De norte a sul do país… Quais as Rotas que o levam a descobrir Portugal?

De norte a sul do país… Quais as Rotas que o levam a descobrir Portugal?

Portugal é um país de contrastes e de caminhos que nos levam a descobrir diferentes regiões, desvendar a sua História e Património, a sua Cultura e Natureza, o melhor da sua Gastronomia e Vinhos. Há uma Estrada que o atravessa de Norte a Sul, pelo interior, trilhos em plena serra Algarvia, percursos para descobrir a geologia de uma das montanhas mais altas e outros que nos conduzem a emblemáticos monumentos. São cerca de 50 as Redes Colaborativas espalhadas por todo o país que desenham o mapa turístico do território, algumas com produtos turísticos já bem desenvolvidos. A Ambitur traçou um percurso, de entre muitos possíveis, e revela-lhe alguns dos trilhos que tornam o nosso país ainda mais genuíno.

Livraria do Mondego, Penacova

Estrada Nacional 2, “a forma mais genuína de conhecer o País”
Há uma estrada que liga Portugal de Norte a Sul, de Chaves a Faro, pelo interior e que, por isso, é considerada “a forma mais genuína de conhecer o nosso país”. A Estrada Nacional 2 é a maior da Europa e a terceira maior do Mundo, a seguir à Route 66, nos EUA, e da Ruta 40, na Argentina. Vamos conhecê-la.

A EN2 “percorre-se, vive-se, saboreia-se e entranha-se”, confia o presidente da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (AMREN2), Luís Reguengo Machado. Na sua opinião, percorrer a maior estrada do país é “a forma mais genuína” de o conhecer.

É uma “estrada única na Europa” e não apenas pela sua extensão (739,260 Km), atravessando 35 municípios, 11 rios e nove serras, mas sobretudo porque “atravessa um país, a sua cultura, património” permitindo “conhecer as suas gentes, culturas, saberes e sabores”. Além disso, a “maneira como a percorremos pode ser igualmente diversificada, desde moto, carro, a pé ou de bicicleta”.

Luís Reguengo Machado, presidente AMREN2.

O “quilómetro zero” da mítica Estrada fica na rotunda do jardim público de Chaves e existem cinco principais troços, divididos entre si: Santa Marta de Penaguião – Peso da Régua (A24), Góis (N342) – Portela do Vento (N112), Sertã (IC8) – Abrantes (IP6), Ervidel (N18) – Aljustrel (N263) e Castro Verde – Faro.

O responsável da AMREN2 adianta que “deve-se visitar tudo”, num roteiro de cinco dias, envolvendo desde o Turismo de Natureza e Aventura, ao Cultural e Religioso, de Saúde e à Gastronomia e Enologia. A EN2 conta já com um Guia oficial e os viajantes podem obter o seu passaporte, disponível nos Postos de Turismo ao longo do percurso, e “carimbar” esta experiência única.

A Estrada Nacional 2 surge no Plano Rodoviário Nacional em 1945, com o objetivo de “unir Portugal de cima a baixo, atravessando o seu interior” em oposição à Estrada Nacional 1 (EN1) que liga Lisboa ao Porto pelo litoral. A AMREN2, por sua vez, é criada em 2016 para “promover os territórios atravessados pela mítica estrada”.

Mais informações: http://www.rotan2.pt/ Contactos: (+351) 254 810 130/ geral@rotan2.pt

Rosário Correia Machado, diretora da Rota do Românico.

Rota do Românico, “viagem inspiradora a lugares com História”
Chegados à região Norte, a nossa proposta passa por uma “visita guiada” à História de Portugal através do seu “vasto e rico” património arquitetónico de origem românica, construído entre os séculos XI e XIV, eis a Rota do Românico (RR).

O percurso que se ergue em “terra forjada de verde”, convida a uma “viagem inspiradora a lugares com história”, descreve a diretora, Rosário Correia Machado, “junto de singulares conjuntos monásticos, igrejas, capelas, memoriais, pontes, castelos e torres senhoriais”, enumera.

São 58 monumentos a visitar distribuídos pelos vales do Sousa (19), Douro (14) e Tâmega (25). Desta forma, a RR é considerada “um verdadeiro caso de sucesso” e “um exemplo de boas práticas no que diz respeito à conservação e valorização do património”, atenta a responsável.

