“As pessoas querem experimentar, viver e sentir””

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Ontem, no auditório do MUDE – Museu do Design e da Moda de Lisboa, inserida na Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, que termina hoje, discutiu-se &O papel do Turismo na Regeneração dos Bairros Tradicionais de Lisboa&, uma conferência organizada pela Associação da Hotelaria de Portugal e Vida Imobiliária, dividida em dois painéis. Manuel Salgado, vereador do Planeamento, Urbanismo, Reabilitação Urbana da Câmara Municipal de Lisboa, deu início à discussão apresentando as várias políticas públicas levadas a cabo pelo Município no sentido de recuperar o centro histórico e o Arco Ribeirinho, as zonas mais turísticas da cidade, e aproximá-las de outros pontos de interesse como o Parque das Nações e Belém, bem como a apresentação de projectos futuros.& &Estes projectos são maratonas que não se coadunam com ciclos eleitorais, têm de ser projectos a longo prazo para andar para a frente. Como o território municipal está esgotado, é necessário intervir na cidade existente&.& Para tal, a aposta é transformar Lisboa numa cidade competitiva , atraindo as pessoas, não só turistas mas também residentes. &Quanto melhor a cidade for para os lisboetas, mais atractiva é para os turistas&, afirmou. No turismo, os alunos de erasmus e os empresários das start-ups funcionam como embaixadores, sendo também promovida a capital enquanto destino de compras, com grandes marcas a preços mais baratos, por comparação com outros países, com animação, grandes eventos e festivais. No lado dos lisboetas, o objectivo é acomodar residentes permanentes para o centro da cidade, um desafio difícil pela concorrência dos alojamentos locais e habitações temporárias. &O preço da habitação não baixa no centro da cidade, nem nos bairros históricos, porque há uma grande concorrência da habitação de curta duração. O que nos coloca um problema muito sério porque necessitamos urgentemente de repovoar o centro com residentes permanentes&. Assim, uma das missões é trazer os locais para o centro da cidade, evitando a criação de &guettos de turistas&. A opinião é consensual, há lugar e espaço para todos, desde que não seja numa forma de mercado paralelo e haja igualdade nas condições de fiscalização, o que não tem acontecido devido a uma &ânsia de reabilitar o edificado&, como apontou Cristina Siza Vieira, Presidente da Direcção Executiva da AHP. &O turismo avança para ocupação nos bairros tradicionais, porque não há outros projectos e o que está errado é a falta de outras iniciativas para recuperar a cidade&,& referiu Luís Correia da Silva. O Senior Partner da Aequitate realçou a importância da vida normal da cidade. &As pessoas não procuram um bairro turístico, há que ter atenção na autenticidade das políticas públicas de regeneração&, através de um equilíbrio entre a oferta hoteleira e a procura, numa altura em que 40% dos hotéis se encontra vazio.A mesma ideia ficou expressa no segundo painel, onde foi explorado o conceito de um novo produto, Turismo de Bairro, assente na vivência de experiências, conhecer a comunidade local e fazer amizades, promovendo uma identidade e autenticidade dos espaços.&&Tem de haver habitantes locais, não podemos correr o risco de criar guettos de turistas. A comunidade local é a chave para isto tudo. As pessoas vão para experimentar, viver e sentir. Daí que temos moradores integrados no pátio, para passar a experiência de viver em Alfama como um residente&, afirmou Rodrigo Machaz, director-geral do Grupo Memmo Hotels, que abriu recentemente um hotel em Alfama, quando questionado sobre a interacção entre os turistas e locais. &A hotelaria transformou-se. As pessoas às vezes esquecem-se, mas a hotelaria assenta na hospitalidade, em saber receber bem as pessoas. É um negócio de pessoas para pessoas&, referiu, expressando uma preocupação de dar a conhecer o destino, vender o destino, não só o espaço do hotel, para experimentar a autenticidade do espaços e da comunidade. &Muitas vezes nas recuperações feitas, mantêm-se apenas a fachada e ao esvaziar o miolo, esvazia-se a alma&, referiu João Cepeda, director da Time Out Portugal e responsável por um novo projecto Time Out no Mercado da Ribeira. &A alma de Lisboa pode e deve ser mantida, através de uma regeneração de qualidade e diferente&. Por Rita Bernardo