Aniversário Ambitur: “Desafio ou oportunidade?”

Aniversário Ambitur: “Desafio ou oportunidade?”

O 31º aniversário da Ambitur serviu de mote para sabermos qual a visão do presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, sobre o futuro do turismo nacional. Continuaremos a publicar, ao longo das próximas semanas, vários artigos de opinião também dos Conselheiros Ambitur e da nova equipa de gestão da TAP. Quais são então os caminhos a seguir? Ficam aqui algumas pistas…

O turismo continua a ser a maior alavanca da marca Portugal. Apesar dos desafios do último ano, o nosso destino mantém um posicionamento de referência internacional, encontrando-se no topo das preferências de turistas de todo o mundo. Contudo, aprendemos nos últimos tempos que o paradigma mudou e que hoje, mais do que nunca, é necessário adaptarmo-nos à nova realidade. E é aqui que reside a oportunidade: prosseguir o caminho de crescimento confirmando o papel do Turismo como uma força para o bem do país e o bem estar daqueles que aqui vivem, nos visitam e trabalham neste setor.

Assistimos a mudanças de comportamento na escolha de destinos e produtos por parte do Turista pelo que é essencial darmos resposta a esta relação de confiança. Vivemos um momento em que são valorizadas as experiências mais familiares, atividades ao ar livre e um turismo mais previsível e confiável, claramente impulsionados pela procura do turismo interno. Custo, conforto e segurança são atualmente fatores-chave na tomada de decisão. Para os turistas mais cautelosos, a confiança tornou-se a componente mais significativa para agregar valor, condicionante que deverá estar no centro da oferta a apresentar pelas empresas turísticas.

Nesse contexto, procurando restabelecer um elo de confiança entre prestadores de serviços turísticos e os seus potenciais clientes, não posso deixar de destacar o selo Clean & Safe – um guia de adoção de procedimentos e, ao mesmo tempo, uma demonstração de compromisso das empresas com as normas e orientações de higiene e segurança emanadas pela Direção-Geral da Saúde. Esta iniciativa do Turismo de Portugal, cujos procedimentos foram atualizados em 2021 numa parceria com a NOVA Medical School, originando o Clean & Safe 2.0, tem tido uma adesão massiva por parte das empresas turísticas portuguesas e, neste momento, mais de 23.000 empresas já ostentam este selo e 37.000 profissionais do setor receberam formação do Turismo de Portugal.

Igualmente importante é o fator da descoberta e da fidelização. Foram muitos, nacionais mas também estrangeiros, os que descobriram novos destinos no nosso país, territórios menos pisados e que agora cumprem o papel de encantar que outras regiões, mais turísticas, tão bem desempenharam e continuam a desempenhar.

Este caminho faz-se focando nos mercados, afinando a sua importância e segmentando-os, focados no mercado de proximidade mas também na importância da conetividade intraeuropeia mas também em destino de longa distância, dos EUA ao Brasil, da Índia ao Sudeste Asiático.

Temos, pela primeira vez, uma estratégia turística enraizada na sustentabilidade (a ET 27), um plano de ação com o objetivo de acelerar a transformação sustentável do setor (Plano Turismo +Sustentável 20-23) e um Plano de Retoma (Plano Reativar Turismo) que nos permitirá, não só a resiliência perante crises futuras, como o retomar da atividade turística sob o compromisso de fazer melhor e com maior segurança, dos pontos de vista económico, social e ambiental.

Para a oferta, um sinal muito positivo vem do envelope financeiro associado ao plano para acelerar a atividade turística em Portugal, no curto prazo, e criar os alicerces para o turismo do futuro. Mais de seis mil milhões de euros para apoiar as empresas, gerar confiança e garantir condições de segurança sanitária, ajudar a promover e a gerar negócio e, finalmente, construir o futuro. No fundo, o esforço financeiro colocado neste plano corresponde à importância que o turismo tem para o país e respetivo desenvolvimento económico e social.

Mas é importante acelerar a sustentabilidade do setor tendo, por isso, sido delineado pelo Turismo de Portugal o Plano Turismo + Sustentável 20-23. Um plano desenhado em conjunto, públicos e privados, dentro e fora do setor, para colocar a indústria turística nacional na linha da frente das preocupações com o desenvolvimento sustentável e na implementação de novos procedimentos nos modelos de negócio e nas operações, com vista a uma recuperação ainda mais forte da atividade.

Este plano de ação pretende intensificar o objetivo da sustentabilidade na atividade turística com ações como a reeducação para uma restauração circular e sustentável, o desenvolvimento de práticas para uma economia circular, a neutralidade carbónica nos empreendimentos turísticos, a construção sustentável em empreendimentos turísticos, a eficiência hídrica nos campos de golfe em Portugal e a redução do plástico na hotelaria.

Neste momento estão em curso 50% das ações, entre as quais a atribuição de apoios no âmbito da Linha de Apoio à Qualificação da Oferta e Programa Valorizar; a revisão das Portarias de Alojamento Turístico, as quais devem incorporar requisitos de sustentabilidade; o apoio ao setor para a adaptação do negócio à redução/eliminação dos Plásticos de Uso Único; a densificação dos conteúdos formativos sobre sustentabilidade, economia circular e eficiência energética e hídrica nos cursos das Escolas do Turismo de Portugal; e os NEST – Future Labs Sustainability, laboratórios para experimentação de ideias e projetos-piloto no âmbito da sustentabilidade e acessibilidade no turismo.

As metas que pretendemos alcançar com estas ações, em alinhamento com a Estratégia Turismo 2027, pretendem reforçar o posicionamento e a competitividade de Portugal enquanto destino turístico sustentável e seguro, acomodando também as exigências das novas diretrizes e orientações nacionais e comunitárias, para o curto e médio prazo.

Esta pode ser a oportunidade de elevarmos o turismo para outro patamar. Mas é, sobretudo, uma oportunidade de, com isso, gerar efeitos multiplicadores na economia nacional e de a fazer crescer, de modo sustentável, para outros níveis de riqueza e bem estar.

Mantemos o objetivo estratégico que traçámos há quatro anos, de chegar aos 27 mil milhões de euros de receitas turísticas em 2027. As previsões apontam para que, em 2023, o turismo em Portugal recupere os números de 2019. No entanto estamos convencidos que, a partir daí, é possível acelerar o crescimento, de forma a superar o objetivo até 2027 e continuarmos a liderar o turismo do futuro.

Isso sim, focados nas pessoas. Nos turistas, nos residentes e nos colaboradores do setor. Porque é por eles e para eles que o melhor destino turístico do Mundo mostra a sua força e resiliência.

Por Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal. Este artigo foi publicado na edição 336 da Ambitur.