21 anos depois do último congresso da Associação da Hotelaria de Portugal no Porto, Bernardo Trindade, presidente da AHP, abriu ontem, dia 11 de fevereiro, mais um congresso na Invicta, sublinhando que “a hotelaria é o grande hardware do setor do turismo”. É este o setor “onde há mais investimento na lógica da formação bruta de capital fixo”, acrescentou.
Bernardo Trindade começou por recordar que depois de mais um ano positivo no setor turístico nacional – perto dos 30 mil milhões de receitas turísticas e dos 82 milhões de dormidas – não há dúvidas de que “vamos crescer em termos da importância do turismo na economia portuguesa”. E frisou: “somos o parceiro fiável, aquele com quem, direta e indiretamente, o Governo pode sempre contar para pôr Portugal a crescer, neste caso, acima da média europeia”.
Embora admita satisfação com estes resultados, o presidente da AHP alertou para o facto de ainda subsistirem problemas que é necessário resolver, apontando para o facto de ainda hoje as pessoas culparem o alojamento local e os hotéis (“ainda que estejamos a falar apenas de 5% do total do alojamento”, disse) pela falta de habitação no país, ou de acusarem o turismo de gerar mais lixo nas cidades, quando na verdade muitos dos equipamentos para recolha, limpeza e varredura já são, em muitos municípios, pagos pela taxa turística. O dirigente associativo defende pois que se a frase “este equipamento foi pago pela taxa turística” for colocada num simples equipamento de higiene urbana, isso “mitiga, educa, muda a perceção” da pegada do turismo.
Referindo-se à cidade do Porto, Bernardo Trindade lembrou a expectativa dos hoteleiros de que o modelo de governação da taxa turística seja alterado, afirmando que a AHP e os associados querem participar nas decisões que envolvem a aplicação desta taxa. E AHP é também favorável à criação de um fundo de desenvolvimento turístico que envolva os empresários e que ajude a Câmara Municipal do Porto “a tomar boas decisões”.
Dirigindo-se à plateia de hoteleiros, Bernardo Trindade fez questão ainda de abordar o tema das infraestruturas pois “temos de encontrar respostas para aqueles que queiram visitar Portugal”. Caso contrário, defendeu, “temos de estudar a carga sobre as cidades” e os seus impactos: explicou pois que, quando a procura é constrangida pelo aeroporto, o facto de nascerem mais hotéis em zonas densamente povoadas significa ter as mesmas pessoas distribuídas por mais hotéis. Lembrou quem, de acordo com estudos de consultoras, em Lisboa, onde o aeroporto está saturado, preveem mais 45 hotéis até 2028; e no Porto, mais 35 novas unidades. “Os 17 milhões de passageiros no Francisco Sá Carneiro, não representando saturação, exigem que se olhe para a atual infraestrutura”, chamou a atenção.
Referindo-se à TAP, cuja privatização está em curso, o responsável afirmou ter estado já reunido com um dos três concorrentes e garantiu “o interesse estratégico e o potencial que percebem na TAP”, adiantando que “a questão da percentagem de capital não é um problema”.
No que toca à via verde do Governo para simplificar as autorizações de trabalho em Portugal, Bernardo Trindade foi perentório: “não é suficiente”. Consciente de que o turismo é uma atividade de mão-de-obra intensiva, o dirigente associativo pediu ao secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, para trabalharem em conjunto neste dossier, um tema que “tem de ser revisitado”.
Dirigindo-se ainda ao governante, o presidente da AHP chamou a atenção para se corrigirem “algumas deficiências que a aplicação prática da lei hoteleira revelou”. Sem exigir uma “revolução no sistema”, o responsável pede sim uma atualização dos termos de referência dos empreendimentos turísticos, acompanhando o mercado e a concorrência.
Por Inês Gromicho, no Porto.















