Ponte da Panchorra, Resende

Desde 2018, o percurso conta também com um Centro de Interpretação do Românico (CIR), na vila de Lousada, que com uma “arquitetura contemporânea” e “múltiplas experiências interativas” serve de cenário a seis salas temáticas: “Território e Formação de Portugal”, “Sociedade Medieval”, “O Românico”, “Os Construtores”, “Simbolismo e Cor” e “Os Monumentos ao longo dos Tempos”.

Mas não só de monumentos se faz o caminho, pelo que a Rota do Românico oferece um conjunto diversificado de programas (de um ou mais dias) pelo território, “conciliando o património românico com a literatura, pedestrianismo, BTT, a gastronomia, o vinho verde, passando pelas festividades e pelos eventos culturais”. Com tanto para descobrir, o ideal é dispensar cinco dias para conhecer esta Rota.

Rosário Correia Machado conta-nos que a maior parte dos visitantes são portugueses que “procuram uma relação mais aprofundada com o seu património cultural” mas, além deles, destaca os chamados “whoopies”, turistas mais velhos com melhores rendimentos e saúde.

A RR “nasceu” em 1998 pelas mãos da Associação de Municípios do Vale do Sousa (VALSOUSA) da qual fazem parte os seguintes concelhos: Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel. Em 2010, foi alargada aos concelhos de Amarante, Baião, Celorico de Basto, Cinfães, Marco de Canaveses e Resende.

Mais informações: www.rotadoromanico.com/pt/ Contactos: (+351) 255 810 706/ visitasrr@valsousa.pt

Geopark Estrela, @Filipe Patrocínio

Geopark Estrela, “a montanha mais enigmática de Portugal”
Descendo até à mais conhecida Serra de Portugal, e não só pela neve, descobrimos os encantos geológicos da Estrela. A história do seu Geopark começa há mais de 650 milhões de anos, num território que se estende por mais 2.200 km² e por nove municípios (Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia e Oliveira do Hospital).

Para o coordenador executivo da Associação Geopark Estrela, Emanuel Castro, este é um Geopark com “uma notável história geológica”, que assume uma importante relevância até porque tem como objetivo primário a “valorização, promoção e desenvolvimento dos territórios” onde está inserido.

Ao longo de todo o território, é possível encontrar “124 locais de interesse geológico” que descodificam “a história da montanha mais importante de Portugal continental”. Além disso, o turista poderá encontrar um “património natural e cultural único” onde cabe uma “geologia ímpar” que inclui “as marcas da última glaciação” que teve o seu máximo há cerca de 30 mil anos. É o modo do visitante entrar em contacto com o “património Geológico e Natural da Estrela e as vivências associadas aos modos de vida desta serra”, indica o responsável.

Emanuel Castro, coordenador executivo da Associação Geopark Estrela

Os segredos da “montanha mais enigmática de Portugal” também podem ser desvendados através de um leque de experiências que incluem visitas ao Centro de Interpretação da Torre do Estrela Geopark e percursos pedestres pela Rede de percursos da serra da Estrela. Mas há mais em preparação: “O Estrela Geopark irá lançar em breve um conjunto de Percursos Interpretativos com diferentes tipologias e que mostram alguns dos pontos de referência, permitindo que o turista possa conhecer melhor este território”, referiu o responsável, acrescentando que o Geopark vai lançar a Grande Rota do Estrela Geopark que incluirá percursos pedestres e cicláveis “para conhecer a Estrela fora das estradas”.

Se dúvidas houvesse sobre a qualidade deste destino, o mesmo está prestes a ser classificado pela UNESCO como “Geopark Mundial”. Emanuel Castro sublinha a importância desta distinção, especialmente num território “de baixa densidade”. “Esta é uma oportunidade para promover este territórios e desenvolver outros produtos turísticos, fortemente associados à beleza da paisagem e à sua identidade”, sustenta.

A história da montanha mais importante de Portugal continental começou há milhões de anos mas é algo que deve chegar ao futuro. “O Estrela Geopark constitui um legado comum que importa salvaguardar e valorizar para as gerações futuras”, frisa.

Mais informações: www.geoparkestrela.pt/ Contactos: (+351) 217 220 167/ info@geoparkestrela.pt

Carina Santos, técnica de Marketing e Comunicação da Via Algarviana.

Via Algarviana, “percorrer um Algarve desconhecido”
Depois de lugares com História e da Geologia da Serra da Estrela, desbravamos caminho na Natureza do interior algarvio. De Alcoutim ao Cabo São Vicente, são 300 quilómetros de distância. A ligar estes dois lugares, inseridos na Serra algarvia, está a Grande Rota Pedestre Via Algarviana – GR13, com uma “beleza ímpar” que se estende ao longo de toda uma região para dar a conhecer o interior do Algarve.

