Boot Düsseldorf: Sea of Portugal considera que “o Turismo Náutico está numa fase avulsa”

Boot Düsseldorf: Sea of Portugal considera que “o Turismo Náutico está numa fase avulsa”

Categoria Agenda, Inside

Já arrancou a maior feira mundial dedicada ao segmento de turismo e desporto náuticos. A 50.ª edição da Boot Düsseldorf reúne mais de dois mil expositores, oriundos de 73 países.

Quem volta a marcar presença pelo 4.º ano consecutivo é a Sea of Portugal. A Ambitur.pt foi conhecer esta ação de promoção e internacionalização da náutica e dos desportos numa conversa com João Reis.

O responsável pela organização dos stands da marca Sea of Portugal explica que o objetivo é estabelecer a  “lógica entre a presença e a comunicação dos expositores na Sea of Portugal. Gerimos toda a parte de imagem e de montagem dos stands. Quando o expositor (marca) chega, já está tudo montado”, exemplifica.

João Reis considera que a Boot Düsseldorf é o principal eixo para captar e atrair mercados com potencial valor. O responsável recorda que o setor do turismo náutico esteve “estagnado durante alguns anos”. No entanto, no final do ano passado e por ação e iniciativa de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, “houve alterações ao regulamento da náutica de recreio que são percecionadas como muito positivas e esperamos que isso seja mais um fator de mobilização para a náutica em Portugal”.

“2020 vai ser o ano em que  impomos a lógica de Portugal”

A acrescentar à legislação aprovada, está a forma de como o turismo náutico afeta positivamente a economia. “Ninguém reparou no surf até ao momento em que ele faturou mais de 400 milhões de euros. O surf era uma atividade inexistente”, sublinha João Reis. O responsável acredita que, no que toca a este setor, “é preciso estabelecer-se um caminho. O turismo náutico pode ser uma nova segmentação como o golfe foi há uns anos para, mais uma vez, captar turistas”. Os efeitos, a longo prazo, podem repercutir-se “nos hotéis, nas estadias em serviços paralelos, como na rent-a-car, no alojamento ou até em soluções que nós temos conseguido aqui na BOOT, que não tem a ver com a náutica, como o birdwatching“, exemplifica.

No entanto, para João Reis, o turismo náutico ainda está numa “fase avulsa. Ainda não há uma estratégia quer a nível das empresas, quer a nível das entidades e ao nível estratégico para o turismo náutico”, não existindo uma “lógica da promoção em grandes eventos como a Boot na lógica da participação em grandes feiras onde isso pode ser potenciado e que não sejam só feiras de turismo”. Apesar de tudo, João Reis destaca o papel do Turismo de Portugal que “valoriza” este aspeto. “Tem estado atento e é por isso que este ano está a participar na Boot, assim como no ano passado.”

Em relação à presença nacional na Boot Düsseldorf, esta é cada vez maior. “A Sea of Portugal está em três pavilhões. No primeiro ano, tínhamos 90 metros quadrados e, este ano, estamos com 225 metros quadrados”, explica. Apesar do crescimento e das pessoas se terem “apercebido daquilo que nós estamos a fazer”,  ainda se notam algumas reticências na aposta na divulgação internacional.

“Estamos a falar de empresas e de Câmaras não muito grandes a tomar a decisão de investir uns milhares de euros para fazer esta promoção”. No entanto, “com o tempo, noto uma maior facilidade no contacto e um conhecimento prévio daquilo que temos vindo a fazer nos últimos quatro anos”. Uma evolução que João Reis quer ver consolidada já na próxima edição. “Acredito que, para nós, 2020 vai ser o ano em que, de uma vez por todas, impomos a lógica de Portugal na Boot Düsseldorf”, conclui.

Cristiana Macedo, na 50.ª edição da Boot Düsseldorf, na Alemanha, com apoio da Boot