Alcochete – O charme e autenticidade de um concelho onde a Natureza é dominante

Alcochete – O charme e autenticidade de um concelho onde a Natureza é dominante

Um património natural imenso, uma história de séculos que é visível em alguns monumentos e uma gastronomia rica são motivos suficientes para uma visita a este território na margem sul do Estuário do Tejo.

Porta de entrada para uma das zonas húmidas mais importantes da Europa, a Reserva Natural do Estuário do Tejo, Alcochete é um destino obrigatório para quem deseja desfrutar de momentos únicos de proximidade com a Natureza. O cenário ímpar produzido pelo singular alinhamento das salinas, habitadas por uma população de elegantes flamingos, visível para quem chega pela ponte Vasco da Gama, e a belíssima paisagem rural típica da Lezíria, constituem mais motivos de interesse para visitar o concelho. A zona ribeirinha de Alcochete alicia o visitante para um passeio encantador pela rica e diversificada paisagem que culmina na zona ribeirinha de Samouco, totalmente requalificada.

Um passeio pela vila de Alcochete pode ser o seu ponto de partida nesta descoberta do concelho. Perca-se entre as ruas e os becos pitorescos e depare-se com edifícios de um significado patrimonial singular, solares que o remetem a outros tempos e igrejas que testemunham a fé das gentes locais e que se destacam no património edificado local. O Núcleo Sede do Museu Municipal apresenta, no seu percurso, os momentos mais importantes da história de Alcochete, com uma coleção arqueológica que integra vestígios dos períodos paleolítico, neolítico e época romana. Uma significativa coleção etnográfica deu origem a diversas áreas de exposição, evidenciando-se a importância de atividades de caráter marítimo, onde a salicultura, a construção naval e o transporte fluvial se complementaram, desenvolveram e deram origem a crenças e festividades muito peculiares.

Desde 1993 que a Câmara Municipal abriu ao público o Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal de Alcochete. Instalado num imóvel de elevado valor histórico e patrimonial, apresenta um percurso expositivo que reflete a qualidade da coleção de pintura que integra, com destaque para o retábulo do altar-mor e para a bandeira da Misericórdia, uma das mais antigas do país, atribuída a Francisco de Campos.

Neste passeio pela vila, não deixe de conhecer a Igreja de São Baptista, que é também a Igreja Matriz e, desde 1910, monumento nacional de estilo manuelino. Sugerimos ainda o Bairro das Barrocas, típico pela sua localização e construção, que foi sobretudo habitado por gente ligada às atividades tradicionais como salineiros, marítimos e pescadores.

O Passeio do Tejo é outro cartão-de-visita de Alcochete. Surgiu em 2013 e veio enriquecer a Frente Ribeirinha de Alcochete. Aqui pode contemplar algumas embarcações tradicionais que dão um colorido especial ao rio.

Uma vez em Alcochete não há como escapar à Reserva Natural do Estuário do Tejo, local de abrigo para mais de 120 mil aves, e onde se destaca a comunidade de flamingos que, durante todo o ano, dão cor a este local. Rica em diversidade, a Reserva Natural é uma área que está à espera de ser explorada, seja de bicicleta, de carro, num passeio pedestre ou de Kayak no programa Alcochet’Aventura.

Para além do valor biológico do estuário, o Estuário do Tejo reveste-se de uma importância histórica e identitária, no que se relaciona com as atividades tradicionais do Concelho, tomando como exemplo a salicultura, já considerada uma das maiores atividades económicas do concelho. As salinas são cada vez mais reconhecidas pela sua importância ecológica, sendo um local de abrigo para muitas aves aquáticas.

Resta agora experimentar a gastronomia local, inspirada na variedade de peixe fresco que chega aos restaurantes, com destaque para o peixe assado, o ensopado ou a caldeirada. As enguias, fritas, no ensopado ou na caldeirada, destacam-se também nas ementas da restauração, mas o património gastronómico inclui ainda sopas e doçaria como o arroz doce alcochetano, a fogaça, os bolinhos de água-mel, o bolo de soda ou os palitos da Maria da Paz, entre muitas outras iguarias que prometem adoçar-lhe o paladar.

Este artigo foi publicado na edição 332 da Ambitur.