A técnica de Marketing e Comunicação da Via Algarviana, Carina Santos, explica que esta Grande Rota é “uma rede de 12 Pequenas Rotas Pedestres (circulares), 10 Percursos Áudio-guiados e sete Ligações ou derivações, em formato linear”, além de quatro Rotas Temáticas. Desta forma, a oferta existente ao longo da Via Algarviana pode servir diversos perfis de turista, “oferecendo percursos com menor dificuldade ou com menor extensão do que os setores da Via Algarviana” e “trajetos circulares que facilitam a logística de acesso”. Esta lógica permite também que os visitantes estejam “mais do que um dia em cada local”, estando disponível “um leque alargado de oferta com todos estes percursos, que podem ser percorridos nas modalidades pedestre ou BTT, e com a modalidade trail”.

Mas, afinal, quem procura a Via Algarviana e com que intuito? Carina Santos explica que “percorrer a Via Algarviana é percorrer um Algarve desconhecido, mais genuíno e ainda com muito por desvendar”. A via atravessa o “Algarve interior” onde o turista fica a conhecer “pequenos aglomerados populacionais, muitas deles gravemente afetados pelo despovoamento, mas nos quais poderá ter contacto com as raízes e a identidade da região, conhecendo as suas gentes, tradições, artesanato, gastronomia, diversidade biológica e património cultural”. O objetivo é tirar de cada local “uma experiência única”.

No entanto, a GR13 está a mudar. Este ano, está prevista a instalação de mais duas ligações para acrescentar às sete oferecidas. Para quem se desloca pelo país, a técnica sugere os transportes públicos para chegar à Via Algarviana. “Muitas das ligações começam numa estação ou apeadeiro de comboio”, frisa, acreditando que “é ainda uma ótima alternativa para os utilizadores de bicicleta, uma vez que podem transportar gratuitamente a bicicleta no comboio e começar logo a percorrer a Via Algarviana”.

De forma a alargar a oferta de percursos, a GR13 está a desenvolver pequenas rotas em Monchique, além de adaptar o percurso áudio-guiado “Anta da Masmorra”, em Tavira, a invisuais e amblíopes. O trilho também viu ser disponibilizada uma joellete, aumentando a acessibilidade para pessoas de mobilidade reduzida.

A mudança na GR13 passa também pelo digital. Com o objetivo de aproximar a Via Algarviana dos visitantes, será reforçada a promoção da rede com materiais de divulgação em novos idiomas, bem como a criação de um novo website e uma app.

A experiência ao longo de toda a Via Algarviana fica ainda mais enriquecida com os vários serviços locais disponíveis, desde o alojamento à gastronomia. Responsável pela gestão, divulgação e manutenção dos percursos da Via Algarviana, a Associação Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve conta com o apoio de 13 municípios parceiros (Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila do Bispo), Estas autarquias têm demonstrado um interesse cada vez maior pelo projeto levando à implementação de ligações à Via Algarviana. Agora, o desafio é “dinamizar alguns locais dos concelhos, fazendo todo o sentido incluí-los nesta Grande Rota”.

Mais informações:www.viaalgarviana.org/ Contactos: (+351) 289 412 959/ almargem@mail.telepac.pt

Outras Redes Colaborativas a explorar…
• Norte: Peneda-Gerês; Aldeias Vinhateiras do Douro; Rede de Castros do Noroeste; Peninsular Rota da Terra Fria Transmontana.
• Norte e Centro: Aldeias de Portugal; Montanhas Mágicas; Territórios do Côa.
• Centro: Aldeias de Montanha; Aldeias do Xisto; Aldeias Históricas de Portugal; Geopark Naturtejo da Meseta Meridional; Rede de Castelos e Muralhas Medievais do Mondego; Rota Histórica das Linhas de Torres; Termas do Centro.
• Alentejo: Alentejo Feel Nature; Dark Sky Alqueva; Heranças do Alentejo; Rota do Fresco; Rota Tons de Mármore; Terras do Grande Lago Alqueva.
• Alentejo e Algarve. Rota Vicentina.
• Algarve: Baixo Guadiana.
• Nacionais: Rede de Judiarias de Portugal – Rotas de Sefarad; Rota das Catedrais; Roteiro das minas e pontos de interesse mineiro e geológico de Portugal.

Cristiana Macedo e Rita Inácio. Este artigo foi publicado na edição 330 da Ambitur.