Conselheiro Ambitur: “Temos de mostrar que o melhor destino do mundo está mais do que preparado para receber aqueles que nos querem visitar”

Conselheiro Ambitur: “Temos de mostrar que o melhor destino do mundo está mais do que preparado para receber aqueles que nos querem visitar”

Com o turismo a retomar lentamente Ambitur.pt deixa aqui a visão do nosso Conselheiro Raul Martins, presidente da AHP e presidente do conselho de administração do Grupo Altis.

Se as acessibilidades eram, há dois meses, apontadas como a pedra de toque da retoma da atividade turística, hoje, com ligações a começar a ser repostas, a questão coloca-se no consumidor?
As acessibilidades continuam a ser tema, mas grande parte das ligações já foram repostas. No entanto, o consumidor continua com o receio da transmissão do vírus. Um estudo americano indica que 45% dos americanos inquiridos só vão voltar a viajar para a Europa quando houver vacina e, apenas, 10% quando houver voos. A Hotelaria em Portugal está a fazer a sua parte, existe o Selo Clean & Safe que é uma poderosa ferramenta de comunicação e já abrange quase a totalidade das áreas do setor turístico, os aeroportos adotaram medidas apertadas de controlo. Mas o confinamento na periferia da Região de Lisboa inviabilizou que a retoma se iniciasse em julho.

Considera que se vive um tempo de imprevisibilidade?
Vivemos tempos de grande imprevisibilidade e de baixa procura e assim iremos continuar até que a confiança seja restabelecida e isso só acontecerá quando houver uma vacina. Enquanto não tivermos 50% dos turistas, não atingiremos o break-even. O que obrigará o governo a prolongar o lay-off simplificado para empresas com quebras de faturação superiores a 70%, por forma a manterem o emprego desde que sejam viáveis.

A imprevisibilidade perante o comportamento do consumidor passou a dominar o setor?
Sabemos que o consumidor não tem grande vontade de sair do país onde reside, mas há diversas condicionantes, como as restrições de outros países face a Portugal, sobretudo o Reino Unido. Para além das ligações para países fora da Europa, como os Estados Unidos e o Brasil, que afetam muito a procura.

O que é possível, em que vetores se pode atuar, para mitigar esta questão?
É preciso transmitir confiança ao consumidor, aí os tour operadores podem ter um papel importante; criar incentivos ao transporte aéreo, como fazem os nossos países concorrentes; e, ao mesmo tempo, criar uma campanha de comunicação lá fora para mostrar a real situação do país, nomeadamente no Algarve, Madeira e Porto, onde há bons índices de número de casos, e por outro lado, que atraia os turistas que possam chegar ao nosso país de carro.

O que os destinos nacionais podem fazer neste contexto?
Deve haver uma maior promoção dos destinos junto da imprensa internacional, trazer cá os jornalistas para que percebam o quão seguro é o nosso destino e assim promover as potencialidades de Portugal lá fora. Uma das propostas que apresentámos agora, a pedido da Câmara Municipal de Lisboa, foi exatamente a organização de fam trips, personalizadas e altamente qualificadas, para os jornalistas que vêm acompanhar a Champions League. Temos de mostrar que o melhor destino do mundo e o 3º mais seguro está mais do que preparado para receber aqueles que nos querem visitar.

Por outro lado, as regiões de turismo deverão criar vouchers turísticos à semelhança do que Itália já fez.