Há hotéis que acompanham tendências. Outros atravessam gerações. O Arribas Sintra Hotel pertence à segunda categoria. A celebrar 60 anos de atividade, a unidade de Sintra continua a afirmar-se pela autenticidade, pela ligação ao território e por uma identidade própria. Em conversa com a Ambitur, o CEO, Paulo Amorim fala sobre legado, evolução, sustentabilidade e os desafios de continuar relevante num setor em constante mudança.

O Arribas Sintra Hotel celebra este ano 60 anos de atividade. O que representa este marco para a unidade e para toda a equipa?
Celebrar 60 anos é muito mais do que assinalar uma data. É olhar para trás com orgulho, mas também com um enorme sentido de responsabilidade. São seis décadas de histórias, de pessoas, de memórias criadas neste lugar tão especial entre a serra e o mar.
Este percurso só foi possível graças a várias gerações de colaboradores, parceiros e hóspedes que fizeram parte da vida do Arribas ao longo do tempo. Cada um deixou aqui a sua marca. Eles são a arquitetora invisível deste Hotel.
Para nós, este aniversário não é apenas uma celebração do passado. É também um compromisso com o futuro. Queremos continuar a evoluir, a acompanhar os tempos, mas sem perder aquilo que sempre nos definiu: a autenticidade, a proximidade e esta ligação muito especial ao lugar onde estamos, onde o tempo parece parar por momentos, para dar espaço ao que realmente conta, às memórias, aos encontros, às pessoas.
Ao longo de seis décadas, o hotel acompanhou várias transformações no setor do turismo. Quais considera terem sido os momentos mais marcantes desta evolução?
O turismo evoluiu ao longo destas seis décadas, e o Arribas acompanhou essa transformação de forma muito natural. Passámos de uma realidade mais local e sazonal para um turismo cada vez mais internacional, mais digital e também mais exigente.
A afirmação de Portugal — e particularmente de Sintra — como destino de referência mundial foi um momento muito importante. Trouxe outro tipo de visibilidade, mas também novas responsabilidades.
Mais recentemente, a tecnologia mudou a forma como as pessoas escolhem, vivem e partilham as viagens. E ao mesmo tempo surgiu uma procura maior por experiências autênticas, sustentáveis e que deixem memória. Hoje, as pessoas não procuram apenas um hotel bonito. Procuram sentir alguma coisa quando chegam a esse lugar.
De que forma o Arribas Sintra Hotel conseguiu manter-se relevante e competitivo ao longo de gerações, preservando ao mesmo tempo a sua identidade?
O segredo esteve sempre no equilíbrio. O hotel foi evoluindo, renovando espaços, modernizando serviços e adaptando-se às novas exigências, mas nunca tentou ser algo que não fosse genuíno.
Há uma identidade muito forte no Arribas. A ligação ao oceano, a tranquilidade do lugar, onde o mundo abranda e sempre com o ambiente acolhedor e familiar… tudo isso continua presente. E acredito que as pessoas sentem essa verdade.
Hoje em dia é fácil cair na tentação de uniformizar tudo, mas nós sempre acreditámos que aquilo que torna um hotel especial é precisamente a sua personalidade. E preservar essa alma foi, talvez, a decisão mais importante ao longo destes anos, daí não termos a tentação de aderir a nenhum marca de cadeia.
O hotel está inserido numa localização única, entre o mar e a serra. Até que ponto este enquadramento natural contribuiu para a construção da marca Arribas?
Contribuiu em tudo. A localização não é apenas uma característica do hotel — é parte da sua identidade.
Há poucos lugares onde se consegue sentir esta proximidade tão forte ao Atlântico e, ao mesmo tempo, esta tranquilidade quase contemplativa da paisagem de Sintra. O mar faz parte da experiência desde o primeiro momento em que se entra no Lobby.
Ao longo dos anos, o Arribas acabou por construir muito da sua imagem à volta dessa relação com a natureza. Este é um lugar onde as pessoas vêm para respirar mais devagar, desligar do ritmo do dia a dia e sentir uma ligação mais autêntica ao ambiente que as rodeia. E isso hoje tem mais valor.
