DHM: “Os hotéis têm uma janela de oportunidade para criar espaços de cowork através do reaproveitamento de salas de reuniões”

DHM: “Os hotéis têm uma janela de oportunidade para criar espaços de cowork através do reaproveitamento de salas de reuniões”

Categoria Alojamento, Business

A pandemia colocou várias restrições às viagens e eventos. Nos dias de hoje pouco se viaja por lazer ou negócios. Mas pode o teletrabalho oferecer novas vias de negócio para os hotéis? Começam a surgir quartos transformados em escritórios e diferentes ofertas para o segmento corporate. Será esta uma real aposta para o futuro da hotelaria? E quais as mais-valias de trabalhar a partir de um hotel? A Ambitur.pt entrevistou um conjunto de grandes cadeias hoteleiras e pequenas unidades para perceber melhor este recente “fenómeno”. 

Na DHM – Discovery Hotel Management “sempre apostámos bastante nos segmentos MICE e corporate”, conta-nos Francisco Moser, managing director do Grupo, com uma “equipa dedicada a criar ofertas tailor-made [feitas à medida] para as empresas que procuram os nossos espaços”.

Cowork Room do Villa C Boutique Hotel

Já o contexto pandémico em que vivemos “tem levado a que todos nos sintamos limitados nos nossos movimentos” e “as nossas casas tornaram-se demasiado pequenas” pelo que, segundo o responsável, “os hotéis têm aqui uma janela para alargar a sua oferta, criando espaços de cowork através do reaproveitamento de salas de reunião e dos espaços de conferências”, num momento em que “os eventos corporativos não se estão a realizar”.

Francisco Moser é da opinião que “a realidade que atravessamos exige que sejamos capazes de nos adaptar” e que os hotéis devem “ajustar a sua oferta para que se possa continuar a ter eventos corporativos de forma segura”. O managing director acrescenta que a vantagem do teletrabalho é que “dá uma grande flexibilidade às pessoas de gerirem o seu dia, sem com isso perder produtividade” e, nesse sentido, a DHM procura “construir uma oferta que vá ao encontro das necessidades das pessoas que se encontram em teletrabalho” e que “procuram um espaço, que não a sua casa, onde possam usufruir, em privacidade, de salas confortáveis com uma ampla oferta de tecnologia e serviços de apoio”.

Campanhas direcionadas para os momentos que vivemos” 

O Grupo tem assim, ao longo deste tempo, “refletido e apresentado campanhas direcionadas para os momentos que vivemos”, atenta o responsável, entre as quais realça uma “campanha direcionada a toda a rede de empresas que trabalham connosco, oferecendo um pacote de férias para todos os seus quadros” no momento do reinício da atividade após confinarmos que “coincidiu com o período em que grande parte das pessoas, normalmente, planeia as suas férias”. Segundo Francisco Moser, “esta campanha teve um sucesso assinalável”.

Depois, foi também criada uma campanha de “apoio à retoma económica focada nas PME” que consistiu na “oferta do valor de sala de reunião e coffee station, contribuindo com um valor de donativo para uma instituição de solidariedade”, ajudando empresas sem espaços físicos próprios para reuniões.

Conference Room do Azor Hotel

Por último, existiu uma campanha mais focada no MICE com “pacotes de reuniões com uma atividade incluída e condições de pagamento e cancelamento extremamente flexíveis”. O managing director garante que “todas estas campanhas e outras, como os pacotes de long stays para profissionais liberais, tiveram sempre duas premissas em consideração – a segurança e flexibilidade de todos”.

A DHM tem um portfólio de “unidades hoteleiras com identidades muito diferentes” e, por isso, “a nossa oferta corporativa é adaptada tendo em consideração as especificidades de cada hotel”, de modo que “nem todos os hotéis apresentarão alterações a este nível”, reflete o responsável. Por exemplo, no Villa C Boutique Hotel, em Vila do Conde, “um dos pontos diferenciadores é a sua sala de coworking com pacotes diários, semanais e mensais” e o Azor Hotel, em Ponta Delgada, trabalha num “plano de propostas para reaproveitamento das salas de reunião de que dispõe”, tanto para coworking como para eventos culturais.

Trabalhar num hotel ajuda a sentir alguma normalidade nestes tempos tão atípicos”

Francisco Moser defende que as grandes mais-valias de trabalhar a partir de um hotel “passam, acima de tudo, pelos efeitos psicológicos” uma vez que “sabemos que estar confinado em casa tem tido resultados nefastos na saúde mental das pessoas”. Assim, toda a infraestrutura que um hotel oferece “desde comunicações, espaços dedicados para reuniões virtuais e outlets de F&B”, entre outros, “ajudam a sentir alguma normalidade nestes tempos tão atípicos”.

Rita Inácio