“É fácil sermos ultrapassados e continuarmos felizes porque estamos a crescer”

Categoria Advisor, Associativismo

As palavras são de Mário Candeias, Diretor de Operações do Pestana Luxury Hotels, que no último painel do Congresso Nacional da Hotelaria, sob o tema “Posicionar Portugal como destino turístico”, criticou a estratégia pouco “ambiciosa” do Turismo de Portugal até 2020. Segundo o responsável, o posicionamento de Portugal tem de ser visto “daquilo que nós somos em função de terceiros” porque “é fácil sermos ultrapassados e continuarmos felizes porque efetivamente estamos a crescer” em relação a anos anteriores.

Posto isto, Mário Candeias apresentou à plateia alguns números que, em comparação com os países concorrentes de Portugal, mostram que o nosso país tem ainda algum trabalho pela frente. De acordo com o responsável, ainda que “estejamos a crescer mais que Espanha nos últimos dez anos” – Portugal cresceu 5,9% e Espanha 2,7% – “para efeitos de PIB o nosso turismo é menos rentável”. No ranking do turismo mundial, “celebrámos, este ano, porque ficámos em 15º mas em 2008 já estávamos em 15º. Continuamos bem, mas em termos comparativos, fomos ficando para trás face a França e Espanha”.

Na mesma ocasião, Mário Candeias afirmou não perceber a previsão feita pelo Turismo de Portugal para os próximo cinco anos. “Crescemos 5,9% nos últimos 10 anos, mesmo tendo a crise pelo meio, e de acordo com o plano ambicioso vamos crescer  só 3,6% ao ano. Este plano ambicioso está a projetar que nós cresçamos à volta de 500 milhões de receitas por ano, quando nós nos últimos três estamos a crescer 900 milhões por ano. Ao nível das receitas por dormida o plano prevê crescer em receita por dormida 5,2%% mas depois de 2016 para 2018 o plano prevê decrescer 3% e depois volta a crescer de 2018 a 2020, 1,5%”.

Sobre os hotéis, Mário Candeias afirmou que “estamos bem, mas não tão bem em termos comparativos”. “Lisboa está flat. Ocupamos a 16ª posição no que à taxa de ocupação diz respeito, tendo subido de 2014 para 2015 duas posições”, no entanto, “estamos há três anos na 16ª posição” no que ao preço médio respeita. Para Mário Candeias, “a questão central é  que a rentabilidade ainda não voltou ao pico” dos anos pré-crise, ou seja, “em termos realistas, estamos em termos de receitas internacionais bem posicionados e em crescendo, no entanto, em termos de algumas atividades económicas, nos sub-setores dos hotéis, por exemplo, ainda temos caminho a trilhar”.

Na mesma ocasião, Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do Grupo Vila Galé e moderador deste painel, afirmou que “a inovação e o preço médio da hotelaria depende de nós”. “Se os preços da hotelaria não sobem, a responsabilidade é das pessoas que estão aqui sentadas nesta sala.  Cabe-nos a nós chegar a um preço. Se Lisboa conta com taxas de ocupação na ordem dos 90% de abril a outubro, estão reunidas as condições para subir os preços”, afirmou.

Luís Matoso, Vogal do Turismo de Portugal, afirmou “não ser adepto desta comparação com Espanha”. Para o responsável, é possível “posicionar Portugal criando relação com os outros”.  “Através da comunicação conseguimos posicionar o país? Não, não temos meios para isso”, afirmou Luís Matoso, acrescentando que “no golfe, surf e festivais de verão somos muito melhores do que os outros” e é nestes temas que “nos devemos focar”. Afirmando que o Turismo de Portugal manterá a sua aposta no digital, Luís Matoso deu conta de que, no próximo ano, haverá um investimento no “vídeo”, uma vez que “este tem muito impacto no turismo” e o objetivo passará por “produzir dois vídeos por semana”.

Raquel Pedrosa Loureiro