“As empresas querem e têm de crescer para o digital”

“As empresas querem e têm de crescer para o digital”

Esta foi uma das conclusões retiradas de mais um webinar realizado pelo município de Faro, enquadrado no tema global “Desafios & Oportunidades para o turismo de Faro“, desta vez dedicado à temática “Estratégias digitais para promover o destino“. Filipa Cardoso, diretora de Comunicação & Marketing do Turismo de Portugal, foi uma das oradoras presentes e não tem dúvidas de que “a pandemia deu-nos espaço para dar este salto quântico a nível do turismo”, admitindo que se tratou de um período de certa forma positivo pois “deu-nos tempo para formar as empresas”.

A responsável afirma que “as empresas querem e têm de crescer para o digital”. E adianta que o Turismo de Portugal tem apostado em dois eixos essenciais a nível estratégico: a sustentabilidade e o digital. A entidade tem investido na digitalização da atividade promocional e Filipa Cardoso diz que tem sido pioneira pois, desde 2012, que se optou por
transitar praticamente a totalidade do orçamento para a promoção digital. “Seremos um dos poucos destinos que o faz”, garante. E como não pode competir com outros países em termos de dimensão e de valor do orçamento disponível, “vamos competir de forma inteligente e com criatividade. Vamos ser diferentes, posicionarmo-nos de outra forma e vencer por aí. E o digital dá-nos essa oportunidade”, sublinha.

Na estratégia de digital governance, o Turismo de Portugal considera muito importante a questão da aceleração de conteúdos, “especialmente agora, porque é preciso mostrar aos turistas o que está a acontecer no destino, agora”, clarifica a oradora. E exemplifica que, neste momento, a entidade tem uma equipa “a desenhar e a descrever o Alentejo” no sentido de voltar a trazer normalidade para a atividade turística.

Por outro lado, a nível de “data”, Filipa Cardoso reconhece que se trata de um trabalho muito complexo. “O nosso trabalho termina quando o turista chega ao visitportugal.com e, se tudo correr bem, há de clicar em alguma oferta e reservar, mas a partir do momento que sai do site perco-o, não tenho esse rasto digital”, explicita. Mas adianta que o Turismo de Portugal já está a dar os primeiros passos numa ótica de parceria, para conseguir ter acesso a uma
“visão do bolo inteiro e possamos também ceder essa informação às nossas empresas, com um grande valor económico para elas”. E refere: “Esperamos que no futuro consigamos ter um ecossistema do país em que seja possível prestarmos um serviço de valor acrescentado às nossas empresas, nesta ótica da data”.

A nível da plataforma do visitportugal.com, a entidade está a trabalhar para integrar as plataformas regionais na sua. E Filipa Cardoso avança que, em breve, o visitportugal.com terá uma nova versão, mas a ideia é que funcione como um “chapéu, o início da história que temos com o turista, para que depois continue a explorar nos sites das regiões”. Este trabalho já está a ser feito, por exemplo, com o Turismo do Porto e Norte, e a vantagem é a redução do “consumo de recursos” e a garantia de que “tenho a informação muito mais atualizada, porque a região está muito mais perto do produto turístico do que nós”.

Filipa Cardoso conclui afirmando que o Turismo de Portugal tem estado muito focado no futuro e naquilo que é preciso fazer para que o pós-Covid seja positivo, de não se restringir apenas a retomar a atividade mas “retomar ainda melhor”.

Estratégias de Marketing para captar turistas
Marco Gouveia, presidente da Digital Marketing Training & Consulting, quis deixar a mensagem neste webinar de que o facto de estarmos hoje sempre conectados, a consumir conteúdos, é “uma oportunidade gigante de comunicar”. “Se quero promover o meu destino, se quero que essas pessoas cheguem até mim, vou ter de lhes passar essa mensagem”, refere.

O orador falou sobre a abordagem do funil de Marketing, que começa pela fase da descoberta, e que aqui pode integrar várias plataformas, como por exemplo, o YouTube, “um dos maiores canais de comunicação do mundo”, diz. Reitera também a importância das redes sociais como “excelente forma de promover o destino”, nomeadamente o Facebook, Instagram ou Pinterest, com o recurso a fotografias, vídeos ou testemunhos. “Surgimos no ecrã da pessoa, ficamos no seu radar, agora temos de aguardar que ela nos considere”, explica.

