Cultura: O reencontro faz-se pelos vários palcos de Portugal

Cultura: O reencontro faz-se pelos vários palcos de Portugal

Festival das Marés

A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia. De um dia para o outro, toda a atividade cultural do país parou: exposições adiadas, espetáculos adiados e agentes culturais em dificuldades. Dois anos depois, 2022 é o ano do reencontro entre a cultura e os portugueses. Os artistas estão a regressar à estrada e os eventos parecem estar a voltar à agenda dos portugueses. De norte a sul do país, a cultura regressa ao ativo, com espetáculos, peças de teatro e os festivais de música e gastronomia. E porque está tudo a postos para receber todos os que querem criar memórias e viver experiências (até porque é disso que se trata!), a Ambitur selecionou os melhores eventos que vão acontecer no nosso país em 2022. Afinal, a “Vida acontece ao vivo!”.

Fusão de manifestações culturais

Nasceu em 2004 com a ideia de se criar em Loulé um “festival de música diferente e único”, que potencie a “promoção da cidade e do concelho” e que permita “qualificar e diversificar a oferta turística”. Em 2022, o festival MED comemora o 18.º aniversário, com uma edição que decorre de 30 de junho e 2 de julho. Carlos do Carmo, vereador da Câmara Municipal de Loulé e diretor do festival, sublinha que o MED nasce pela necessidade de promover e revitalizar a Zona Histórica de Loulé, numa perspetiva de “dinamização cultural e patrimonial” e de “divulgar as culturas do mundo”, em particular dos países da Bacia do Mediterrâneo, com ênfase na música. Mas não é só o “alinhamento musical” e os “melhores nomes da chamada indústria das músicas do mundo” que este festival traz para Portugal: é também uma “fusão de manifestações culturais” que vão desde “a gastronomia às artes plásticas, animação de rua, artesanato, dança, workshops e muito mais”, com um claro objetivo de “divulgar a interculturalidade e de promover a união dos povos e a tolerância”, destaca.

Carlos do Carmo, vereador da Câmara Municipal de Loulé e diretor do festival

A par da aposta na “qualidade artística” dentro da indústria das músicas do mundo, que deu ao MED o “reconhecimento do público e da crítica”, Carlos do Carmo destaca o compromisso com alguns valores inerentes à própria essência do evento, como o “reforço dos laços e união entre os povos, tendo como fio condutor a cultura” ou a promoção de “mensagens” como as questões ambientais ou a solidariedade: “São duas matérias que este ano ganham ainda uma maior relevância, não só pelo agravamento das alterações climáticas mas, naturalmente, pelo contexto de guerra na Ucrânia e a consequente crise humanitária, com milhões de refugiados a fugirem do conflito”. É neste contexto de “receio” que o responsável acredita que o Festival MED poderá dar um pequeno contributo para a harmonia entre os povos: “A música é, sem dúvida, uma “arma” para a paz”.

Tratando-se de um festival algarvio, o evento dá um contributo positivo para a região e para o país: “Dada a sua relevância para a economia do setor, foi incluído pelo Turismo de Portugal na plataforma Portuguese Music Festivals, restrita a 17 festivais”. Aliás, “mais de 30% dos visitantes são estrangeiros”, oriundos de diversos pontos da Europa, refere. Já o impacto na economia local, está refletido no “aumento considerável das taxas de ocupação, com várias unidades hoteleiras completamente esgotadas a meses do evento”. Mesmo com a pandemia a impedir a realização de grandes festivais, o MED realizou-se no ano passado num formato mais restrito com uma edição especial (interMEDio). Para este ano, apesar das muitas novidades, Carlos do Carmo não as pode revelar, pois o momento é de “contratação dos artistas” e de “delinear” os dias: “Em abril, iremos apresentar esta edição em Loulé, num momento onde serão anunciados os primeiros nomes e algumas novidades”. Contudo, há uma garantia: “Elevámos a fasquia, sobretudo no que respeita ao cartaz, e estamos certos que iremos surpreender o público”.

