“É crucial pôr o destino a funcionar e explicar o que está a funcionar”

by Redação Ambitur | 22 Maio 2020 15:12

Espanha e França são, talvez, os primeiros mercados emissores a dar sinais de retoma na capital portuguesa. No entanto, as medidas que estão a ser aplicadas nesses países podem ser uma condicionante, como é o caso do mercado espanhol, onde a “quarentena antes de entrar” no país é obrigatória.

No webinar “Lisboa no Horizonte”, promovido pela Ambitur, e que contou com o apoio da Entidade Regional de Turismo de Lisboa (ERT Lisboa), Vítor Costa, presidente desta entidade, considera que o “movimento geral” que está a ser levado a cabo por vários países, que estão a “reter os próprios nacionais”, pode ser tido como exemplo: “Em Itália, estão a promover um cheque-viagem para que os italianos ajudem o país”, promovendo, assim, o mercado interno, exemplifica, considerando que esta ação poderia ser “aplicável” a Portugal.

De acordo com Vítor Costa, as últimas sondagens apontam para que Espanha, França e Alemanha sejam os mercados com mais vontade de viajar para o estrangeiro. É precisamente nestas previsões que assenta a prioridade de Lisboa de apostar no mercados europeus: “São os mais relevantes”, diz o dirigente. Já quanto aos mais longínquos, a esperança assenta nos “Estados Unidos da América (EUA) ou no Canadá” para setembro e outubro. O Brasil, que é um mercado importante, é aquele que merece maior preocupação: “Ainda são desconhecidas as consequências” da situação do país quanto à pandemia, refere o responsável, acreditando que, este ano, aquele mercado “não terá a relevância” habitual.

Algo que é crucial para Vítor Costa é “pôr o destino a funcionar e explicar que está a funcionar”. A realidade que se avizinha é que todos os destinos vão promover-se entre si mas a “necessidade básica” de viajar será uma mais-valia no que se refere a city-breaks: “Muitos europeus não vão dispensar visitar uma cidade” num fim-de-semana, afirma.

Na tão desejada retoma, há um subsetor em que a “recuperação” será mais lenta, como é o caso da Meeting Industry (MI). No sentido de “poupar recursos”, a visão de Vítor Costa é de que muitas entidades vão apostar nos “meios” digitais que estão em voga. No entanto, nos “incentivos” e nos “congressos”, as “alterações estruturais” não vão ter o mesmo impacto: “Não se pode fazer um vídeo-incentivo para os americanos”, exemplifica o responsável, acrescentando que, na vertente dos congressos, “o networking, a parte social e a experiência” também são componentes insubstituíveis. O que está incluído no programa da ERT Lisboa é o “reforço e melhoria” da MI, no sentido de criar incentivos para que haja eventos marcados ainda este ano.

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