAVT é um espaço de todos, e não de uns contra os outros”; e em segundo lugar, promete continuar o diálogo com todas as comunidades e associações. Por fim, frisou que dificilmente será possível repetir os feitos a nível do princípio da internacionalização, com três reuniões da ECTAA e a realização dos dois congresso de agentes de viagens mais procurados do mundo, o britânico e o alemão.

Capítulos: modelos decisórios
No que diz respeito aos Capítulos, Pedro Costa Ferreira lembrou que é aqui “sempre foi e vai continuar a ser que nasce a agenda da associação, a decisão da associação, que depois é ratificada, ou não, na direção”. E foi mais longe: “é através dos Capítulos que elevamos a participação associativa e que fomentamos o diálogo entre os subsetores que representamos”. Aqui fez questão de falar do Capítulo da Distribuição no qual Carlos Neves, da Geocontur, vem dar o seu contributo. O atual presidente da APAVT reconhece que “nós não fizemos só coisas boas, tentámos fazer sempre coisas boas mas, como qualquer associação ou empresa, falha-se muito”. Aqui, Pedro Costa Ferreira garante não ser “avesso a críticas” e admite que a sua direção não conseguiu dinamizar este Capítulo como desejaria, por isso “fomos buscar uma pessoa em quem confiamos e que achamos que vai liderar o capítulo de uma forma efetivamente ótima para o mercado”. Isto porque “estamos preocupados em dinamizar/ facilitar o diálogo da distribuição com os operadores, sabemos que é um diálogo tenso pois estamos a falar de interesses próprios na mesma cadeia de distribuição, ambos representados pela APAVT”.

4 prioridades de intervenção
A lista “Juntos pelo Futuro” aponta quatro grandes áreas de intervenção para o seu próximo mandato. Começando desde logo pela nova diretiva relativa à proteção de dados, “uma área primordial e uma das mais urgentes”. O candidato refere que a associação que dirige “liderou o estudo do problema e está a tentar desenvolver capacidades para ajudar as agências de viagens a certificarem-se nesta área, a cumprir com os regulamentos” pois em maio de 2018 todas terão de cumprir com uma “regulação europeia complicada que vai elevar os custos e perturbar a organização das empresas, tornando ainda mais dura a vida das agências.

Outra preocupação é a diretiva de viagens organizadas, e aqui Pedro Costa Ferreira defende a atual ligação à DECO para entregar uma proposta conjunta. “Os assuntos não são fáceis de resolver mas temos como objetivo finalizar este entendimento e tentar uma transposição que, pelo menos, afaste o mais possível as viagens profissionais do âmbito da diretiva e que, pelo menos, mantenha o fundo de garantia como um mecanismo técnico de defesa do consumidor”.

Uma terceira prioridade é a desigualdade fiscal internacional, um dossier que recaiu sobre Eduarda Neves, da Portugal Travel Team, coordenadora do Capítulo dos DMC’s. O candidato a este novo mandato à frente da APAVT explica que “este foi um dossier técnico que demorou mais de um ano a fazer, que implicou a contratação de consultores espanhóis e está agora entregue na tutela”. Admite que há questões que levam o seu tempo a serem resolvidas mas assegurou, durante a apresentação, que “o trabalho técnico foi «à prova de bala» e é considerado credível pela tutela”. Pedro Costa Ferreira lançou aqui um repto a que a CTP fortaleça a sua posição nesta área pois este “é um assunto transversal”.

Por fim, a quarta grande área de intervenção diz respeito à operação turística nas grandes cidades, e aqui a atual lista da APAVT defende que o diálogo com as câmaras tem de ser mais forte, “que tem de haver respeito por quem investiu, quem ajudou a desenvolver a cidade, e estou certo que se intensificarmos o diálogo, estaremos aqui capazes de ter mais harmonia na cidade e, ao mesmo tempo, maior defesa do bem-estar económico de quem nela vive e quem nela opera, e maior desenvolvimento económico, não esqueçamos é o que motiva o emprego e o crescimento”. Garantiu ainda que “este é um processo para o próximo triénio.

Inês Gromicho