Tolerância, o diálogo entre culturas e o humanismo

Rosinda Pimenta, vice-presidente da Câmara Municipal de Mértola

Um festival que evoca hoje a herança cultural dos anos 70 do século XIX e afirma-se como um evento que celebra o Mediterrâneo e o diálogo intercultural, afirmando a mais-valia da cultura, enquanto setor determinante no processo de desenvolvimento sustentável de Mértola. É do Festival Islâmico de Mértola que se trata e, desde 2001, ocupa um lugar de destaque na agenda de quem procura a tolerância, o diálogo entre culturas e o humanismo. Entre os dias 19 a 22 de maio, o festival regressa com o souk (mercado de rua) no centro histórico de Mértola, os concertos, as oficinas e as conferências, adianta Rosinda Pimenta, vice-presidente da Câmara Municipal de Mértola, destacando ainda a prevista inauguração do espaço do Hammam & Casa de Chá de Mértola: “Um projeto que temos a certeza irá ser uma referência na oferta turística da região”.

Desde o início que o festival está comprometido com a salvaguarda do património e da herança cultural do território na sua relação histórica com as civilizações mediterrânicas, em particular, o mundo árabe: “É um festival que afirma a Cultura como um elemento essencial no desenvolvimento dos territórios, em particular, um território de interior, e muito baixa densidade, como Mértola”, destaca. A “originalidade”, a “qualidade cénica” e o “programa cultural” são três fatores que têm contribuído ao longo das várias edições para uma maior adesão do público: “Este crescimento tem gerado notoriedade para Mértola e para a região”. Além da visibilidade turística própria do evento, assistiu-se a um “verdadeiro efeito multiplicador de iniciativas que celebram a herança da cultura islâmica no Sul do país e iniciativas turísticas”, como é o caso da recente estruturação de uma oferta regional de turismo “muslim friendl”, a “capacitação dos agentes turísticos da região para a certificação Halal” ou no caso de Mértola o projeto do Hammam e Casa de Chá.

Este festival contribui ainda para o “aprofundar dos laços com os países, organizações e entidades académicas do mundo árabe”, em particular a região do Magrebe, permitindo “novos projetos e parcerias” em toda a região. Tratando-se de um evento que tem vindo a ser financiado, quase em exclusivo pelo Município de Mértola, Rosinda Pereira acredita que “um apoio mais robusto e próximo por parte de entidades ligadas ao turismo e à cultura” poderiam engrandecer o evento em si e o seu alcance: “É muito importante efetivar a possibilidade do Festival ser um evento catalisador da angariação de recursos para projetos de reabilitação e dinamização do património em presença”.

“Pensar grande e fazer a diferença”

Rock in Rio – Lisboa 2014 na Cidade do Rock em Lisboa, Portugal a 29 de Maio de 2014. 

O Parque da Bela Vista, em Lisboa, já está a fervilhar com o tão desejado Rock in Rio, que regressa à capital portuguesa nos dias 18, 19, 25 e 26 de junho. A primeira edição do Rock in Rio realizou-se em 1985, no Rio de Janeiro, e desde então, foram muitas as conquistas que tonaram o evento como um dos maiores do mundo. Em 2004, o festival expande-se para Lisboa. Desde a sua génese, o Rock in Rio já trazia a visão de transformar e gerar impacto positivo para a cidade e para o país: “Falamos de uma cidade (Rio de Janeiro) que não estava sequer na rota dos espetáculos e o Roberto Medina viu esta oportunidade de fazer da cultura e do entretenimento uma ferramenta para atrair turismo e, através disso, gerar receitas”, explica Ricardo Acto, vice-presidente de Operações do Rock in Rio Lisboa, destacando que o festival tem dado continuidade a essa visão, contribuindo para cimentar a cultura como um pilar cada vez mais relevante do Turismo.

