Descubra Vagos ao seu ritmo

Descubra Vagos ao seu ritmo

O Centro de Portugal tem um novo destino turístico, cheio de praias amplas, artes de pesca ancestrais ou pinhais que convidam a um piquenique. Se ainda não conhece Vagos, aqui ficam os muitos motivos pelos quais não pode deixar de marcar as suas próximas férias nesta região, a dois, com filhos ou em busca de aventura…

Situado na Beira Litoral, entre o mar, a floresta e a ria, Vagos merece ser explorado devagar pelo muito que tem para descobrir. Aqui encontra praias espaçosas e amplas que não o deixarão indiferente. É o caso da Praia da Vagueira, que dispõe de um extenso areal e de um paredão para passeios com vista para o mar mas que se distingue, sobretudo, pela pesca com Arte Xávega. Naquela que é considerada a mais antiga forma de pesca do mundo, os pequenos barcos enfrentam as ondas da rebentação para largar as redes, um fenómeno que pode testemunhar ao vivo e no qual pode até participar, ajudando os pescadores a puxarem as redes de volta a terra. E, desde que o tempo e a maré estejam a favor, poderá de seguida saborear o peixe fresco e acabado de apanhar, quer no mercado ou nos restaurantes locais.

Destaque ainda para a Praia do Areão, protegida por um extenso e elevado cordão dunar e a preferida das famílias em busca de tranquilidade, com todo o conforto de uma praia vigiada. Outra sugestão é a Praia do Labrego, um pequeno areal muito procurado pelos surfistas e onde se encontra um parque aquático que promete encantar os mais pequenos, e duas escolas de surf para os mais aventureiros. O bar oferece uns excelentes fins de tarde a ver o pôr-do-sol e a ria adjacente dá-lhe a oportunidade de ver algumas espécies de aves protegidas a pousar na zona do sapal.

Um descanso ativo e saudável

Se pretende relaxar nesta sua viagem, fique tranquilo que em Vagos encontrará tudo aquilo que procura para o poder fazer. E da melhor maneira possível, ou seja, um descanso ativo que combina a beleza natural da paisagem envolvente com a promoção de um estilo de vida saudável. As opções são inúmeras, passando desde os passadiços de madeira sobre o cordão dunar, que se estendem por cinco quilómetros, às rotas pedestres que, de quando em quando, o brindam com pontos de observação excelentes para ficar a conhecer de perto as espécies de flora e fauna desta zona.

A proposta que lhe deixamos é um passeio a pé pela Quinta do Ega ou um piquenique nas coloridas mesas do parque de merendas na Gafanha da Boa Hora.

Mas se busca algo mais ousado e dinâmico, saiba que também aqui Vagos o vai surpreender apresentando-lhe uma série de atividades náuticas que pode, e deve, experimentar.

Vagos é ainda conhecido pela oferta diversificada de bares e restaurantes, para todos os gostos, que vão certamente animar os seus dias e as suas noites enquanto visita a região.

Uma região de sabores genuínos

Uma viagem a Vagos nunca ficaria completa sem experimentar os sabores genuínos deste concelho onde não faltam especialidades gastronómicas. Se ainda não sabe, fica a saber: a caldeirada de enguias é, de facto, o prato mais famoso e procurado da região, e aqui preparado de uma forma distintiva.

Mas sem dúvida que há muito mais para degustar em Vagos. Começando, desde logo, pelos mariscos da ria, as papas de abóbora, o leitão – uma iguaria tão adorada que faz parte da tradição servi-la em dias de casamento – a chanfana, as sainhas ou as favadas à gandaresa… Estando perto do mar, o peixe fresco é igualmente outro elemento obrigatório à mesa, e a experiência pode ser ainda mais enriquecedora se arregaçar as mangas e ajudar os pescadores a puxar as redes cheias de robalos, douradas ou cavalas, entre outros, para depois os saborear no seu prato.

A acompanhar estas maravilhas gastronómicas, e uma vez que Vagos se insere na região vitivinícola da Bairrada, rica em produtores locais e pequenas explorações e cooperativas, à mesa também não pode faltar o vinho. Não deixe de provar os espumantes de casta Arinto, Maria Gomes ou Bical, os encorpados e aromáticos vinhos tintos com a Baga DOC certificada, e os delicados brancos, com predominância da casta Fernão Pinto. Uma coisa é certa: em Vagos, ainda sabem melhor.

Cultura e espiritualidade caminham lado a lado

Falar em Vagos é reconhecer também o importante lado espiritual e cultural da região, espaço de peregrinação e devoção ao qual milhares de pessoas acedem todos os anos. Aqui poderá visitar o Santuário de Nossa Senhora de Vagos, que data do século XIII e cujas lendas ajudam a perpetuar um culto que ainda hoje se manifesta com toda a força. Mas há ainda capelas modestas, igrejas matrizes antigas e muitas lendas e histórias para descobrir, na vila de Vagos e na vizinha Soza. Este é um destino ideal para quem gosta de arte sacra e de conhecer a história religiosa dos espaços que visita.

E, como cultura e espiritualidade caminham sempre de mãos dadas, as igrejas matrizes e as capelas com arte sacra do século XVII esperam por si ao longo de todo o ano, e as freguesias celebram as suas festas religiosas com eventos culturais. Marque um passeio até à vila durante o festival de folclore, quando os moliceiros sobem ao Porto das Folssas Novas para entregar moliço, de onde vinha o adubo para os campos agrícolas da região. E não deixe de admirar a impressionante peça de arte urbana “Pá”, do escultor Paulo Neves. Talvez não soubesse mas muitos dos mestres pintores da vizinha Vista Alegre eram de Vagos, comprovando que a beleza corre nas veias da região.

Outra forma de apreciar a cultura nesta viagem é visitar a Casa Museu Gandaresa, que lhe permite conhecer de perto os hábitos e o estilo de vida dos habitantes nos séculos XVII, XVIII e XIX. Considerada uma das primeiras casas autossustentáveis, esta casa típica da região da Gândara representa as habitações do tipo casa-pátio, onde todas as divisões tinham uma porta comunicante com o pátio central interior.

Cultura são também os Moinhos de Vento e as Azenhas do Boco. Conheça os moinhos de São Romão, em vários estágios de conservação, ou os moinhos de vento giratórios, uma ode à inventividade local. Como era necessário aproveitar o vento da região para a moagem dos cereais, estes apresentam uma estrutura muito simples, apoiada sobre rodas, numa base circular. Aproveite para conhecer o único exemplar em funcionamento no distrito de Aveiro, junto à Casa Museu de Santo António.

Por sua vez, as Azenhas do Boco são um local romântico e encantador, que parece saído de um livro de contos. Entre a vegetação abundante, num vale iluminado pelo sol, descubra as azenhas, com as suas noras incansáveis. A azenha de Ouca, no Parque da Fonte, é também um local imperdível, com a sua fonte centenária e forno comunitário.

As muitas razões para a sua próxima visita a Vagos estão pois apresentadas e esperam por si no Centro de Portugal.

Este artigo foi publicado na edição 339 da Ambitur.