Aniversário Ambitur: “A recuperação do Turismo nos destinos portugueses”

Aniversário Ambitur: “A recuperação do Turismo nos destinos portugueses”

O 31º aniversário da Ambitur serviu de mote para sabermos qual a visão dos Conselheiros Ambitur sobre o futuro do turismo nacional, neste momento que muitos consideram ser de viragem da confiança do consumidor. Para se ter uma perspetiva ainda mais abrangente do que se pode passar nos próximos temos no negócio turístico nacional, acrescentámos ainda a posição institucional da secretaria de Estado do Turismo e do Turismo de Portugal, assim como a análise da nova equipa de gestão da TAP. Fica aqui o testemunho de José Theotónio, CEO do Grupo Pestana.

Depois de 18 meses de uma paragem do Turismo em Portugal, com uma janela que permitiu alguma atividade entre meados de julho e outubro de 2020, a recuperação iniciou-se em junho deste ano.

A recuperação não tem sido homogénea entre os diferentes destinos, nem nos diferentes segmentos. O lazer recupera a uma velocidade muito superior ao corporativo, e o lazer de sol e praia e o do interior ou em espaço rural tem tido também maior incremento que o lazer urbano. A recuperação assentou sobretudo no mercado interno e nos mercados de proximidade. O turista que começou a viajar de avião é dos segmentos mais jovens e de países de origem diferentes dos que habitualmente nos visitavam (o turismo alemão por exemplo praticamente ainda não recomeçou), o que não é necessariamente mau, dado que podemos ter a oportunidade de diversificar mercados.

Com isto houve destinos com bons desempenhos no verão, Madeira e Porto Santo, Algarve, Açores e, no também, as Pousadas de Portugal. Outros houve onde o ritmo de recuperação está a ser muito mais lento, designadamente Lisboa e Porto.

A incógnita é saber se esta recuperação é sustentada ou se assistiremos a uma regressão, como em outubro do ano passado, que vá provocar uma redução da atividade para além da que é natural pela sazonalidade. Por enquanto, os sinais são animadores, setembro e outubro perspetivam-se com desempenhos positivos nos destinos que recuperaram primeiro e o ritmo de reservas tem aumentado nos que estavam mais atrasados.

Quando falamos em resultados positivos, não falamos nos resultados dos anos dourados do triénio 2017 a 2019, mas quando conseguimos atingir pelo menos metade desses anos e vimos de 18 meses de uma paragem, praticamente total, da atividade a nossa atitude tem de ser positiva, “olhar para a parte do copo que está meio cheia”.

O início da recuperação vai, no entanto, depender de múltiplas questões, fora a da evolução da pandemia, cuja qualidade da resposta que formos capazes de dar podem permitir a sustentação do desenvolvimento do setor turístico nos diferentes destinos. Para além dos dois “velhos” grandes constrangimentos que o Turismo tinha pré-pandemia: congestionamento do aeroporto de Lisboa (no atual estado do processo não teremos novo aeroporto nos próximos 5 anos) e falta de pessoal qualificado para trabalhar no setor do turismo (há unidades que ainda não abriram por falta de pessoal), há que juntar as alterações que o modelo de negócio irá sofrer pelos problemas que alguns dos grandes “players” do setor estão a sofrer, designadamente no transporte aéreo, em que a nossa TAP é um exemplo, e nos operadores turísticos.

Esperam-nos assim tempos desafiantes e que necessitam de empresas com capacidade de investimento e atração de talento para a transformação orgânica que têm necessariamente de fazer. Estas transformação deverá ocorrer a três níveis:

1 – transformações no modelo de negócio na comercialização e distribuição para que não fiquem totalmente dependentes de outros operadores do setor,

2 – transformação digital para poderem ser mais eficientes em todos processos internos, e

3 – transformação para operações sustentáveis, porque o tema da sustentabilidade veio para ficar e será um dos principais “drivers” económicos e, em particular, do setor turístico.

Desafios enormes para as empresas turísticas, que vêm de uma situação económica delicada, mas que não podemos evitar sob pena de perdermos a batalha da competitividade.

José Theotónio, CEO do Grupo Pestana