Ricardo Acto

Seguindo o lema “pensar grande e fazer a diferença”, o Rock in Rio procura, em cada edição, deixar um impacto positivo – “social e económico” – para a comunidade envolvente, para a cidade e para o país: “Fazemo-lo ao criar emprego (direto e indireto), através dos projetos socio ambientais que desenvolvemos, e que têm sempre em conta os três eixos da sustentabilidade (social, económico e ambiental), através da mobilização de turismo (de outras regiões do país e de fora de Portugal), através da nossa comunicação que dá voz a temas da sociedade e, este ano, reforçámos ainda mais este compromisso ao lançarmos metas de sustentabilidade para 2030”. É precisamente no compromisso com o futuro que o festival se centra: “O Roberto sempre teve essa visão de deixar um legado para as gerações vindouras, de mostrar que é possível juntar milhões de pessoas com diferentes credos, raças e visões num mesmo lugar de forma harmoniosa, tendo a música como linguagem universal entre si”.

É com base nessa premissa que, ao longo dos anos, têm-se implementado várias iniciativas do foro social e ambiental: “Este ano, fomos ainda mais longe e submetemo-nos a uma avaliação de ESG, realizada pela Delloitte, para perceber o nosso nível de maturidade nestas frentes e podermos melhorar ainda mais”. De entre as várias medidas, destaque para o compromisso com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), o facto de se tratar de um festival “lixo zero” – 0% de lixo em aterro – e o desígnio de “reduzir os resíduos” e aumentar a reciclagem: “Envolvemos todos os nossos stakeholders nestas políticas de sustentabilidade e somos certificados pela norma ISO 20121 eventos sustentáveis”. O combate ao “desperdício alimentar” e a “promoção de uma alimentação saudável e sustentável” fazem também parte dos compromissos do festival.

Tratando-se de um evento global, o Rock in Rio tem um modelo de negócio que permite afirmar-se como um evento que investe na qualidade de toda a sua infraestrutura: “Isto tem impacto na diversidade do público que atrai, seja em idades, género, nacionalidade, poder de compra, mostrando que os festivais não têm que ser apenas para jovens”. Estes são fatores que impactam não apenas o turismo, mas também no desenvolvimento da própria indústria da música: “Portugal passou de poucos festivais tradicionais a mais de 280 por todo o país”, exemplifica. Acresce o impacto na “promoção” e no “posicionamento” do país a nível internacional, onde se dá a conhecer os “Portuguese Summer Festivals”, alimentando não só o turismo, mas também toda cadeia produtiva, dos festivais e todo o mercado da música: “Se juntarmos ao esforço dos promotores uma campanha forte internacional, encabeçada por entidades governamentais, que promova esta agenda contínua de eventos no país e as suas características, potenciaríamos ainda mais este impacto”, destaca.

Olhando para o impacto na cidade de Lisboa, o Rock in Rio ajudou a “transformar e construir a imagem e reputação de Portugal no Brasil”, que antes era tido como um país pequeno e “do passado” passando a um “país moderno e lugar de eleição para viver e passear”, sustenta. Com um cartaz transversal, o festival já conta com grandes nomes da música a nível internacional e nacional e com muitos palcos carregados de boa energia. Pensando numa “estratégia 360º”, o festival está dotado de “propostas de entretenimento” que façam a diferença e que atraiam pessoas a Lisboa: “Se, num fim-de-semana na cidade, juntarmos a ida ao Rock in Rio com os restaurantes que Lisboa oferece, os hotéis, passeios à beira-rio e visita a museus e monumentos, é uma proposta irresistível”, afirma.

O festival que faz “brilhar o chocolate”

Ricardo Duque

Teve a sua primeira edição em 2002 e afirma-se como um festival gastronómico centrado no ingrediente mais guloso. O Festival Internacional do Chocolate de Óbidos celebrou o 20.º aniversário e decorreu de 25 a 27 de março e de 1 a 3 de abril, na vila de Óbidos: “Trata-se de um modelo diferente de apresentação do festival integrado pelas ruas do burgo, o que lhe confere um cariz mais imersivo de experiência em evento”, começa por revelar Ricardo Duque, presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal Óbidos Criativa, acrescentando que a programação assentou na diversidade, entre moda, teatro, cinema e música, com diferentes pontos de atração pela vila onde o chocolate impera”. A edição deste ano contou aindarcom três pontos de fabrico de chocolate, num dos quais os visitantes puderam participar, além de outras experiências, como as “esculturas em chocolate”, os “expositores ao longo da vila”, um “palco de showcooking com chefes de diferentes quadrantes e premiados com estrelas Michelin” e as “melhores marcas de chocolate profissional para conhecer”, destaca o responsável.

