“O petróleo português é o turismo”

“O petróleo português é o turismo”

A sazonalidade não é exclusivamente um problema português. Por essa mesma razão a diversificação da oferta é um ponto central naquele que é já o melhor ano para o setor do turismo em Portugal. Ontem, no dia em que se celebrou o Dia Mundial do Turismo e naquela que foi a III Cimeira do Turismo Português, o terceiro painel “Turismo: Temos Estratégia”, terá sido a reunião de três visões ecléticas sobre o território nacional e as suas potencialidades.

Por um lado, uma visão interna, mais política, de Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo. Por outro, Bento Correia, Chairman da Vision Box, uma multinacional de tecnologia que opera em centenas de aeroportos, um pouco por todo o mundo, mas que mantém a sociedade sediada em Lisboa. Por fim, uma visão “externa” de um investidor, Dillip Rajakarier, tailandês, CEO do Minor Hotel Group que , em fevereiro deste ano, adquiriu a marca Tivoli, a qual pretende continuar a renovar para depois a poder exportar  internacionalmente.

Num ano de recordes para o turismo nacional, com um crescimento hoteleiro “na casa dos 17%”, tal como sublinhou Ana Mendes Godinho, este painel consagrou uma conversa em tom otimista de personalidades que vêem no mercado português uma plataforma de sucesso. O que os une? Tão simplesmente a visão em torno de um país em que “o ouro português é o nosso território” ou tal como disse Pedro Pinto, jornalista e moderador deste painel “o petróleo português é o turismo”.

A provocação vem precisamente a propósito da pergunta do jornalista a Ana Mendes Godinho sobre a possibilidade de vermos, num futuro próximo, algumas das nossas praias lotadas com plataformas de exploração petrolífera. A secretária de Estado do Turismo pediu, no entanto, que no caso de poderem existir essas prospeções, sejam realizadas “com cautela” e que essa “tem sido uma preocupação do Governo, para que não ameace o turismo”.

Para além disso, e apresentando o programa “All for All”, a governante realçava a ideia de “um turismo para todos” e da necessidade de serem “os portugueses a mostrar o nosso país”, tal como exemplificou com um vídeo intitulado “Portugal, país do mar”, feito por um português, que estará entre outras centenas de vídeos com o objetivo de promoverem o território nacional.

“Viciá-los no nosso destino”, é a forma como sintetiza a questão. Mais do que isso, espera que em 10 anos, Portugal seja verdadeiramente um país “que respira turismo” e onde a velha frase “o destino superou as expectativas” seja apenas uma memória. “Se isso acontecer, quer dizer que há um défice de informação”. O trabalho deve centrar-se em torno de um produto, que garanta a “atratividade suficiente para que as pessoas venham ao longo de todo o ano” e que em última instância cria “fidelização”.

Dillip Rajakarier, por seu lado, fala sobretudo de um país onde encontrou “hospitalidade”, algo que, garante, é razão suficiente “para que venham investir mais em Portugal”. Depois de adquirir o grupo Tivoli em Portugal, espera continuar com as renovações que estão em curso, onde investirá “50 milhões de euros” e depois exportar a marca internacionalmente. “Vamos abrir no Quatar um Tivoli até ao fim do ano”, refere.

Quando investiu, recorda “que a paisagem económica era relativamente segura” e afirma que Portugal precisa de começar a “olhar mais para fora” em busca de outros mercados ede  “vender Portugal como um destino” que traga gente durante todo o ano. Nesse ponto, sublinha, é essencial “diversificar com eventos, conferências, encontros e outros tipos de público”.

Bento Correia é, por outro lado, alguém que leva o nome do país a diversas partes do globo. A Vision Box, hoje com serviços em dezenas de aeroportos espalhados pelo mundo, aposta nas novas tecnologias e num serviço de simplificação da experiência dos passageiros nos aeroportos.

Tal como refere, “há imensos processos nos aeroportos, desde o check-in ao boarding, e nós procurámos soluções. Tentamos colocar o cidadão no centro da operação. No futuro, não será necessário o passaporte, mas apenas a sua cara, a sua biometria”. Estes mecanismos de reconhecimento tecnológico demonstram o empenho de Portugal que, na sua opinião, “tem sido uma referência no futuro tecnológico e que é um excelente país para ser piloto” destas iniciativas pela sua “população em número certo, tamanho do território e infraestruturas adequadas”. Sediado em Lisboa, Bento Correia mantém total confiança em Portugal, ainda que considere que manter a sua empresa em Portugal embate com um “problema que tem a ver com a gestão de incentivos”. Mas no fundo, o objetivo é outro: “levar a nossa bandeira para fora do país.