Projeto de Lei do PS tem impacto muito negativo no turismo português e revela desconhecimento do setor

Projeto de Lei do PS tem impacto muito negativo no turismo português e revela desconhecimento do setor

A ALEP (Associação de Alojamento Local de Portugal) considera que o Projeto de Lei do Partido Socialista, que pretende clarificar o regime de autorização e de exploração de estabelecimentos de alojamento local, é inconstitucional, desajustada, revela um grande desconhecimento desta atividade e, a ser adotada, poderá conduzir ao desemprego, só em Lisboa e Porto, de mais de 10 mil pessoas, pondo em causa o rendimento principal, de mais de quatro mil famílias.

A associação ficou muito surpreendida pelo facto de este projeto ser da responsabilidade do partido do Governo, que tem dado prioridade ao crescimento do turismo, que tem enaltecido publicamente resultados financeiros recorde do setor, revela em comunicado.

Eduardo Miranda, presidente da ALEP, lembra que “um terço da oferta turística de dormidas provém do alojamento local que tem tido uma forte influência no desenvolvimento económico do setor.”

Adicionalmente, a ALEP acredita que o Projeto de Lei do PS pode ser inconstitucional já que contraria o Direito à Propriedade Privada estabelecido no art. 62 da CRP, pondo em causa, nomeadamente, o direito dos proprietários de decidir o tipo de utilização que pretendem dar ao seu imóvel. Este projeto fere, em toda a linha, os interesses de quem investe no setor imobiliário, na reabilitação urbana e no turismo, tal como foi evidenciado pelo recente Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, que deliberou a favor da compatibilidade do alojamento local com o uso habitacional, não carecendo, por conseguinte, da aprovação do condomínio.

O Projeto de Lei peca ainda, segundo a associação, por não esclarecer com que critérios a associação de condóminos pode decidir sobre o uso da propriedade alheia.

A ALEP acredita que o equilíbrio e a coexistência dos condóminos e da atividade do Alojamento local é perfeitamente possível desde que se apliquem as boas práticas de vizinhança. Aliás, a associação está a ultimar um Manual que pretende auxiliar proprietários e hóspedes a respeitarem as regras de alojamento.