“É fundamental agir depressa e garantir que o futuro não passa ao nosso lado”

“É fundamental agir depressa e garantir que o futuro não passa ao nosso lado”

Os órgãos sociais da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) tomaram posse esta segunda-feira. A cerimónia decorreu no Hotel Ritz, em Lisboa. A direção da AHP, liderada por Raul Martins, renova assim o mandato por mais três anos (2019-2021) .

“O turismo tem mudado estruturalmente em Portugal, numa atividade cada vez mais sustentável”. Este é o principal princípio da intervenção de Ana Mendes Godinho nesta cerimónia. A secretária de Estado do Turismo, em representação do ministro Adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira, considerou que o setor “cresce em valor e em receita” num “ritmo mais acelerado” em contrapartida com o “número de turistas”.

A secretária de Estado refere que existe uma “diversificação. Estamos a crescer nos mercados americano, canadiano, brasileiro, chinês e sul coreano”, algo que acontece ao longo de todo o ano, além do índice de sazonalidade que “baixou de 39% para 36%, o índice mais baixo que Portugal já teve”. Isto é justificado pelo facto destes mercados não procurarem sol e praia mas sim outras “atividades como a natureza, culturais, cidades, gastronomia, vinhos e isso tem posicionado o nosso destino”. A juntar-se a este cenário, está o “transporte aéreo mais regular” com “584 novas operações e rotas aéreas nos últimos três anos” que permitiram a ligação a novos mercados. “Aqui ainda há espaço para crescer”, defende.

Ana Mendes Godinho alega a continuidade deste “dinamismo e esta capacidade de trabalhar junto dos mercados onde podemos crescer mais”. A governante defende que o turismo deve ser alargado “ainda mais” a todo o território, representando um “trabalho permanente” para tornar esta atividade permanente ao longo de todo o ano. “Temos aqui um desafio enorme: crescer nos territórios do Interior”, sublinha a secretária de Estado do Turismo, defendendo a aposta em “produtos que atraem pessoas” como é o caso dos Programas de Captação de eventos e congressos internacionais. “Neste momento, (este programa) já captou 345 congressos internacionais para Portugal e isso contribuiu para que hoje subíssemos no ranking mundial e europeu do ICCA”. Para a responsável esta é a prova de que o Turismo pode ser um “instrumento, não só de captação de visitantes, como também de posicionamento e afirmação internacional de Portugal, além de captação de investimento e de novos residentes”. Além destes programas, a aposta deverá ser também na “coesão territorial”, trabalhando em “fatores de atratividade em várias dimensões”, quer social, quer ambiental, centrando a ação na “inovação do produto e na adaptação da nossa oferta.

Ana Mendes Godinho, no entanto, defende o “compromisso entre público e privado no sentido de apostar em Programas de Captação e Valorização dos recursos humanos” pois é necessária a “implementação das medidas necessárias para facilitar a entrada de trabalhadores para Portugal”. A secretária de Estado acrescenta que “há razões objetivas para olhar para um setor que representa 18,6% das exportações nacionais, 13,7% do PIB e que conseguiu criar 100 mil postos de trabalho nos últimos três anos”, conseguindo tornar-se num “instrumento de desenvolvimento económico mas também de criação de emprego e de oportunidades em todo o país”. Mas o alerta ficou dado: é “fundamental agir depressa e garantir que o futuro não passa ao nosso lado”.

Cristiana Macedo