A DIG-IN, plataforma portuguesa de reservas e dados para o setor da restauração e HORECA, publicou a sua análise ao comportamento do mercado no primeiro trimestre de 2026. As conclusões são claras: crescer já não chega, é preciso diferenciar, comunicar valor e preparar-se para um segundo trimestre exigente mas com janelas reais de crescimento.
Os dados analisados pela DIG-IN revelam que a inflação no setor da restauração atingiu, no final de 2025, os valores mais elevados em dois anos, comprimindo as margens dos operadores e tornando o consumidor mais seletivo. Quem come fora está a pagar mais e tem consciência disso. Os conceitos que cresceram neste ambiente foram os que conseguiram justificar o preço com uma experiência ou narrativa clara. Os que apenas acompanharam a subida de preços no menu, sem acrescentar valor percebido, foram os primeiros a perder frequência.
Em janeiro de 2026, os estabelecimentos turísticos registaram 1,7 milhões de hóspedes (+3,8% face ao período homólogo) e 3,7 milhões de dormidas (+5,6%), com o Canadá e o Norte de Portugal a liderar o crescimento. A BTL 2026, realizada em Lisboa entre 25 de fevereiro e 1 de março, bateu recordes de visitantes (cerca de 85.000), com a hotelaria a crescer 27% e os serviços 15%, sinais inequívocos de um pipeline turístico robusto para os meses seguintes.
A Gala Michelin Portugal 2026, realizada no Funchal a 10 de março, foi a melhor colheita de sempre para o país: dez novos restaurantes conquistaram a primeira Estrela Michelin e um outro ganhou a segunda. O diretor internacional do Guia descreveu a gastronomia portuguesa como vivendo “um momento de efervescência”. Relevante para o setor: o crescimento está a sair de Lisboa e Porto, Évora, Faro, Amarante, Montemor-o-Novo, Peso da Régua e outras regiões ganham estatura gastronómica e, com ela, procura turística com poder de compra acima da média.
O contexto macroeconómico exige cautela. As margens do setor continuam extremamente comprimidas, com encerramentos silenciosos sobretudo entre micro e pequenas empresas familiares. O Governo respondeu com apoios até 60 mil euros por empresa e o segundo trimestre de 2026 será o primeiro teste real à eficácia dessas medidas.
Com base nos dados analisados, a DIG-IN identifica três prioridades para os operadores:
- Capitalizar o turismo de primavera: a procura para a Páscoa aponta para máximos, com estadias mais longas. Garantir visibilidade digital nos canais onde o turista internacional pesquisa antes de chegar é urgente.
- Transformar a tradição em proposta de valor comunicável: a narrativa vale tanto como o prato. Comunicar a origem dos produtos, os produtores parceiros e a sazonalidade do menu é um argumento de valor, não apenas decoração de carta.
- Rever a estrutura de custos: a subida no preço do peixe e da carne já estava prevista para 2026. Quem não ajustou a engenharia de menu no primeiro trimestre vai sentir o impacto no segundo.
O primeiro trimestre de 2026 deixou uma mensagem inequívoca para o setor da restauração em Portugal: o mercado está a mudar a alta velocidade. O consumidor tornou-se mais criterioso, os custos não dão tréguas e a concorrência intensifica-se. Mas o país nunca teve tanto turismo, nunca teve tantas estrelas Michelin e nunca foi tão falado lá fora como destino gastronómico. A oportunidade existe, o que vai definir quem a aproveita é a capacidade de ler os dados, agir com rapidez e comunicar com clareza o que torna cada espaço único.




















