Com o compromisso de dar a conhecer todas as potencialidades do ingrediente que dele faz nome, o festival que faz “brilhar o chocolate” procura percorrer a sua matriz, tendo consigo os produtores, distribuidores e comerciantes: “É um festival bastante eclético, mostrando as diversas facetas possíveis com este produto e a sua versatilidade, não descurando a preocupação cada vez maior que existe com a sustentabilidade desta área”.

Num ano que se espera de “retoma”, há um elemento-chave que desde sempre acompanha o festival e que foi um trunfo nesta edição: “Ter as melhores marcas produtoras, os melhores elementos de arte em chocolate, os melhores chefs chocolateiros que nos acompanham sempre”.

Tratando-se de um evento com uma grande expressão a nível nacional e internacional, o investimento económico é aquele que mais se evidencia: “O desenvolvimento urbano da região tem vindo a notar-se dada a notoriedade que os eventos têm proporcionado, não apenas como espaço turístico mas também como zona indicada para habitação permanente, seja como primeira habitação ou como zona preferencial para gozo de reforma”.

Tal como indica Ricardo Duque, toda a região tem beneficiado da estruturação de serviços e mais-valias que se têm desenvolvido para fazer face às necessidades de bem receber o público, permitindo a quem decide aqui viver ter inúmeras comodidades disponíveis. Deste modo, também o setor económico é beneficiado pela sua “capacitação estrutural” que permite que as empresas operem a partir de uma zona central no país para qualquer parte do território nacional ou internacional com “melhores acessos e maior competitividade”, acrescenta. Ao unir a região em torno de um “mesmo objetivo”, será possível capacitar a receção de públicos ecléticos, destaca o responsável, acrescentando que o festival está recetivo a “parcerias intramunicípios”, de modo a potenciar a oferta que a região possui. “‘Juntos somos mais fortes’ não é apenas um chavão ou um clichê, é uma realidade para este território que une o que de melhor há no país: sol, mar, vinha, cultura, património e história”., frisa.

O “equilíbrio” entre as propostas cinematográficas

Manuel de Oliveira aquando da sua homenagem dos 100 anos e os diretores do Festival, Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky.

Reconhecido por “Fantasporto”, o Festival Internacional de Cinema do Porto regressou ao Teatro Rivoli de 1 a 10 de abril. Esta foi a 42.ª edição do festival generalista que possui um segmento de “Cinema Fantástico” (não quer dizer horror, mas imaginário), de entre quatro secções competitivas, com diversas valências: “O festival tem o propósito de exibir e promover filmes de qualidade, tanto a nível estético como temático, e que procurem novas visões e estilos renovados de cinema”, refere Mário Dorminsky, diretor do Festival Internacional de Cinema Fantástico, que dá como exemplo os “filmes inéditos em Portugal e sempre o mais recentes possível, vindos de todos os cantos do mundo e que não tenham sido comprados para o circuito comercial”. Assim, “antestreias mundiais e europeias compõem uma alta percentagem da sua programação”, destaca.

