Empresários do turismo defendem que há “mercado para todos” em Lisboa

Empresários do turismo defendem que há “mercado para todos” em Lisboa

A abertura de novos alojamentos e unidades hoteleiras em Lisboa não preocupa empresários do sector, que defendem existir “mercado para todos”, mas alertam para a necessidade de se preservar a identidade da cidade.

“Ter uma oferta diferenciada é muito bom, porque dá ‘destino’ a Lisboa. Não pode ser só hotéis de cinco estrelas, não pode ser só ‘hostels’, mas ter um bocadinho de tudo já dá para todos”, disse à agência Lusa Heleen Uitenbroek, proprietária do Hotel Santiago de Alfama.

“Há mercado para todos, o turista que vem para o hotel não vai para o alojamento local e o do alojamento local não vai para o hotel”, frisou Maria João Coelho, gerente da Pensão Praça da Figueira.

A pensão está classificada como alojamento local, embora nada tenha a ver com os apartamentos particulares que, desde Novembro de 2014, podem registar-se com a mesma categoria para acomodar turistas. A unidade, instalada entre o segundo e o quarto piso de um prédio numa esquina da praça que lhe dá o nome, costuma ter os 32 quartos “sempre cheios, pela localização” e porque “há muita procura”, reconheceu Maria João Coelho.

A abertura de hotéis e apartamentos leva os residentes mais antigos a queixarem-se da redução da habitação, mas a gerente da pensão apontou como positivo a reabilitação do edificado na Baixa. “É pena se a Baixa ficar só com lojas para turistas. Acho que tem de ficar com lojas para todos, para portugueses e para turistas, porque é isso que as pessoas procuram, não é montes de postais e coisas feitas na China”, notou Heleen Uitenbroek, holandesa que se lançou no ramo em 2009, com um pequeno hotel no Chiado.

A dois passos da Praça Luís de Camões, o PH in Chiado Hostel & Suites ocupa os pisos superiores de um edifício de finais do século XVII, com 12 quartos e capacidade para 36 hóspedes, repartidos por quartos e camaratas. “Vamos sempre ter essa necessidade e esse gosto de manter o que é característico e o que é autêntico de Lisboa para mostrar a toda a gente e não é uma procura excessiva que vai alterar essa nossa identidade”, comentou Raquel Paradella, gerente do negócio familiar.

A unidade tem visto subir a procura ao longo do ano, “sempre com bom tempo” e a gestora da Paradella’s Houses destacou como positivo o aumento de visitantes numa Baixa que, antes, “estava muito deserta”.

O director-geral da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), Vítor Costa, estima que “o sector do turismo represente à volta de 14% do PIB [produto interno bruto] da cidade de Lisboa”, que “terá 35 mil turistas por dia”. “Se compararmos com outras cidades, por exemplo o caso de Barcelona, que é muito usado, temos menos de metade das dormidas em Lisboa”, salientou, em entrevista à Lusa, comparando os 8,4 milhões de dormidas na capital portuguesa, em 2014, com os 17,4 milhões da cidade catalã. O também presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa considerou que ainda há margem para o aumento da oferta, desde que de forma sustentada, para “acompanhar o crescimento da procura”.