Boeing obrigada a deixar 50 aviões em terra por causa de fissuras estruturais

Boeing obrigada a deixar 50 aviões em terra por causa de fissuras estruturais

Categoria Business, Transportes

O grupo aeronáutico Boeing admitiu esta quinta-feira que fissuras estruturais obrigaram a empresa a interromper o uso de até 50 aviões do modelo 737NG, após uma inspeção realizada a nível global. Um porta-voz da Boeing disse à AFP que quase 1.000 aviões já foram submetidos a uma inspeção e que em menos de 5% destes – o equivalente a 50 aeronaves – foram detetadas falhas. Os aviões não podem voar até que aconteçam os reparos correspondentes.

A companhia aérea australiana Qantas anunciou que um dos seus aviões Boeing 737 NG permaneceria em terra por uma fissura estrutural e que 32 aeronaves devem passar por uma inspeção. A Coreia do Sul informou que nove aviões ficaram fora de circulação, cinco deles pertencentes a Korean Air.

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos anunciou, no início do mês, que ordenou uma inspeção de vários Boeing 737 NG, o antecessor do 737 MAX, depois de detetadas “fissuras estruturais” numa aeronave na China. No início de outubro, a Boeing indicou que descobriu fissuras no “pickle fork”, um sistema de acoplamento que permite manter unidas as asas à fuselagem.

A imobilização das aeronaves junta-se a outros problemas de segurança da Boeing. Nos últimos meses, dois acidentes do modelo 737 MAX provocaram as mortes de 346 pessoas na Indonésia e Etiópia a deixaram evidentes as falhas no programa MCAS, que deveria impedir a queda do avião em caso de perda de velocidade. Os aviões 737 MAX não são utilizados há sete meses.

A FAA ordenou a inspeção dos 737NG que superaram 30.000 voos, mas a Qantas indicou esta quinta-feira que detetou fissuras em aviões com menos de 27.000 voos.

O anúncio da Qantas gerou o receio de fissuras em aviões mais novos, o que exige que toda a frota de 737 permaneça em terra. “Estas aeronaves deveriam permanecer imobilizadas por segurança até o fim das inspeções”, defendeu Steve Purvinas, representante do sindicato de engenheiros, em comunicado.

A Qantas considerou o pedido para não utilizar toda sua frota de 737 “totalmente irresponsável”. “Apenas utilizamos os aviões quando apresentam todas as garantias de segurança”, declarou Chris Snook, diretor de engenharia da Qantas. “A presença de uma fissura não compromete automaticamente a segurança do avião”, concluiu.