Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, apresentou ontem os resultados do inquérito ““Balanço Páscoa & Perspetivas Verão 2026” da AHP. Numa análise aos meses de verão – junho, julho, agosto e setembro, a responsável não hesitou em afirmar que “estamos a ser prudentemente realistas” realçando que se verifica “um claro abrandamento do grau de confiança e otimismo na performance do nosso turismo para o verão de 2026”.
Por meses, em junho, metade dos inquiridos afirma já ter reservas on the books acima dos 83% na Madeira, 79% nos Açores, 64% no Algarve, 57% em Lisboa e 52% no Norte. O Centro apresenta, à data do inquérito (terminou a 17 de maio) o valor mais baixo, com média de reservas de 24%, seguindo-se o Alentejo (31%) e Oeste e Vale do Tejo (38%).
Para julho, 50% dos inquiridos têm uma previsão de reservas de 74% nos Açores, 64% na Madeira e 61% no Algarve. As restantes regiões ainda tinham, à data, reservas on the books abaixo dos 50%, com destaque para o Alentejo (16%) e o Centro (18%).
Em agosto, também apenas nos Açores, Madeira e Algarve 50% dos inquiridos apontam reservas acima dos 50%, sendo aqui o Centro (12%) a região com a margem inferior.
Por fim, em setembro, apenas os Açores /73%) e a Madeira (64%) apresentam reservas acima dos 50%, destacando-se novamente o Centro com a mais baixa taxa (12%).
Comparando com o verão de 2025, a AHP quis saber como os hoteleiros perspetivam este verão. Ao nível da taxa de ocupação, 22% dos inquiridos admite ter uma percentagem melhor ou muito melhor mas 50% consideram que vão ter pior ou muito pior. Pelo que o saldo das respostas extremas é de que 28% consideram que terão uma taxa de ocupação pior este verão. Relativamente ao preço médio, o sentimento é inverno, sendo que 43% dos inquiridos revelam que terão um ARR melhor, e o saldo das respostas extrema sé positive em 13%. Já na estada media, a AHP admite ter ficado surpreendida que seja negative a expectativa. Também nos proveitos totais, a media de respostas extremas é negative em 8%.
Analisando agora os três principais mercados apontados pelos inquiridos, o inquérito revela que diminuiu 10% o número de hoteleiros que apontam Portugal como integrando a pool dos três principais, sendo que “é a primeira vez que isto acontece”, explica Cristina Siza Vieira. Ainda assim, Portugal é apontado por 68% dos inquiridos (em 2025 eram 78%). O Reino Unido continua a subir (de 53% para 58%). Já os EUA continuam em alta mas caíram 43% para 40%. Pela primeira vez também, a China foi incluída por 4% dos inquiridos.
Por regiões, Portugal continua a ter uma presença muito forte no Oeste e Vale do Tejo (88%), Alentejo (100%), Açores (91%) e Norte (80%)., mas perdeu espaço no Algarve (58%) com o Reino Unido a representar 95%.
A AHP analisou ainda os canais de reserva, tanto na Páscoa, como para o verão, e verificou alguma surpresa. Em 2025, a Booking.com tinha sido apontada por 95% dos hoteleiros e este ano aumentou para 99%. A Expedia cresceu dos 37% para 42%. Já o website próprio caiu e as agências de viagens subiram para 38%.
Impactos da instabilidade geopolítica
Para este verão, o inquérito da AHP analisou ainda os potenciais impactos da instabilidade geopolítica, procurando saber em que medida o atual choque energético está a impactar a política de preços (ARR). 67% dos inquiridos da Península de Setúbal, 45% dos inquiridos dos Açores, 42% dos inquiridos da Grande Lisboa e 37% dos inquiridos do Centro indicam redução dos preços. Já 64% dos inquiridos do Alentejo e da Madeira, 57% dos inquiridos do Algarve, 50% dos inquiridos do Oeste e Vale do Tejo e 40% dos inquiridos do Norte e da Grande Lisboa indicam não haver impacto. Em média, 36% apontam uma redução do ARR e 46% garantem não haver impacto.
Relativamente à pergunta sobre quais os riscos com maior impacto na sua operação de verão, este ano, 71% dos inquiridos apontam a instabilidade económica e geopolítica, 38% o aumento dos custos operacionais, 37% a capacidade aeroportuária e 35% o aumento do custo generalizado dos transportes. Na altura do inquérito, apenas 18% identificaram a contenção nos consumes em turismo mas Cristina Siza Vieira admite que atualmente esta percentagem possa ter crescido.
No que diz respeito à análise da confiança no turismo nacional, a AHP admite haver hoje um maior pessimismo. O grau de confiança médio dos hoteleiros no turismo nacional em 2026 desceu de 7,4, medido em janeiro, para 6,8 pontos (escala de 1 a 10). A queda é transversal a todas as regiões – à exceção do otimismo do Oeste e Vale do Tejo , sendo mais acentuada nos Açores (de 7,1 para 6) e no Centro. O Alentejo mantém a pontuação mais elevada (ainda assim descendo de 8 para 7,4). Esta análise deve ser cruzada com a percentagem de hoteleiros que sinaliza a instabilidade internacional como risco fundamental.
Por Inês Gromicho
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