Aquapura Douro Valley no começo de uma nova etapa

Aquapura Douro Valley no começo de uma nova etapa

 

O Aquapura Douro Valley nasceu em 2007 trazendo uma diferenciação e posicionamento acrescidos ao Douro enquanto destino turístico. Se 2012 marca o empreendimento pelos resultados financeiros positivos obtidos, a verdade é que novos desafios o aguardam. Miguel Simões de Almeida, administrador executivo da Aquapura, em entrevista a ambitur.pt, dá conta do momento importante pelo qual passa todo o projecto, antes da expansão para o Brasil.

O Aquapura Douro Valley abre em 2007, quais os principais objectivos que o nortearam?

O projecto inicialmente tinha dois objectivos principais, introduzir em Portugal um conceito e uma marca nova na oferta hoteleira, baseado em valores portugueses, sendo o segundo objectivo, uma vez consolidada esta marca, ter uma trajectória de expansão, em Portugal e no estrangeiro. Mas desde esta altura, 2006, que o mundo mudou muito. Abrimos o hotel no Douro e tem hoje uma notoriedade e um posicionamento indiscutível, com uma influência na região muito forte, quer em termos de pólo de atracção para outros investimentos, bem como por alimentar outras actividades que gravitam em redor da unidade. Apareceram entretanto muitas outras empresas, que de certo modo complementaram a abertura da unidade. Hoje assiste-se a um trajecto inverso, ao nível hoteleiro, com o fecho de algumas das unidades de alojamento ali existentes. Há um conjunto de indefinições na região que podem ter um impacto grande e o Aquapura tem estado a trilhar o seu caminho, superando um conjunto alargado de dificuldades. O enquadramento económico alterou-se, quer na Europa quer em Portugal, tendo-se perdido o equilíbrio entre a exploração hoteleira e a sustentação imobiliária. Esta era a situação onde estava enquadrado o nosso investimento, assim como muitos dos empreendimentos turísticos nacionais. Tínhamos três vectores de desenvolvimento baseado nas villas, hotel e spa, sendo que o primeiro vector, imobiliária, consistia na sustentação de alguma forma do investimento inicial, o que não aconteceu como se esperava. Esta alteração de paradigma condicionou muito a estratégia de expansão da marca. Apesar de tudo fomos adquirindo um conjunto de activos, onde se insere Brasil e Macedónia. Estando o Brasil numa fase de licenciamento final.

Qual a situação actual do projecto?

Ao fim de cinco anos de operação, conseguimos em 2012 resultados operacionais EBITDA positivos. Esta é uma mudança significativa, que permite afirmar que o projecto conseguiu fazer a sua consolidação operacional e tem neste momento todas as condições operacionais para ser sustentável. É muito importante destacar um aspecto, que sem ele era impossível fazer essa transição, o apoio e a confiança dos nossos parceiros financeiros, dos parceiros internacionais e a capacidade e empenho dos colaboradores. Sem estas condições era praticamente impossível o projecto continuar.

Aquapura 2

Após a consolidação operacional, qual o futuro do projecto, que factores são necessários?

Se até agora era importantíssimo criarmos as condições para provar que podíamos continuar no mercado, e a nós próprios que o hotel era sustentável apesar da sazonalidade que temos e das dificuldades que ultrapassamos, temos que resolver um problema de fundo no projecto que permita responder aos compromissos que fazem parte do investimento. Neste momento, o que nos preocupa é que, em tempo útil, seja implementada uma solução que está já delineada. Pois parece-nos claramente que, numa altura em que estamos na época mais fraca do ano, com níveis de tesouraria baixos e com um nível de custos necessários, temos um nível de obrigações passadas devido aos prejuízos acumulados nos primeiros anos de exploração por resolver, só será possível continuarmos se num curtíssimo espaço se tivermos uma solução. Esta está encontrada, agora tem de ser decidida e fechada e que seja posta a funcionar, para que o hotel possa encontrar a tranquilidade financeira que permita consolidar e continuar a avançar nesses resultados. Esta solução tem que passar pelas nossas obrigações, quer financeiras, quer com fornecedores, quer com uma entrada de capital que permita estabilizar estes equilíbrios. Existem soluções que têm estado em cima da mesa, quer através de fundos imobiliários que de uma forma geral o mercado tem acompanhado, existem soluções por parte do Governo através de fundos do QREN, em concreto no Norte, onde há meios para revitalizar perante empresas e projectos viáveis, uma solução de futuro. Neste momento temos condições para que essa solução fique fechada mas temos um curtíssimo prazo para o fazer. Uma das grandes angústias que passam pelos projectos numa fase economicamente difícil como esta é o tempo. Nesse aspecto o que nos preocupa é chegar a uma situação de resultados positivos, ou seja, podemos «estar com o pé na praia, mas não passar para a praia». No nosso caso investimos significativos capitais próprios, não somos aquele caso em que a maioria do investimento foi feita com capitais alheios e que está numa situação de total vulnerabilidade, fragilidade ou incapacidade negocial. Não é esse o caso. Assentamos a nossa exploração em clientes de nacionalidades internacionais, em cerca de 52 a 53%, sendo que no pico da ocupação, Maio a Outubro, chegamos aos 70%. Claramente estamos naquela linguagem das empresas exportadoras. O Douro teve nos últimos anos um desenvolvimento turístico ímpar.

A região suportará um volte face, ou seja, conseguirá recuperar facilmente do fecho de parte das suas empresas turísticas?

Será devastador. Por exemplo, o Algarve que já passou por várias crises, tem uma notoriedade e produto (sol e mar) que lhe dão uma vantagem ao nível da capacidade diferente de resolver os problemas turísticos. O Douro não é sequer um destino turístico consolidado a nível mundial, não tem a capacidade de reter negócio, nem mercados, como o Algarve, nem tem o tecido empresarial na região que possa aguentar uma decisão de fechar durante um período.

Para um hoteleiro, é complicado olhar para alguns dos projectos turísticos do país, planeados e executados no último ano, que teriam todos os ingredientes para serem vencedores, que estão agora numa situação de impasse?

É muito duro. Como em qualquer sector da actividade económica do país, há sempre bons e maus investidores, bons e projectos menos defendidos. Neste momento é induzida em Portugal uma cautela muito grande, o que não se passava há uns anos, com uma postura para se arriscar em projectos com uma envergadura considerável. É muito difícil perceber que há regiões com um potencial enorme, e conhecemos o mundo, mas que estão a ser constrangidas.

Pedro Chenrim