Quentin Tarantino

Desde a 2ª edição, em 1982, que o festival faz parte da agenda Nacional e Internacional, ocupando o 30º lugar do ranking mundial pela revista norte-americana Variety. Em Portugal, é considerado o maior festival de cinema do país: “Isto deve-se em muito à macro divulgação que possui nos media e no público que vem desde a Galiza ao Algarve: “Recebemos 200 a 300 convidados, desde jornalistas, realizadores, atores, técnicos dos filmes apresentados até aos distribuidores e produtores de todo o mundo”. Dentro do festival, decorre o “Mercado do Filme” que conta com a presença de um número significativo de produtoras, refere. Apesar do potencial que o festival já leva à cidade e ao país, Mário Dorminsky acredita que uma “simples campanha de publicidade feita nas revistas das companhias de aviação” e uma “melhor capacidade financeira” para se conseguir levar grandes nomes ao cinema do Porto seriam apostas certeiras: “Cerca de 20 dos nossos convidados até ao momento foram vencedores de Óscares e, se consideramos personalidades nomeadas os maiores prémios de cinema do mundo, poderemos alargar esse número a mais de 50”. Na programação destaque para o “equilíbrio” entre as propostas vindas, por um lado, da Europa e dos Estados Unidos e, por outro lado, da Ásia: “2022 será um Fantasporto marcado como o ano da tecnologia e da imaginação mais delirante. Nem sempre em tom de comédia, nem sempre em imagem real”. A ficção científica, o entretenimento (comédias), os clássicos, as grandes histórias de amor e o cinema português fazem parte da programação do festival que promete ser memorável para todos os amantes de cinema.

Espetáculo piromusical que não deixa ninguém indiferente

A tradição mantém-se e os sábados do mês de junho estão reservados para o Festival Atlântico que marca o início da época de verão na Madeira e, simultaneamente, contribui para o enriquecimento do calendário anual da Secretaria Regional de Turismo e Cultura. Os dias 4, 11, 18 e 25 marcam assim o regresso do festival que já acontece desde 2002 e que se caracteriza por “apresentações piromusicais” da responsabilidade de vários países que concorrem para a eleição da melhor atuação no final de cada edição, explica a secretaria Regional de Turismo e Cultura, destacando que “existe sempre um potencial da integração de novas iniciativas que possam complementar o evento dado o tema do Atlântico que permite a agregação de uma diversidade de ações ligadas ao mar, a espaços icónicos que a Região possui, indo de encontro a diferentes públicos”.

Tal como em todos os eventos que a Direção Regional do Turismo organiza e concretiza, os compromissos deste festival assentam na constante busca pela “inovação e criatividade”, o “rigor e a qualidade”. A edição de 2022 promete seguir o “figurino das edições anteriores”, com fogo-de-artifício e momentos musicais, que se interligam num espetáculo piromusical que não deixa ninguém indiferente. Neste recomeço, há ainda o objetivo de se integrar “novas valias e iniciativas” que possam complementar e enriquecer o evento que se desenvolve ao longo do mês de junho, destaca a Secretaria Regional de Turismo e Cultura.

O “spirrit da mar” dos Açores

“Trazer aos açorianos a música do mundo” é o grande objetivo do Festival das Marés que, devido à “insularidade”, seria algo difícil de se presenciar. “É o festival mais antigo do país em continuidade, sendo que a primeira edição ocorreu em 1985”, começa por afirmar Eduardo Arruda, presidente da direção da associação do Maré de Agosto, destacando que a 38ª edição vai decorrer nos dias 19, 20 e 21 de agosto. Com o compromisso de apresentar uma “diversidade musical, de culturas e origens diferentes”, o festival prima por apresentar “boas surpresas desconhecidas” para a generalidade do público: “A escolha do cartaz leva a que o público venha ao festival num espírito de descoberta e confraternização”. O Festival, nos Açores, já é reconhecido por “spirrit da maré”, devido a esta aposta na diferenciação, acrescenta.

Eduardo Arruda

Ao longo de 37 anos foram mais de 400 espetáculos com mais de dois músicos que passaram pelo palco e levam o nome da ilha de São Miguel e, consequentemente, da região pelo mundo: “A forma como são recebidos e tratados faz com levem, no regresso uma especial atenção e carinho pela nossa forma de viver e trabalhar, tudo isto numas ilhas paradisíacas no meio do Atlântico”. A forma de potenciar mais o festival assenta na “luta” contra a insularidade: “A nossa localização geográfica é a maior dificuldade para o desenvolvimento da região. E isto reflete-se na movimentação do público e artistas, pelo que as acessibilidades e o seu melhoramento será a melhor forma de potenciar o festival”.

