Enoturismo: Os aromas e sabores que Portugal lhe dá a provar

Enoturismo: Os aromas e sabores que Portugal lhe dá a provar

Categoria Explore, Reportagem

Das quintas do Douro Vinhateiro, visitando caves na Invicta, e com passagem obrigatória para uma prova de vinhos na Bairrada, bem no Centro de Portugal, desce-se até ao Algarve onde se pode beber um copo de vinho da região com vista para o mar. Já nas ilhas, o Pico oferece “paisagem cultural” da vinha e nem Churchill resistiu ao bom vinho da Madeira. O destino Portugal é cada vez mais apreciado e procurado pela sua gastronomia e vinhos. As regiões de Turismo e os produtores estão atentos à oportunidade que o enoturismo representa, investindo na modernização dos processos, para vinhos de maior qualidade e internacionalmente reconhecidos, e na criação das mais diversas experiências vínicas. Há Rotas de Vinho por explorar e, quem sabe, até aventurar-se pelas vindimas e pisar as uvas. A Ambitur foi descobrir o que torna Portugal um destino vínico de excelência.

Uma “grande Rota” do Vinho e a Great Wine Capital do Porto

Créditos Gonçalo Villaverde

Ser “destino referência do enoturismo em Portugal” proporcionando uma experiência turística completa em “redor do fascinante mundo do vinho”, é a ambição do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), partilha o presidente, Luís Pedro Martins, recordando que o enoturismo constitui “uma atividade de grande repercussão económica” para os destinos nacionais.

O Norte é “palco ideal” para a “excelência do turismo de vinhos”, pelo que a estratégia passa pelo “desenho de rotas do vinho” e pela criação de “diversas formas de enoturismo”. Outra aposta é “transformar” a cidade do Porto numa Great Wine Capital, para uma experiência vínica em contexto urbano. Neste sentido, vários foram já os projetos financiados pelo Programa Valorizar, do Turismo de Portugal, como a Via Panorâmica do Alto Douro Vinhateiro, num investimento total de 4,6 milhões de euros e uma taxa média de financiamento de 56%.

O TPNP desenvolve o enoturismo em quatro subdestinos: Região dos Vinhos Verdes, Região dos Vinhos do Douro e Porto, Região dos Vinhos de Trás-os-Montes e Região dos Vinhos de Távora Varosa, pois “todos estes territórios têm uma enorme apetência para se constituírem excelentes rotas” e de se agregarem numa “grande Rota” do Vinho. Uniu esforços com a Comissão de Viticultura da Região (CVR) dos Vinhos Verdes, CVR Trás-os-Montes, CVR Távora-Varosa e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) e, em breve, “existirão novidades no que respeita a uma oferta integrada das Rotas”, avança Luís Pedro Martins.

Pedro Machado

Enoturismo é “ponto de partida” no Centro de Portugal
No Centro de Portugal, o enoturismo é “ponto de partida para conhecer lugares singulares” ao longo de uma “jornada memorável por aromas e sabores”, descreve Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, pelas cinco regiões vitivinícolas da região: Bairrada, Dão, Beira Interior, Tejo e Lisboa.

Os vinhos do Centro têm “as mais antigas e palatáveis colheitas de vinho” do país e “um pouco por todo o território existem projetos incríveis”, entre os mais recentes, a Quinta da Taboadella (Dão), Espaços Bairrada e a loja da Rota dos Vinhos da Beira Interior (Guarda). Pedro Machado destaca Torres Vedras e Alenquer, enquanto Cidade Europeia do Vinho 2018, e Pinhel que é Cidade do Vinho 2020-21. A gastronomia e os vinhos integram o Plano Regional de Desenvolvimento Turístico 2020-2030 da região e, como tal, o Turismo Centro lançou este mês o Guia Enoturismo & Gastronomia – Centro de Portugal, a ser distribuído com o jornal Expresso.

Jorge Humberto Silva

O património vínico “excecional” da região de Lisboa
O enoturismo é considerado um dos “produtos turísticos complementares” que contribui para a promoção de Lisboa, graças às “características agroclimáticas únicas” da capital portuguesa que permitem a produção de uma “gama de vinhos excecional”, argumenta Jorge Humberto Silva, diretor operacional do Turismo de Lisboa.

Desde os vinhos de Colares, os tintos de Azeitão e Palmela e os brancos de Bucelas, aos moscatéis de Setúbal, passando pelos licores de Carcavelos, “não faltam opções para quem aprecia um bom vinho”, sugere. Tanto que o enoturismo “tem tido cada vez mais procura por parte dos turistas que chegam a Lisboa” e que ali encontram um “conjunto de experiências únicas”, onde se incluem eventos como a Festa das Vindimas em Palmela e o Há Prova em Oeiras. Durante a pandemia, Jorge Silva indica que “o investimento feito na campanha «Encontrei Lisboa»” permite, até final de setembro, “a residentes e turistas adquirir ofertas exclusivas a preços mais acessíveis”, entre as quais a visita a uma Adega da região à escolha.