Que perfil de cliente procura hoje o Arribas Sintra Hotel e como evoluíram as expectativas dos hóspedes ao longo dos anos?
Hoje recebemos pessoas muito diferentes, e isso é algo de que gostamos. Temos casais em escapadinhas de fim de semana, famílias, surfistas de elite, viajantes internacionais nomeadamente ligados ao turismo natureza e até muitos profissionais que procuram trabalhar remotamente com qualidade de serviços e de vida.
Mas aquilo que mais mudou não foi tanto o perfil do hóspede — foi a forma como ele vive a viagem.
O hotel deixou de ser um lugar só para dormir. Hoje, as pessoas procuram experiências completas. Querem conforto, claro, mas também autenticidade, bem-estar, boa gastronomia, contacto com a natureza e um serviço mais próximo e personalizado.
Ao mesmo tempo, existe uma maior consciência em relação à sustentabilidade e à forma como os espaços se integram no destino. O desafio está em conseguir responder a essas expectativas sem perder o lado humano e genuíno que faz parte do Arribas.
Nos últimos anos, que investimentos ou renovações foram realizados para responder às novas exigências do mercado e melhorar a experiência dos clientes?
Sempre tivemos muita atenção à manutenção preventiva e às atualizações do Hotel. Nos últimos anos temos feito um trabalho contínuo de renovação e modernização do hotel, sempre com o cuidado de preservar a identidade do espaço.
Foram feitas intervenções nos quartos e nas áreas comuns, melhorias ao nível da eficiência energética e também investimentos na componente tecnológica, porque hoje isso faz parte da experiência do hóspede.
Ao mesmo tempo, temos procurado valorizar cada vez mais aquilo que nos torna únicos — desde a gastronomia ligada ao território até experiências associadas ao mar, ao bem-estar e à natureza envolvente.
O objetivo nunca foi transformar o Arribas em algo artificial ou excessivamente moderno. Foi melhorar a experiência sem perder a alma do lugar.
A sustentabilidade e a autenticidade são hoje fatores cada vez mais valorizados no turismo. Como é que o hotel tem integrado estas preocupações na sua operação?
Hoje já não faz sentido falar de sustentabilidade apenas como tendência — é uma responsabilidade. E acreditamos que ela deve ser vivida de forma prática e consistente no dia a dia.
Temos vindo a apostar numa gestão mais eficiente de recursos, na redução de desperdício e na valorização de produtos locais e da gastronomia regional, o hotel possui uma quinta biológica que fornece 80% dos vegetais. Mas sustentabilidade também passa pela forma como respeitamos o lugar onde estamos e a comunidade que nos rodeia.
Quanto à autenticidade, nunca tivemos de a “criar”, porque ela sempre fez parte da identidade do Arribas. O nosso desafio é preservá-la. Continuar a crescer sem perder esta relação verdadeira com a paisagem, com as pessoas e com a história do hotel.
Olhando para o futuro, quais são os principais desafios e ambições do Arribas Sintra Hotel para os próximos anos?
O maior desafio é continuar a evoluir sem perder aquilo que nos trouxe até aqui. O setor da hotelaria está em constante mudança, os hóspedes estão mais informados, mais conscientes e mais exigentes — e isso obriga-nos a estar sempre atentos.
Mas ao mesmo tempo, acreditamos que o futuro passa pela singularidade que nos caracteriza, por oferecer experiências mais humanas, mais autênticas e com maior ligação ao lugar.
A nossa ambição é continuar a afirmar o Arribas como uma referência em Sintra, não apenas pela localização extraordinária, mas pela forma como fazemos as pessoas sentirem a experiência de nos escolherem.
Porque no final, aquilo que fica na memória nunca é só o quarto ou a vista. É a sensação de ter vivido um lugar com alma.
Por Inês Gromicho


























