Segue-se então um segundo passo do funil de Marketing: a fase da consideração. E aqui surgem outras estratégias: anúncios gráficos em sites, escolher os sites ou blogs em que que o destino quer aparecer, junto a um determinado hotel ou a uma experiência específica.

Esta estratégia termina com a etapa da conversão: levar a pessoa a fazer a ação que queremos que ela faça.E aqui Mário Gouveia sugere alguns métodos para garantir que a pessoa “não nos escapa”, recorrendo a estratégias digitais como o remarketing.

O responsável lembra ainda que, depois da pessoa ter passado então algum tempo no destino, usufruído do hotel e das experiências, poderá dar o seu feedback e expô-lo publicamente através das redes sociais. “É o momento zero em que aquilo que faz disparar a mensagem é o feedback que outros deixaram”, diz.

Mário Gouveia não hesita em afirmar: “Se cumprirmos com todos estes requisitos, a probabilidade da pessoa retornar e recomendar aumenta e temos uma experiência digital muito interessante”.

Agarrar uma oportunidade
Outro orador neste webinar foi Jorge Cabaço, diretor de Marketing e Estratégia da Dengun, que sublinha a importância de estarmos a “Green List” do Reino Unido sem que nenhum dos concorrentes diretos de Portugal esteja ainda, sabendo que “existem cerca de 20 milhões de britânicos que ponderam a viagem internacional”. Portanto, frisa, “agora abriu-se uma oportunidade, vamos procurar agarrá-la”.

O responsável frisou a importância de se usar cada vez mais conceitos como o data-science e o growth marketing aplicados à promoção turística. E explicou que o data-science pode ajudar a identificar e desenvolver as personas/segmentação (por exemplo, o perfil das pessoas, as regiões de origem, as atitudes, o que consomem, características demográficas, entre outras). Pode ainda otimizar a comunicação e a escolha dos canais ou meios mais relevantes. Por outro lado, pode contribuir para perceber o que as pessoas procuram e o que é relevante para estas. E ajudar a desenvolver o produto/destino, com pistas de crescimento e desenvolvimento da indústria, de novos programas e de nova oferta. Por fim, Jorge Cabaço realça o facto de proporcionar insights em tempo real, permitindo “sempre que possível, conseguirmos ser proativos e não reativos”.

Faro: a importância de uma boa estratégia de promoção
Também Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, participou do webinar, lembrando que “Faro está no lote de destinos turísticos que compreendem bem a importância de ter uma boa estratégia de promoção”. O autarca recordou que a história de afirmação deste destino é recente e resulta, sobretudo, da diversificação da procura nos canais online. “De repente os viajantes começaram a poder comprar separadamente online tudo o que desejam. Isso deu-nos uma oportunidade de fazer valer os nossos atrativos e potencialidades enquanto centro cultural cosmopolita, cidade património e também balnear”.

Faro foi também afirmando outros predicados: o turismo de natureza, a estação náutica, a gastronomia e outros produtos turísticos de qualidade.

“Felizmente estão para trás os tempos em que um operador turístico controlava todos os fatores do negócio e colocava os turistas onde bem entendia. Agora há poder de escolha e isso beneficia-nos e ajudou a que nos tornássemos um caso de sucesso num meio muito competitivo”, sublinha Rogério Bacalhau.

“E como o meio continua a ser muito competitivo não há tempo a perder”, alerta o orador, reconhecendo que não basta vender, “é preciso adequar o produto às expectativas de quem cá vem”. E é nesse âmbito que Faro está também a recorrer às tecnologias da informação para criar um espaço acolhedor, inclusivo, seguro e confortável para todos. “Faro é já uma cidade do conhecimento e da tecnologia. Por isso aspiramos a que todo esse know how reverta no incremento da qualidade de vida de todos os que cá vivem ou que nos querem visitar para apreciar as nossas muitas virtudes”, conclui.

Inês Gromicho