Cushman & Wakefield: Rooftops de Lisboa destacam-se à escala europeia

by Cristiana Macedo | 12 Dezembro 2018 12:32

A Cushman & Wakefield lançou recentemente o estudo Rooftops of EMEA que analisa o recente desenvolvimento deste conceito imobiliário. Os terraços lisboetas destacam-se nesta publicação que seleciona 20 projetos diferenciadores na Europa. Pelo seu conceito inovador e claro sucesso são referidos o Rio Maravilha, no LX Factory, e o Park, no Chiado, como excelentes exemplos deste formato em franco crescimento na Europa.

O relatório afirma que, num mundo que será cada vez mais pautado pela experiência, o futuro do imobiliário passará pela sua capacidade de criar uma ligação emocional dos indivíduos aos espaços físicos, através de conceitos inovadores, icónicos e memoráveis. Neste sentido os rooftops surgem com uma força renovada, pelo seu caracter diferenciador e marcante.

O potencial das coberturas dos edifícios está ainda numa fase de descoberta por parte dos proprietários imobiliários na Europa. Segundo o estudo, nos Estados Unidos e na Ásia este conceito encontra-se mais desenvolvido. O relatório defende que o conceito de rooftops funciona, em teoria, em praticamente todos os edifícios, independentemente do seu uso principal, e apresenta-se como uma fonte de receita adicional e, em muitos casos, como potenciador do uso maioritário do imóvel.

Este conceito é definido tendo por base projetos existentes e bem-sucedidos, desafiando determinados princípios antes assumidos como inquestionáveis. Os rooftops não precisam de se localizar no ponto físico mais elevado do imóvel, nem têm necessariamente que estar a grandes alturas, ou gozar de vistas icónicas. A localização não tem obrigatoriamente que ser central na cidade, existindo já vários exemplos em zonas suburbanas. Como atributos chave comuns definem-se: um mínimo de dois pisos acima do solo; alguma vista, não necessariamente panorâmica ou icónica; localização com elevada densidade populacional; operador inovador; conceito com algum caracter único; e forte estratégia de marketing digital, particularmente ativa nas redes sociais.

A geração de rooftops apresentada no estudo da Cushman & Wakefield distingue-se por uma maior diversificação, identificando-se 3 categorias possíveis:

Em Portugal o conceito ganhou recentemente particular destaque, com a abertura de variados espaços tanto em Lisboa como no Porto. Os já mencionados Rio Maravilha e Park, são destacados no relatório por se localizarem em edifícios particulares, o primeiro num edifício industrial obsoleto adaptado para escritórios, e o segundo na cobertura de um silo de estacionamento. Estes dois conceitos desafiam algumas das convicções dos atuais operadores, nomeadamente no que refere à sinalética (inexistente em ambos os casos) e aos acessos (nos dois casos com reduzida aposta em design); sendo ainda assim um exemplo de sucesso.

A cidade de Lisboa é a que concentra a maioria dos rooftops identificados no âmbito do estudo, a quase totalidade são bares e restaurantes, representando os restaurantes 41% dos projetos. Os espaços instalados no topo de hotéis têm uma grande representatividade, 54% dos projetos.

No Porto o peso dos espaços inseridos em hotéis é superior, 64%, sendo menos representativos os restaurantes, 36%. O BASE é um bom exemplos deste tipo de espaços na cidade do Porto, ainda que fuja à definição estrita de rooftop, pois sendo uma cobertura de um edifício (a galeria comercial Passeio dos Clérigos) é também acessível diretamente pela Rua Dr. Ferreira da Silva. Este espaço encaixa em termos de conceito de exploração na definição dos rooftops de última geração, sendo o jardim e a vista para a Torre dos Clérigos o seu aspeto diferenciador. Um bom exemplo de rooftop inserido em projeto hoteleiro é o terraço do Yeatman, Hotel de 5 estrelas em Vila Nova de Gaia, também vocacionado para a organização de eventos.

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