Alentejo: Um destino único e genuíno

Alentejo: Um destino único e genuíno

O Alentejo está cada vez mais no mapa do turismo em Portugal. E os motivos são variados. Desde a excelente gastronomia e vinhos, à beleza da paisagem desta região, não esquecendo o património histórico e cultural, tudo se compõe para que o Alentejo se afirme como destino. A Ambitur falou com alguns empresários que quiseram explicar o porquê desta região ser imperdível.

Sérgio Pires, diretor de Vendas e Marketing do Hotel Dom Fernando e da Casa do Vale Hotel, em Évora, não hesita em afirmar que “o Alentejo já faz parte do roteiro de muitos turistas, quer nacionais, que cada vez mais escolhem a região como alternativa a outros destinos nacionais «mais tradicionais» para passarem as suas férias ou fins-de-semana, quer internacionais, que procuram acima de tudo conhecer a imensa riqueza e diversidade que o nosso país tem para oferecer”.

Sérgio Pires

O responsável acredita que não faltam atributos para que o Alentejo esteja a crescer. Se, por um lado, a beleza da paisagem e a qualidade do património arqueológico, monumental, arquitetónico e etnográfico são razões fortes para querer conhecer esta região, não o serão menos a “excelência da sua gastronomia e vinhos, aliados à pureza das suas gentes, que recebem com uma simpatia sem igual, e fazem do Alentejo um destino único e genuíno e, por isso, na minha opinião, muito especial”. Com realidades tão diferentes como as típicas planícies, os montados de sobreiros, uma costa de praias idílicas, cidades notáveis e aldeias pitorescas, Sérgio Pires sublinha que “no Alentejo é como se o tempo parasse e a vida se movesse apenas pelo ritmo solar, sem pressas ou planos estritamente definidos”.

Não admira pois que esta se região se tenha destacado a nível de crescimento turístico nos últimos anos, o que tem levado a um aumento da oferta de alojamento e de restauração, bem como de atividades de animação turística. E Évora será dos destinos que mais reflete esta realidade, admite Sérgio Pires, com um crescente aumento de procura nos seus mercados mais tradicionais (residentes em território nacional e espanhol) mas também noutros mercados como o alemão, holandês, brasileiro ou norte-americano. Para que o Alentejo continue a crescer, o responsável defende “mais promoção que aumente a visibilidade internacional da região nos mercados considerados estratégicos para o turismo nacional porque produto com muita qualidade já existe e gente com vontade de melhorá-lo também”.

Vítor Borges e Franck Laigneau

Também Vítor Borges e Franck Laigneau, proprietários do empreendimento Dá Licença, em Estremoz, defendem que ainda é necessário fazer mais pela região, apontando que existe uma “forte lacuna na oferta de experiências culturais ou de serviços de lazer”. Além disso, frisam que há pormenores, como o facto de muitas das festividades planeadas no Alentejo se realizarem após os períodos de época alta, que podem ser negativo, sendo que os meses de julho e agosto não têm programas atrativos. Mas claro que reconhecem que tem havido cada vez mais “uma procura de turismo de «qualidade» e, consequentemente, existem novos projetos que propõem experiências inovadoras num mundo rural”.

Por essa razão, o Alentejo começa a estar no mapa, fazendo-se valer pelas “paisagens magníficas e ímpares, uma natureza ainda preservada e vernacular, aldeias pitorescas e históricas, uma tradição forte na gastronomia, vinhos e azeite”. Os empresários não deixam de referir ainda “as estrelas, o silêncio e o descanso” como mais-valias.

José Oliveira

Para José Oliveira, proprietário da Horta da Quintã, em Mértola, o Alentejo “é um local especial que tem um pouco de tudo… praia, campo, animais, história, comida, sossego, descanso e, o fundamental, as pessoas, que sabem receber muito bem”. Argumentos suficientes para o levar a afirmar que a região tem evoluído positivamente a nível da oferta de alojamento e de restauração, e que o número de visitantes tem crescido, nomeadamente, na vertente de caminhadas e de birdwatching. Claro que admite faltar ainda muito por fazer, como infraestruturas de acesso, pessoal qualificado para o turismo, informações com maior diversidade de distribuição, mas a região estará no bom caminho.

David Marques

Um destino com valor
O Alentejo está, de facto, a afirmar-se como um destino “de elevado valor”, diz-nos David Marques, vereador da Câmara Municipal de Castro Verde. E não há dúvidas de que a natureza e a cultura, aliadas à gastronomia e aos vinhos têm assumido um papel determinante neste processo, levando a que a região se afirme como “destino de qualidade, oferecendo cultura, sabores, experiências e paisagem, de forma singular, marcando a diferença”, revela o responsável.

João Rolha

Falando da experiência própria, David Marques recorda que na região específica de Castro Verde é o património natural que assume uma importância fundamental na atração de visitantes. Aqui a avifauna tem ajudado a captar sobretudo mercados externos através de produtos de birdwatching, mas admite que é “ainda elevada a margem de progressão” nesta área, quer no enquadramento e articulação da oferta, como na estruturação do produto, o que permite que a permanência possa vir a ser alargada através de ofertas mais diversificadas.

Já João Rolha, do departamento de Turismo da Câmara Municipal de Mértola, não tem dúvidas de que o Alentejo possui elementos que o diferenciam dos restantes territórios, destacando-se a sua região pela riqueza histórica e pelo valor natural. Para este responsável, falta agora afirmar a oferta turística do Alentejo como um todo e “definir uma estratégia conjunta no que respeita à promoção e desenvolvimento de produtos”.

A não perder no Alentejo…

Mértola

Sérgio Pires, Hotel Dom Fernando
“Cidades como Évora e Elvas, ambas classificadas como património mundial pela UNESCO; povoações com uma beleza ímpar como Monsaraz, com as suas deslumbrantes vistas para o lago do Alqueva; Marvão com o seu imponente castelo ou Porto Covo com as suas pequenas praias de magníficas areias brancas e águas azuis, sem esquecer as várias adegas que dão a conhecer a imensa riqueza dos vinhos alentejanos”.

João Rolha, Câmara Municipal de Mértola
“Mértola é um sitio único, não só pela sua riqueza histórica e valor natural de se encontrar inserida no Parque Natural do Vale do Guadiana, mas também pela arte de bem receber. No Alentejo incluímos o cante, enoturismo, gastronomia, alojamento, animação turística, as planícies as praias, etc…”

Monsaraz

David Marques, Câmara Municipal de Castro Verde
“Castro Verde é pátria da abetarda e de um conjunto de mais 200 espécies de aves que podem ser observadas nesta Reserva da Biosfera da UNESCO. A gastronomia, destacando o Festival Sabores do Borrego, o cante, o património histórico-cultural, em que a Basílica Real de Castro Verde assume lugar de destaque, são outros dos motivos para visitar este Alentejo”.

José Oliveira, Horta da Quintã
“Temos a parte histórica (mesquita e o castelo além dos vários museus), o birdwatching, os percursos pedestres, a mina de São Domingos e o Rio Guadiana”.

Vitor Borges e Franck Laigneau, Dá Licença
“Évora, as aldeias como Marvão e Monsaraz”.

Inês Gromicho, publicado na edição 326 da Ambitur.