À mesa com… o Chef Rui Silvestre

À mesa com… o Chef Rui Silvestre

Categoria À mesa com, LifeStyle

A água salgada “corre-lhe nas veias” em direção aos pratos de peixe e marisco que confeciona para tornar as “pessoas felizes”. Nasceu em Valongo e, aos nove anos, mudou-se para o Algarve onde reside desde então. Com cozinheiros na família, sempre gostou de ajudar na cozinha e, depois do irmão nascer, começou a “preparar as refeições” lá de casa. Tirou o curso de Cozinha na Escola de Hotelaria de Portimão e passou sete anos a viajar pela Europa para ganhar experiência.

Trabalhou com o Chef Christophe Bacquié, no Hotel La Ferme Saint Siméon em França, e com o Chef Miguel Rocha Vieira, no restaurante Costes em Budapeste. Em 2015, tornou-se o Chef português mais jovem (29 anos) a receber uma estrela Michelin, à frente do restaurante Bon Bon, em Carvoeiro. Já no início deste ano, foi nomeado Chef do restaurante Vistas, no Monte Rei Golf & Country Club, em Vila Nova de Cacela.

Qual o seu prato preferido … “São muitos, gosto essencialmente de bons produtos na sua época. Cada vez mais, o importante para mim é poder partilhar refeições com pessoas de quem gosto”.

Salmonete de rocha assado, lulinhas à Algarvia e lagostim.

Qual o primeiro prato que cozinhou, quando e para quem... “Foram uns rissóis com a minha avó para toda a família, devia ter uns seis anos”.

Onde vai buscar inspiração para cozinhar … “Sou muito ligado às pessoas, às suas culturas, histórias e origens. Ao mesmo tempo, sinto um amor peculiar pelo mar, costumo dizer que nas veias corre-me água salgada”.

Um restaurante a não perder e porquê… “O Vistas (risos). Sinceramente, creio que somos o perfeito exemplo daquilo que um restaurante deve ser, somos sérios no que fazemos, somos generosos e tentamos ser o mais genuínos possível”.

O que não pode faltar numa cozinha… “Generosidade. Podemos cozinhar bem com poucos produtos, com poucas condições, mas se tivermos prazer em dar prazer, tudo se faz. Todos nos lembramos dos pratos feitos pelas mães, pelas tias, pelas avós. É provável que tecnicamente não fossem perfeitos, mas o amor posto num prato sente-se”.

Quais os ingredientes que nunca faltam nos seus pratos… “Especiarias e citrinos, a par do sal, para mim são as melhores formas de realçar sabores.”

O que não pode faltar a um Chef para ter sucesso… “Capacidade de trabalho e preparação psicológica. Trabalhamos muitas horas, estamos pouco tempo com a família e amigos, passamos entre 12h a 15h por dia a trabalhar”.

O que prefere cozinhar: sobremesas, peixe, carne, entradas… “Peixes e mariscos sem dúvida, daí vem a ligação ao mar. Pela delicadeza dos produtos, penso que seja o mais desafiante”.

Qual a melhor cozinha para si e porquê … “Paul Bocuse dizia que só existem dois tipos de cozinha, a boa e a má. Podemos comer muito bem em todos os países do mundo, num restaurante gastronómico ou num tasco”.

{Restaurante Vistas
Rui Silvestre sente-se sortudo por trabalhar “num local em que os clientes vêm para comemorar algo, um pedido de casamento ou graduação”, com a ajuda de uma equipa “extaordinária que veste a camisola todos os dias”. O Vistas é um restaurante de cozinha de autor cujos pratos contam uma “história”, relacionada com “uma memória, uma viagem ou a inspiração pode surgir do próprio produto”. O Chef deixa como sugestão o atum e ostra do moinho dos ilhéus, couve flor e wasabi para entrada, salmonete de rocha assado, lulinhas à Algarvia e lagostim para prato principal e chocolate, banana e manteiga de amendoim para terminar esta “refeição feliz”.

Este artigo foi publicado na edição 325 da Ambitur