Conselheiro Ambitur: “Pensar no amanhã é ter no curto prazo uma gestão de guerra/sobrevivência”

Conselheiro Ambitur: “Pensar no amanhã é ter no curto prazo uma gestão de guerra/sobrevivência”

Categoria Alojamento, Business

A Ambitur.pt desafiou 10 responsáveis turísticos a darem-nos o seu contributo relativamente a três questões que influenciam, hoje, o dia-a-dia de um gestor.

José Theotónio, presidente da comissão executiva do Pestana Hotel Group, é o terceiro “Conselheiro Ambitur” a aderir ao nosso desafio.

De que forma pode uma crise tornar-se uma oportunidade?
Estamos numa fase em que ainda não sabemos quando e como sairemos desta crise e as suas consequências. Nesse sentido, é difícil responder à vossa questão, mas haverá com certeza oportunidades. Desde logo nos hábitos de trabalho. Muitos departamentos e áreas de atividade perceberam que no teletrabalho não há perda de produtividade e, por isso, este será muito mais utilizado no futuro, com poupanças significativas para as organizações e para as pessoas. Depois, perceber-se-á que uma empresa é essencialmente uma comunidade em que todos temos de ser solidários e em que os direitos e deveres das diferentes entidades têm de ser vistos de forma equitativa. Estou convencido que as empresas que comunicarem e tiverem uma atitude responsável perante os colaboradores reforçarão a sua atratividade para reter talento. Em termos pessoais valorizaremos mais alguns valores que estavam um pouco esquecidos e isso poder-nos-á tornar melhores enquanto pessoas.

Será possível, neste contexto, pensar-se o amanhã?
Pensar no amanhã é ter no curto prazo uma gestão de guerra/sobrevivência, numa gestão praticamente diária em que cada um tem de dar de acordo com as suas possibilidades. Quando pensamos no médio prazo, é continuar na medida do possível os projetos estruturais da organização e preparar a retoma da atividade que será gradual.

O que os gestores turísticos não devem esquecer?
Antes de mais, por ser gestor o bem maior para a sua empresa, o que envolve em primeiro lugar os seus colaboradores. Depois em termos de negócio. Que este setor é cíclico. Vínhamos do maior pico da atividade e caímos em poucos dias no maior fosso que o Turismo já teve desde que existe. Também não esquecer que o turismo é uma atividade/produto de que a maioria da população já não prescinde e que, na saída da crise, será das atividades com uma boa recuperação. E, finalmente, não esquecer os clientes, que hoje devem estar seguros, e por isso em casa, mas que não devem perder a esperança, porque todas as pandemias passaram, e que as marcas, como a nossa, na altura da retoma, os inspirarão e lhes proporcionarão, como no passado, oportunidades e experiências que lhe darão “the time of your life”.