Vinhos do Alentejo, a “primeira imagem” de excelência para o exterior
Os vinhos do Alentejo foram “a primeira imagem de qualidade e excelência levada aos mercados internacionais,  ajudando na promoção turística, realça António Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo. É um “produto muito relevante para o território” e cada vez mais procurado, além de que a gastronomia e os vinhos são “duas referências associadas quer à imagem de Portugal, quer do Alentejo”, defende o responsável.

Ceia da Silva frisa que o enoturismo “melhorou muito nos últimos anos” e que “houve muitos projetos no Alentejo”, apoiados pelo programa Valorizar. A Entidade Regional lançou, no ano passado, o Guia de Enoturismo do Alentejo, em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional (CVR) Alentejana, CVR do Tejo e a Associação de Produtores de Vinho da Costa Alentejana (APVCA), onde os visitantes encontram “excelentes propostas de enoturismo inclusivamente com alojamento”, comenta. Ceia da Silva enaltece o facto de o Guia ter sido distribuído pela TAP em voos para os EUA e Brasil, o que “significa bem a sua importância”.

João Fernandes

Além do sol e mar, o Algarve é “território de vinhos”
Na região do Algarve, o enoturismo regista uma “presença crescente” com cerca de 30 quintas vitivinícolas e um “aumento significativo da área de vinha nos últimos anos”, revela João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA). A oferta é “bastante rica”, com vinhos com Denominação de Origem em Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira.

Quinta dos Vales

O enoturismo surge no Plano de Marketing Estratégico para o Turismo do Algarve, no sentido de que “possibilita a nossa promoção como destino multifacetado muito além do tradicional sol e mar”, frisa o presidente da RTA. No seu entender, é uma atividade que “potencia a experiência e a participação ativa dos turistas” e que “atenua a sazonalidade”. João Fernandes avança que a procura primária de viagens associada à gastronomia e vinhos, antes da pandemia, estava “a crescer ao ritmo de 5% a 8% ao ano” pelo que “existe margem de progressão”.

Iniciativas não têm faltado para “impulsionar” o produto turístico na região e exemplo disso é a assinatura de um protocolo com a Comissão Vitivinícola do Algarve, em julho, com o intuito de “promover a região vitivinícola no mercado português e espanhol”, recorda João Fernandes. Além disso, o Algarve Cooking Vacations, programa “férias culinárias e enológicas”, e a Quinta dos Vales conciliam a “arte com o vinho” através de um conjunto de “esculturas gigantes” que impressionam o público.

Marta Guerreiro

Açores têm uma “paisagem cultural” dedicada ao vinho
A gastronomia e os vinhos assumem “grande expressão” no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores, servindo de complemento ao “produto principal de turismo de natureza ativa”, de acordo com Marta Guerreiro, secretária regional de Energia, Ambiente e Turismo.

Wine Museum

A governante defende que os incentivos à reabilitação da paisagem tradicional da cultura e da vinha “transformaram” por completo a Paisagem Cultural da Vinha da Ilha do Pico, reconhecida pela UNESCO, e “permitiram que o Vinho do Pico voltasse a entrar nos mercados externos”. Os Biscoitos na Ilha Terceira e a Ilha Graciosa, demarcados com Denominação de Origem, beneficiaram igualmente de apoios e a Ilha de Santa Maria “conta com uma nova geração interessada em recuperar este legado vitivinícola”, sobretudo, as Baías da Maia e de São Lourenço.

O Governo dos Açores está a trabalhar na Rota do Vinho e da Vinha, que integra o projeto das Rotas Temáticas, em conjunto com a Rota dos Vulcões e a Rota da Baleação. Centrada no Pico, a Rota tem também pontos de visita na Terceira e Graciosa, além de calendarização específica dependente do “ciclo dos trabalhos da vinha”, avança Marta Guerreiro. Os Açores acolhem ainda alguns eventos, com destaque para o Congresso Mundial de Vinhos – Wine Summit, o Wine In Azores e o Taste In Adegas. Em adição, “começam a aparecer projetos de alojamento com a vertente de enoturismo” entre apartamentos turísticos, hotéis e turismo rural.

O vinho é “elemento natural” do destino Madeira
A Natureza assume-se como “produto central” do destino Madeira e o Vinho é um “elemento fundamental” natural da experiência turística da região. Assim, é “um dos cartões-de-visita” mais importantes pelo que se “tem vindo a dar destaque ao enoturismo”, reflete a Direção Regional do Turismo da Madeira.

Foi então criada a Rota dos Vinhos da Madeira que agrega “todos os produtores, hotéis e empresas ligadas ao setor para que possam ser criados pacotes”. Todos os anos, em setembro, a Secretaria Regional de Turismo e Cultura organiza também a Festa do Vinho, onde se destaca o Estreito Câmara de Lobos, concelho com maior cultivo de vinha, onde se realiza um “cortejo etnográfico” que convida os turistas a ajudar na apanha e na pisa tradicional das uvas.

A Direção Regional do Turismo da Madeira adianta que “está em fase de conclusão o Socalco Nature Hotel”, na Calheta, relacionado com os Vinhos da Madeira no sentido em que “abrange todo o processo que envolve o fabrico do vinho” com a participação dos hóspedes.

Rita Inácio. Publicado na edição 331 da Ambitur