AHP: Turismo é o setor mais “pujante da economia”

AHP: Turismo é o setor mais “pujante da economia”

A cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) para o triénio 2019-2021 aconteceu esta segunda-feira no Hotel Ritz, em Lisboa. O evento contou com várias personalidades do setor, nomeadamente a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo.

O presidente da AHP iniciou o seu discurso elevando o setor do Turismo como o mais “pujante da economia nacional”. Nos últimos três anos, o turismo tem “crescido nos proveitos e no emprego”, afirma Raul Martins, acrescentando que o “mercado interno cresceu” e “gera fluxos turísticos para todos as regiões do país”, contribuindo para combater a sazonalidade.

Para o novo mandato (2019-2021), a AHP prevê um “futuro risonho” mas os desafios que o país enfrenta são vários. O presidente da AHP descreve a “situação norte-americana” e o “crescimento do unilateralismo no panorama internacional” como uma “incerteza” quanto ao “futuro das relações comerciais entre os povos”. Sobre o Brexit, Raul Martins crê que uma perturbação face ao mercado proveniente do Reino Unido  “tem um peso muito expressivo como mercado emissor de dormidas, hóspedes e receitas”.

A nível da legislação que está a ser discutida e elaborada a nível europeu, o dirigente da AHP considera que esta tem um “impacto direto na nossa atividade”, sendo fundamental que “haja um reforço” por parte do Turismo de Portugal, “acompanhando” e “intervindo ativamente” nesta área. Raul Martins deu o exemplo das Plataformas em Linha que envolvem uma negociação entre operadores e privados. No entanto, existem cada vez “mais operadores e uma menor vulnerabilidade nos hoteleiros”, pelo que é necessário que estes atores no setor “sejam regulados”, frisa.

Sobre a acessibilidade aérea, o responsável é perentório ao afirmar que “90% das chegadas dos turistas” são por via das infraestruturas aeroportuárias e o “esgotamento não afeta apenas Lisboa” mas “todo o país”. Raul Martins aproveitou a ocasião para felicitar a decisão do Governo em “encerrar a pista 17-35”, permitindo assim a sua utilização para a “construção de mais espaços, incluindo uma nova ponte”, melhorando o serviço prestado pela ANA Aeroportos aos passageiros.

Na opinião do presidente da AHP, a solução Portela + Montijo vai gerar frutos para todo o país e não apenas para o setor do turismo. A nova infraestrutura significa assim “passar de 20 milhões de passageiros por ano para 50 milhões”, podendo fazer crescer o PIB nacional em cinco pontos percentuais, sublinha.

As matérias fiscais serão uma das áreas que vão estar na agenda da AHP nos próximos três anos. Raul Martins sublinhou que a associação tem intervindo, juntamente com o Governo e as autarquias, de modo a conseguir que “fosse retomado o tema da distribuição do IVA turístico pelos municípios” como forma de “compensar aqueles que têm maior peso pela atividade turística”. O presidente defende um modelo onde só “devem haver taxas em determinados destinos” e esse valor deve ser “alocado ao fundo específico” com um preço “gerido em conjunto com os representantes hoteleiros”, devendo ter “uma aplicação benéfica para o Turismo”.

Já quanto à regulação de estabelecimentos hoteleiros e novas formas de alojamento, Raul Martins lembrou que foi entregue uma proposta de trabalho sobre a Portaria dos Estabelecimentos Hoteleiros à secretaria de Estado do Turismo, estando assim na agenda da AHP tornar o quadro legal “claro, flexível e liberalizado”, sublinha. O desafio, agora, é o de “criar novas formas de alojamento para o mix-use, o co-living e multiplicidade de utilizações num edifício ou conjunto de edifícios se o Turismo trabalhar com o Urbanismo e Ordenamento do Território”. Embora a lei “já tenha dado alguns passos” no regulamento do Alojamento Local (AL), impedindo que “cresça sem regras” e remetendo para as autarquias o “poder de o controlar” para encontrar “um equilíbrio entre a habitação e o alojamento local”, segundo Raul Martins, há ainda mais passos a dar como “insistir para que os alojamentos locais de caráter coletivo (hostels, guesthouse e estabelecimentos de hospedagem) sejam enquadrados na esfera dos empreendimentos turísticos”, deixando o AL para realidades de caráter mais pontual e isolado.

Na área dos recursos humanos na hotelaria, o responsável destacou os dois grandes pólos de ação da associação: “a negociação dos CTT´s” e a procura de “soluções para fazer face à escassez de recursos humanos”. A AHP vai continuar com os programas de formação contínua “com uma oferta mais diversificada”. No ano passado, foi dada “formação a mais de três mil formandos”. Para Raul Martins, “as pessoas fazem toda a diferença e o turismo só prospera se tiver profissionais qualificados e justamente remunerados”.

Raul Martins optou por deixar a sustentabilidade e responsabilidade para o fim, considerando estes temas como sendo “do presente e do futuro”. O programa HOSPES da AHP é o exemplo que se tem “afirmado com um instrumento fundamental para promover a economia circular”, assegura. “Há cada vez mais adesão neste programa”. O responsável considera este “trabalho em rede entre os hotéis e instituições sociais” como “muito vantajoso na relação do turismo com a sociedade”, remata.

Cristiana Macedo