easyJet: “Agora que ganhámos temos de rentabilizar estes slots, essa é a nossa grande responsabilidade”

easyJet: “Agora que ganhámos temos de rentabilizar estes slots, essa é a nossa grande responsabilidade”

A easyJet foi a companhia aérea vencedora do concurso realizado pela Comissão Europeia de atribuição de 18 slots da TAP no Aeroporto de Lisboa, que poderão ser utilizados a partir de 30 de outubro deste ano. O processo, que ainda não está finalizado, aguarda ainda a entrega destes slots por parte da TAP, havendo ainda um intervalo de “mais 20 minutos/ menos 20 minutos dentro do horário que foi apresentado, e isto poderá levar ainda a um trabalho de afinar os detalhes da operação”. Isso mesmo explicou hoje José Lopes, diretor geral da easyJet Portugal, numa conferência de imprensa, admitindo que o deadline apontado de final de julho não deverá ser exequível, e apontando antes para que tudo esteja finalizado, o mais tardar, no final de agosto, início de setembro. “Agora que ganhámos, o mais importante é começar a rentabilizar estes voos novos que iremos lançar”, frisou o responsável aos jornalistas presentes, adiantando que ainda não é possível confirmar o tipo de aeronaves, o número de lugares e os destinos que serão abrangidos nesta operação. “Mas é algo que queremos fazer o mais urgente possível porque vamos começar a voar no dia 30 de outubro”, rematou.

Apesar de não adiantar o tipo de aeronave Airbus ou o número exato, admitiu que estes 18 slots correspondem a uma capacidade aproximada de três aparelhos, e que haverá um mix de novas rotas ainda não operadas pela companhia, com rotas que terão um reforço.

Apesar de não adiantar o tipo de aeronave Airbus ou o número exato, admitiu que estes 18 slots correspondem a uma capacidade aproximada de três aparelhos, e que haverá um mix de novas rotas ainda não operadas pela companhia, com rotas que terão um reforço. “Temos que pôr os aviões a operar e os lugares a ser vendidos, porque um dos fatores é rentabilizar estes slots, essa é a nossa grande responsabilidade”, reforçou.

José Lopes recorda que esta oportunidade de ganhar estes 18 slots “é de vital importância” e “não replicável” pois trata-se de um aeroporto que se encontra congestionado e que não, neste momento, possibilidade de crescer. “Vai-nos permitir crescer e alicerçar a nossa posição no Aeroporto de Lisboa”, sublinhou o responsável.

Baseada em Portugal há uma década, mas a operar para o nosso país há duas décadas e meia, a easyJet identifica o país como “um mercado para crescer, e é isso que temos vindo a fazer”, aproveitando bem a pandemia para “estrategicamente investir no nosso país, aproveitando algumas oportunidades para nos posicionarmos e ganharmos quota de mercado, saindo desta pandemia já numa posição mais forte do que anteriormente”, disse José Lopes. E realça que, ainda antes destes novos slots, a companhia aérea low cost já está a operar acima do verão de 2019.

no Aeroporto de Lisboa, a easyJet já está a operar 12% acima dos níveis de 2019, enquanto que no Porto, o crescimento é de 50% e no Funchal de 60%, face a 2019

Assim, no Aeroporto de Lisboa, a easyJet já está a operar 12% acima dos níveis de 2019, enquanto que no Porto, o crescimento é de 50% e no Funchal de 60%, face a 2019. De recordar que a companhia também começou a operar para Porto Santo e, em Faro, abriu uma base no ano passado, sendo que este verão conseguirá manter a sua quota de mercado. No conjunto, a easyJet está, neste momento, a operar em Portugal com cerca de 20% de mais capacidade do que no verão de 2019.

O diretor geral da companhia detalhou ainda aos jornalistas que este foi, aliás, o primeiro critério da Comissão Europeia colocou para a atribuição dos 18 slots: que a companhia vencedora colocasse mais capacidade na utilização desses slots diários. “E a easyJet já estava a demonstrar que em Portugal era, sem dúvida, a companhia que mais capacidade colocava”, sublinhou José Lopes, acrescentando que foi este critério que decidiu desde logo a atribuição dos slots a esta transportadora low cost, apesar de haver outros critérios importantes que as propostas teriam de cumprir, nomeadamente adicionar concorrência à TAP, com o objetivo de defender o consumidor ou a importância das relações laborais.

“esta capacidade adicional vai-nos permitir atingir um dos nossos objetivos: passar a ser a segunda maior companhia aérea a operar no Aeroporto de Lisboa”

O orador afirmou ainda aos jornalistas que “esta capacidade adicional vai-nos permitir atingir um dos nossos objetivos: passar a ser a segunda maior companhia aérea a operar no Aeroporto de Lisboa”. Neste momento, a easyJet é já a segunda companhia aérea a operar no Porto, “onde temos feito uma aposta estratégica não só nas rotas internacionais, mas também nas rotas domésticas”, explicou. E durante a pandemia passou a ser líder na rota Porto-Funchal. É ainda a segunda companhia em Faro e, a nível de capacidade, no Funchal, sendo que a nível de passageiros é a principal companhia no Aeroporto da Madeira.

“Este é mais um passo na estratégia que temos para Portugal”, assume Jose Lopes, que acredita que o nosso mercado tem ainda muito potencial de crescimento, até porque a penetração do segmento low cost não está ainda ao mesmo nível de outros países europeus.

A easyJet tem hoje, em Portugal, uma quota de mercado global de 13%, o que significa mais dois pontos percentuais face ao verão de 2019, ocupando a 3ª posição, a seguir à TAP (29%, com perda de cinco pontos percentuais) e à Ryanair (19% com aumento de dois pontos percentuais), a nível de capacidade. Em Lisboa, a easyJet tem, neste momento, 9% do mercado (+ 2 pp), enquanto que no Porto conta com 18% de quota de mercado (+6 pp), sendo já a segunda maior companhia. Em Faro a low cost manteve os 20% de mercado e continua a ser o segundo maior player, no Porto Santo também tem 20% de mercado e no Funchal subiu quatro pontos percentuais para 21% de quota de mercado.

Este verão, em Portugal, a companhia aérea terá 5,2 milhões de lugares, o que significa +20% de capacidade face ao verão de 2019. Já em termos do ano fiscal, os 12 meses contam com 8,4 milhões de lugares. Os 18 novos slots entram em ação já no próximo ano fiscal da easyJet.

Inês Gromicho