CWT e GBTA: Preços dos hotéis e das viagens aéreas e terrestres vão aumentar

by Inês Gromicho | 24 Novembro 2021 15:15

Os preços globais das viagens aéreas e terrestres, e dos hotéis, deverão aumentar nos próximos dois anos, sobretudo devido ao aumento da procura, às restrições de capacidade e às exigências de sustentabilidade por parte dos viajantes, além dos crescentes custos laborais e de combustível, diz a 7ª edição da “Global Business Anual Travel Forecast”, publicado pela CWT Meetings & Events e pela Global Business Travel Association (GBTA).

“A recuperação das viagens de negócios está encaminhada, e é fantástico ver as pessoas a voltarem a conectar-se, com o mundo a voltar a um ritmo de vida mais tradicional”, afirma Michelle McKinney Frymire, daCWT. “Embora o melhor cenário para 2022 seja de uma maior recuperação do turismo de negócios em todas as ´´areas, nem todos os mercados ou categorias vão recuperar ao mesmo ritmo, por isso os gestores de viagens corporativas precisam de saber o que esperar ao olharmos para o próximo ano”, acrescentou.

Influências macroeconómicas

A economia global deverá crescer 5,9% em 2021, e 4,9% em 2022, o que significa crescimento para as viagens de negócios. Contudo, diz o estudo, persistem algumas incertezas que podem influenciar a perspetiva macroeconómica e a economia global do turismo.

As forças macroeconómicas, as políticas governamentais e os protocolos Covid vão continuar a ter um impacto sobre os preços, mais do que nunca. Tal como aconteceu com anteriores interrupções, muitos viajantes não vão regressar de imediato, e o viajante corporativo poderá deparar-se numa concorrência de preços com o viajante de lazer – que está a liderar a recuperação e disposto a pagar preços mais elevados em destinos e itinerários urbanos.

Mesmo com desafios macroeconómicos, as expectativas de crescimento económico global em 2022 e 2023 vão ajudar a acelerar a recuperação do turismo de negócios. Fatores como a retoma da procura, as limitações de capacidade e custos de combustível e laborais crescentes vão conduzir a preços mais elevados nas viagens aéreas e terrestres e nos hotéis. Apesar destes aumentos esperados, o preço das viagens de negócios, à exceção do transporte terrestre, não deverá ultrapassar os níveis de 2019 nos próximos dois anos.

Viagens aéreas

Depois de aumentarem 2,6% em 2019, os preços das viagens aéreas caíram 3,1% em 2020 e mais 31% para os viajantes de negócios, liderados por um declínio de 38% na premium class, seguido por uma descida de quase 19% na classe económica em 2021. Contudo, os bilhetes de avião deverão subir 3,3% em 2022, e 3,4% em 2023.

A capacidade das companhias aéreas continua restringida e não deverá voltar aos níveis pré-pandémicos até 2023 ou 2024. Consequentemente, os viajantes corporativos estão a competir por capacidade limitada com viajantes de lazer. Isto continuará a exercer pressão sobre os preços das viagens aéreas em 2022, já que avançam em uníssono com a procura. Se a procura aumentar mais depressa do que a capacidade, os aumentos dos preços poderão superar as estimativas.

Os preços premium deverão começar a retomar em 2023 quando a procura normalizar, enquanto que os preços da classe económica, especialmente nas rotas domésticas, continuarão a beneficiar de fortes ganhos no tráfego de lazer em 2022.

Os destinos de lazer domésticos vão continuar a liderar a recuperação em 2022 e, enquanto os centros urbanos com forte tráfego a nível corporativo poderão demorar mais tempo a recuperar, os maiores níveis de vacinação devem reforçar a confiança do viajante de negócios.

Preços de combustível mais elevados aumentam os custos operacionais e vão continuar a pressionar para cima os preços dos bilhetes de avião enquanto as companhias aéreas procuram melhorar os resultados a nível de rentabilidade.

Hotelaria

Depois de subirem 3,5% em 2019, os preços dos hotéis caíram 8,3% em 2020 e mais 17,7% em 2021, com as tarifas do terceiro trimestre deste ano a estarem 25% abaixo dos níveis de 2019.

Embora os preços dos hotéis devam subir 13% globalmente em 2022, seguindo-se mais 10% em 2023, levará algum tempo para regressar aos níveis de 2019 em muitos mercados. À medida que as fronteiras reabrem para viagens não essenciais, as taxas de ocupação vão crescendo, pressionando para cima os preços, e 2022 assistirá a esta tendência.

Os hotéis de luxo terão taxas de ocupação mais elevadas e tarifas mais altas, com o viajante de negócios a ganhar confiança. Contudo, com custos operacionais e laborais mais elevados, e prováveis disrupções nas cadeias de abastecimento, o regresso aos níveis de 2019 poderá flutuar até que estes fatores se tornem mais consistentes.

As reuniões e eventos corporativos também vão ajudar no preço do hotel, e a CWT Meetings & Events estima que a maior parte das reservas imediatas para reuniões se verifique a nível regional e seja de pequena dimensão. Os encontros virtuais e híbridos foram fundamentais em 2021, e a dimensão global de encontros presenciais caiu de uma média de 42 participantes por encontro em 2019 e 2020, para uma média de 24 participantes em 2021.

Muitas organizações parecem estar a optar por eventos regionais mais pequenos mas se as restrições forem levantadas, e a procura reprimida levar a que mais pessoas viajem em negócios, isso poderá mudar em 2022. A procura de eventos e reuniões aumentou 53% para o primeiro semestre de 2022 face a 2021.

Transporte terrestre

Os preços dos carros alugados em 2020 caíram 2% e recuperaram 1,2% em 2021, e deverão aumentar 3,9% em 2022, e mais 3% em 2023.

A oferta limitada de novos veículos, juntamente com um aumento da procura nas rent-a-cars, irá conduzir ao aumento de preços a curto e médio prazo.

As empresas de rent-a-car procuram atualizar as suas frotas mas com uma escassez no mercado de carros usados e problemas com o fabrico de automóveis devido a faltas de chips semicondutores, as frotas não deverão ser totalmente renovadas até 2023.

A oferta de veículos elétricos também vai ser essencial nos próximos três anos, diz o estudo, com a sustentabilidade a ser uma prioridade para patrões e funcionários. Algumas empresas já estão a tentar eletrificar as suas frotas, criando as suas próprias infraestruturas de carregamento, e a adicionando a reserva de veículos híbridos e elétricos aos serviços de transferes e limusines.

Os viajantes preocupados com o ambiente também poderão cada vez mais preferir viajar de comboio em vez de carro (e voos curtos). França já deu um passo para proibir voos domésticos em rotas que possam realizar-se de comboio num período de duas horas e meia, e os viajantes de negócios estão a ficar cada vez mais conscientes da duração da sua viagem – além da capacidade de trabalhar num comboio que, obviamente, não é possível ao alugar um carro.

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