A grande novidade é o “voltar à normalidade” dos concertos na Praia Formosa: “Dois anos após uma edição completamente online e um ano após uma edição também muito diferente da habitual, com exposições, escultura, pintura e música, a sensação de voltar a pisar o terreno do festival será mais do que satisfatória para o público”. O Festival das Marés é um dos “marcos culturais da região no mês de Agosto”, pelo que o regresso ao formato habitual, presenteando o público com música de diferentes origens e culturas, só “enriquecerá culturalmente quem cá vive e nos visita”, afirma.

As sugestões do Chef …

Desafiámos o Chef Rúben Silva, vencedor do MasterChef Portugal 2019, a sugerir uma ementa específica para cada um dos festivais.

  • Festival Med, Loulé (Algarve) – Para os dias quentes do Algarve, um Arjamolho: sopa fria de tomate, alho, pão torrado, azeite e vinagre
  • Festival Islâmico de Mértola (Alentejo) – Pela influência das especiarias, um Pão árabe recheado com bochecha de porco preto com “Ras el hanout”
  • Rock in Rio Lisboa – Choco frito com maionese da sua tinta
  • Festival Internacional de Cinema do Porto – Na “Invicta”, uma sande de pernil assado a baixa temperatura
  • Festival Internacional do Chocolate de Óbidos (Centro) – Em Óbidos, umas enguias bem fritas para petiscar como se fossem batatas fritas com uma maionese de coentros
  • Festival das Marés (Açores) – Uns filetes de peixe porco em bolo lêvedo super crocantes com uma maionese de açaflor
  • Festival Atlântico (Madeira) – Um delicioso bife de atum em cebolada avinagrada e em bolo do caco torrado

As sugestões dos enólogos …

Ricardo Macedo

Carlos Alves

Desafiámos Ricardo Macedo, enólogo de vinhos tranquilos da Sogevinus, e Carlos Alves, responsável pela enologia de Vinhos do Porto da Sogevinus, a sugerirem vinhos para cada um dos festivais.

  • Festival Med, Loulé (Algarve)
    Cálem Rosé, por celebrar os mais felizes fins de tarde de verão.
  • Festival Islâmico de Mértola (Alentejo)
    Para tardes de música, amizade e mergulhos no mar da costa vicentina, sugerimos um São Luiz branco 2021.
  • Rock in Rio Lisboa
    KOPKE COLHEITA 1985 TAWNY, data do primeiro Rock in Rio.
  • Festival Internacional de Cinema do Porto
    Curva Reserva Tinto, por ser uma referência mais rock n´roll.
  • Festival Internacional do Chocolate de Óbidos (Centro)
    Para harmonizar com chocolate, propomos um Vinho do Porto, um Cálem LBV 2016.
  • Festival das Marés (Açores)
    Terra de pescadores, marinheiros e aventureiros, acostumados a encontrar doses extra de coragem em copos de Gin tónico. Aconselhamos a companhia de um bom Porto Tónico, com um Burmester White.
  • Festival Atlântico (Madeira)
    Para um festival de verão em plena pérola do Atlântico, sugerimos um vinho repleto de frescura: São Luiz Winemaker’s Collection Grande Reserva Branco – Folgazão & Rabigato 2017

As sugestões de um Agente…

João Luís Moita

Desafiámos João Luis Moita, CEO da CITUR, Destination Management Company, a sugerir pontos de visita obrigatórios para cada um dos festivais.

