Opinião: “Mais uma silly season que passou”

Opinião: “Mais uma silly season que passou”

Categoria Advisor, Opinião

Por Paula Oliveira

O verão é a minha estação favorita. Traz tanta coisa boa! Frutas deliciosas , clima espectacular , turistas aos molhos, esplanadas apetecíveis, roupa leve e meias inexistentes , uma preguiça doce de quem sabe que as férias hão-de chegar mais dia menos dia e o mar… sempre o mar.

O meu país tem o melhor verão do mundo ( aliás o meu país é o melhor do mundo). Só é pena que, com ele, venham tantas coisas menos fantásticas, dramáticas até como é o caso do abandono dos animais e dos incêndios. Isto para não falarmos de todas as notícias próprias da silly season que são exploradas até exaustão por falta, talvez, de suficientes audiências indoor.

Sobre os incêndios , há décadas que o país se debate com esta tragédia. Discute-se a prevenção , a falta de limpeza das matas, as difíceis condições de trabalho dos bombeiros, os ordenados dos bombeiros, os pirómanos e a falta de penas adequadas, os guardas florestais que não existem, mandam-se umas bocas aos negócios escuros que o drama encerra, saem umas noticias sobre processos crime, ouvem-se dezenas de opiniões e comentários , contam-se os meios aéreos e divulga-se quem foi amigo e quem foi malandro nesta coisa da ajuda internacional. Tudo isto acompanhado com imagens dantescas, com imagens de dramas pessoais, tragédias patrimoniais, natureza irrecuperável. São o tema forte da silly season que faz jus ao seu nome: devemos ser tontos. Tontos ao ponto de há décadas andarmos nisto e de, em 2016 , Portugal ter registado mais de metade da área ardida da Europa ( 117 mil hectares), um valor 4 vezes maior que a média entre 2008 e 2015. Acredito, como todos os anos me esforço por acreditar, que para o ano não aconteça assim.

Outro drama é o abandono dos animais agudizado nesta altura de férias. Bem sei que existem campanhas de sensibilização e que as pessoas são o que são e mais não podem dar. Mas acho que o sector do turismo podia, em parte, ajudar a minimizar este flagelo abrindo mais hipóteses de as pessoas poderem ficar alojadas em unidades hoteleiras com os seus animais de estimação, facilitando as viagens com animais nos vários meios de transporte, minimizando as desculpas esfarrapadas de quem abandona os bichos porque não os pode levar. Claro que tenho a noção que nem tudo é fácil e é só estalar os dedos e vamos ser solidários. Mas temos ainda um longo caminho para percorrer. Sei-o eu que vou de férias com o meu animal de estimação.

Artigo publicado na Edição 293 da Ambitur