ACISO estima perdas superiores a 80% no negócio do turismo em Fátima em 2020

ACISO estima perdas superiores a 80% no negócio do turismo em Fátima em 2020

Categoria Advisor, Associativismo

A Ambitur.pt tem vindo a auscultar as várias associações nacionais no sentido de saber qual a atual situação dos seus associados perante a pandemia da Covid-19. Em mais uma ronda, Purificação Pereira Reis, presidente da Direção da ACISO (Associação Empresarial Ourém – Fátima) explica que o facto de Fátima depender muito do turismo, e maioritariamente do turismo internacional (+ 70%), leva a que muitos hotéis só possam reabrir quando existirem sinais de retoma, ou seja, quando recomeçarem a ter reservas de alojamento. E admite que tudo continua a depender muito da evolução internacional da pandemia e da reabertura do mercado de viagens. Além disso, o facto de Fátima trabalhar sobretudo com grupos organizados traz constrangimentos adicionais, adianta a dirigente associativa, que aponta que as pessoas evitarão viajar em grupo devido ao risco adicional de contágio. “A grande motivação de deslocação dos turistas a Fátima é, sobretudo, a visita ao Santuário e a participação nas cerimónias religiosos, motivo pelo qual o fluxo turístico para Fátima, principalmente o nacional, está dependente, nesta fase, da reabertura ao público das celebrações religiosas”, afirma. A ACISO tem indicadores de que 2% das empresas já não voltam a abrir e que cerca de 17% ponderam vir a ter de encerrar.

Com este cenário, Purificação Pereira Reis perspetiva que o negócio no setor do turismo, em Fátima, em 2020, acuse perdas superiores a 80% face a 2019.

Por tudo isto, a responsável defende que Fátima necessita de uma atenção especial por parte do Governo, sendo um mercado “significativamente mais afetado pela pandemia”, primeiro porque depende essencialmente do turismo internacional, que vai demorar muito mais tempo a retomar; em segundo lugar porque a maioria dos seus clientes viajam em grupos organizados; em terceiro lugar porque a faixa etária dos clientes que viajam em grupos organizados é maioritariamente sénio, grupo de maior risco; e, por fim, porque o o principal destino do turista é o Santuário e as celebrações religiosas, as quais estão limitadas por se tratarem de aglomerados populacionais.

“É pois necessário que se mantenham algumas das medidas em vigor e que se lance novo pacote de medidas de apoio às empresas, por forma a permitir a sua sobrevivência”, sublinha Purificação Reis. A ACISO defende assim medidas de apoio como:
1. Prolongar até final de 2020, o regime do lay-off simplificado, o qual deverá ser mais flexível e permitir a entrada e saída de trabalhadores, permitindo que a empresa possa trabalhar se tiver clientes num determinado dia, sem isso significar retoma da atividade em continuidade;
2. Isentar os pagamentos por conta pois as empresas estão a pagar impostos sobre a presunção de um resultado que não irão ter;
3. Prolongar as moratórias dos financiamentos obtidos;
4. Reduzir as taxas de juro dos empréstimos obtidos;
5. Concretizar o apoio à aquisição de material de proteção e higienização, apoio este que deve ser simples e desburocratizado;
6. Reduzir o IVA da restauração para a taxa reduzida;
7. Isentar a contribuição para a segurança social na componente da entidade patronal;
8. Simplificar o acesso aos apoios.

Da parte da associação, o contacto com os seus associados é permanente, garante a responsável, isto a nível de preparar informação, esclarecer dúvidas e apoiar em aspetos formais de acesso às medidas de apoio. “Os empresários de Fátima estão a preparar-se devidamente para acolherem todos os turistas de forma protegida e segura”, frisa. Além disso, Purificação Reis adianta que a ACISO também tem participado de grupos de trabalho, em conjunto com outras associações, nomeadamente no grupo de trabalho coordenado pela CTP que está a elaborar um plano de retoma do turismo.