  • Festival Med, Loulé (Algarve)
    Para além do Centro histórico de Loulé, onde decorre o Festival:
  1. Uma ida a Serra de Monchique, incluindo a Foia (ponto mais alto do Algarve, de onde se podem desfrutar vistas fantásticas)
  2. Visita de Faro e o seu centro histórico, as suas ruelas, a Catedral e a sua vista magnífica sobre a Ria Formosa
  3. Uma ida até à Marina de Vilamoura. Sugestão fazer um cruzeiro de +/- 2h30m pela Costa até ao Algar de Benagil
  • Festival Islâmico de Mértola (Alentejo)
  1. Parque Natural do Vale do Guadiana, visitando a Cascata do Pulo do Lobo
  2. Centro Histórico de Mértola, O seu Castelo, o Museu de Arte Islâmica, Convento de S. Francisco
  3. Uma ida até à Mina de S. Domingos e a sua praia Fluvial.
  • Rock in Rio lisboa
  1. Visita dos Bairros Históricos, utilizando o elétrico 28, o ascensor da Bica, o Elevador da Glória
  2. Uma ida até à LX Factor
  3. Visita de Belém, incluindo a Torre, o Mosteiro dos Jerónimos e os famosos Pastéis de Belém
  • Festival Internacional do Chocolate de Óbidos (Centro)
  1. Centro da Vila, a Rua Direita, degustar uma Ginjinha de Óbidos, visita do Castelo
  2. Um passeio pelas centenárias muralhas da vila
  3. Uma ida à Lagoa de Óbidos e à Foz do Arelho
  • Festival Internacional de Cinema do Porto
  1. Visita ao Centro Histórico, Av. Dos Aliados, Estação de S. Bento, Rua de Santa Catarina, Sé do Porto e Torre dos Clérigos
  2. Ribeira do Porto, atravessando a Ponte D. Luís para Gaia, Serra do Pilar e as Caves de Vinho do Porto
  3. Visita da zona da Foz, Passeio Alegre e Forte S. João Baptista
  • Festival das Marés (Açores)
  1. Passear por Ponta Delgada, não deixando de passar pelas Portas da Cidade, Igreja de S. Sebastião e o Convento de Nossa Sra. Da Esperança
  2. Uma ida a Caldeira das Sete Cidades, visitando o Miradouro da Vista do Rei e a Povoação.
  3. Visitar o Parque Terra Nostra e o Vale das Furnas. Não esquecendo a Piscina Termal e o celebre Cozido das Furnas
  • Festival Atlântico (Madeira)
  1.  Apanhar o teleférico, visitar o Jardim Tropical Monte Palace, a Igeja Senhora do Monte.
  2. Efetuar a descida nos carros de Cesto do Monte, seguindo até ao Centro Histórico do Funchal, onde poderemos visitar entre outras coisas o Forte de S. Tiago e o Museu CR7.
  3. Uma ida a Camara de Lobos (não falhar as celebres ponchas), ao Cabo Girão e à Fajã dos Padres

As sugestões de um operador…

Duarte Correia

Desafiámos Duarte Correia, administrador da W2M de Portugal, operador turístico a sugerir alojamento para cada um dos festivais.

Festival MED (Algarve)

  • Regency Salgados Hotel & Spa
  • NAU Salgados Palace
  • Quinta do Vale do Formoso

Festival Islâmico de Mértola (Alentejo)

  • Nau Lago Montargil
  • Convento do Espinheiro
  • Vila Galé Évora

Rock in Rio Lisboa (Lisboa)

  • Iberostar Selection Lisboa
  • Lisbon Marriott Hotel
  • Pestana Lisboa Vintage

Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto (Porto)

  • YOTEL Porto
  • Villa Foz Hotel & Spa
  • Hotel do Teatro

Festival Internacional do Chocolate de Óbidos (Centro)

  • Vila Pedra Natural Houses
  • H2otel Congress & Medical Spa
  • Royal Óbidos Evolutee Hotel

Festival das Marés (Açores)

  • Azor Hotel
  • Grand Hotel Açores Atlântico
  • Canadian Urban Nature Hotel

Festival Atlântico (Madeira)

  • Madeira Regency Cliff
  • Allegro Madeira
  • Pestana Promenade
Cristiana Macedo. Este artigo foi publicado na edição 338 da Ambitur.