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Aeroporto: AHP pede realismo para que o tempo da política coincida com o tempo da economia

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) espera que a reunião marcada para amanhã entre o Primeiro-Ministro, António Costa, e o líder do PSD, Luís Montenegro, corresponda ao prometido: ser o ponto de partida para ser rapidamente aprovada uma solução realista e definitiva que sirva Lisboa e o país.

A associação acredita que ambos os líderes políticos irão encontrar o consenso para responder a uma situação extremamente preocupante para o crescimento económico do país, recordando que não só o Primeiro-Ministro informou que só seria tomada uma decisão sobre a localização do novo aeroporto em 2023, como a mesma teria de sair do consenso entre os dois principais líderes. Ou seja, se tudo correr dentro dos tempos normais, só teremos um novo aeroporto em 2033.

Bernardo Trindade, presidente da AHP, sublinha: “como já nos cansámos de ver, sem consenso entre as principais forças políticas, qualquer que seja a decisão tomada só por um é posta em causa logo no momento seguinte. Ora, é fundamental que haja uma decisão definitiva e a sua execução. Lamentavelmente o tempo político e o tempo da economia não estão alinhados”.

Baseando-se no estudo da CTP realizado pela EY, apresentado em julho de 2022, onde se conclui que o atraso na construção do novo aeroporto representa uma perda potencial de 6,8 mil milhões de euros até 2027 e menos 28 mil empregos, o responsável da AHP reforça: “Em 2022 vivemos situações caóticas no aeroporto de Lisboa, que comprovaram o seu esgotamento a vários níveis. É certo que foi agravado por várias circunstâncias excecionais, de resto vividas em comum em vários países, particularmente na Europa, mas o ponto é que não havendo capacidade aeroportuária em Lisboa estamos a perder quota de mercado e oportunidades de crescer sustentadamente, trazendo até nós viajantes que gastam e geram valor no país. É mesmo isso que vai acontecer já nos próximos anos, se não forem encontradas soluções alternativas. E que só se vai agravar, se não for dado início quanto antes à construção do há 50 anos reclamado novo aeroporto. Como já o dissemos inúmeras vezes – remata Bernardo Trindade – neste momento a única alternativa é avançar já com as obras conferindo mais estacionamentos, mais qualidade para prestadores e clientes do aeroporto. É urgente, imprescindível, que haja acordo! E que o Governo permita arrancar já com estes melhoramentos na Portela. O país não pode perder mais tempo.”