Conselheiro Ambitur: “Estamos todos no mesmo barco, importa é gerirmos da melhor forma para sobreviver”

by Inês Gromicho | 16 Setembro 2020 10:58

Incerteza é a palavra de ordem da maioria dos Conselheiros Ambitur no atual momento. Desta vez, ouvimos José Theotónio, presidente da comissão executiva do Pestana Hotel Group, que responde às nossas questões sobre o que é possível começar a planear em termos turísticos.

O que os próximos meses poderão significar para o negócio turístico nacional e para as suas empresas?
A atual situação é de grande incerteza, com o cenário principal a variar quase diariamente. Por exemplo, o Algarve a partir de meados de setembro e até à Pascoa, depende essencialmente do turismo do golfe, que é maioritariamente britânico e Irlandês, e se sai do corredor sanitário Inglês depois de já estar fora do Irlandês e do Escocês, a época perde-se. Na Madeira, que tão bem tem gerido a pandemia, a recuperação turística depende também nos próximos seis meses de estar ou não dentro do corredor sanitário Britânico. O turismo de cidades europeias onde estamos presentes começa a recuperar mas de forma muito lenta e gradual, assente muito mais no turismo de lazer do que em outros segmentos. Assim, a incerteza domina.

Neste contexto, há capacidade de se começar a planear 2021?
Tem de haver, mas fá-lo-emos por cenários. De qualquer forma, no nosso Grupo, o cenário central é o mais pessimista. É para este que temos de estar preparados, e tudo o que vier por acréscimo ajudar-nos-á a ultrapassar, com menor dor e austeridade, esta crise que não tem precedentes.

Que cautelas se devem ter em conta na preparação das operações turísticas de 2021?
Hoje, numa economia de sobrevivência, o fundamental é defender a ”caixa”. Ter muito cuidado com os custos e as despesas. Depois, estar atento ao mercado para aproveitar as “janelas de oportunidade” que se abrem. Mas sobretudo, repito, muito cuidado com os custos porque o atual contexto de incerteza não nos permite saber quanto tempo demorará a crise atual. Por outro lado é importante “energizar” as equipas e os colaboradores, que também sentem o clima de incerteza que o setor vive, mas dos quais necessitamos para quando a crise passar voltarmos a ter empresas ativas, criativas e competitivas no mercado internacional. Não os podemos deixar cair em desânimo.

O estado financeiro das empresas será fundamental para o seu posicionamento futuro; será este um trunfo perante a concorrência?
Tudo faremos primeiro para sair da crise, da qual sairemos com toda a certeza, depois quando sairmos, que tenhamos tido o menor dano possível. Quando o fim da crise se der ou se começar a vislumbrar analisaremos se temos mais ou menos trunfos que a concorrência. Por agora, estamos todos no mesmo barco, importa é gerirmos da melhor forma para sobreviver.

Nota: A Ambitur conta, desde março de 2020, com um conjunto de Conselheiros que partilham connosco as suas visões sobre questões da atualidade no setor do Turismo. Os nossos Conselheiros Ambitur são, neste momento: Jorge Rebelo de Almeida (CEO da Vila Galé), José Theotónio ( presidente da comissão executiva do Pestana Hotel Group), Manuel Proença (presidente do Grupo Hoti Hotéis), Miguel Quintas (CEO do Consolidador.com), Frédéric Frère (CEO da Travelstore), Vítor Filipe (presidente da TQ Travel Quality e ex-presidente da APAVT), Raul Martins (presidente da AHP e do conselho de administração do Grupo Altis), Francisco Teixeira (CEO da Melair Cruzeiros), Luís Alves de Sousa (sócio gerente do Hotel Britania e ex-presidente da AHP), Bernardo Trindade (administrador do PortoBay Hotels & Resorts e ex-secretário de Estado do Turismo), José Lopes (diretor da easyJet em Portugal) e Eduardo Jesus (secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira). Em breve irão juntar-se a este painel mais um conjunto seleto de Conselheiros.

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