“Quando decidimos investir é para o fazer de imediato” (I)

“Quando decidimos investir é para o fazer de imediato” (I)

Carlos Silva Neves, administrador do Grupo Azinor e da SANA Hotels, recebeu a Ambitur para uma conversa que nos levou ao início de uma cadeia 100% portuguesa, SANA Hotels, que tem vindo a investir no país com unidades que marcam. Formado em Direito, o nosso entrevistado não nega a paixão que nutre hoje pela hotelaria, e em concreto, pelo que a SANA Hotels tem vindo a fazer no panorama turístico nacional e internacional.

Comecemos pela história do Grupo…

É um percurso que começou há 15 anos. Inicialmente tínhamos o hotel Capitól, da família do Sr. Nazir Din e do Sr. Azim, hoje accionistas da empresa. A partir daí criou-se a apetência para se desenvolver o sector hoteleiro, um sector onde a criação e inovação, como costumamos dizer na SANA Hotels, não tem limites. O grande salto dá-se em 2004, com o surgimento do SANA Lisboa e do SANA Malhoa. A partir daí apostámos fortemente na qualidade e conseguimos criar de raiz produtos por forma a abranger determinados nichos de mercado. Em 2004 surgem também os grandes projectos. Por esta altura já existia o SANA Rex, o SANA Sesimbra e o SANA Estoril, e adquirimos o SANA Metropolitan em 2003. Em 2004 começámos a desenvolver e a abrir o nosso produto cinco estrelas em Portugal e podemos dizer que nos conseguimos afirmar no mercado como uma cadeia de qualidade, nacional e internacionalmente.

Qual o peso dos recursos humanos dentro do Grupo?

Sem dúvida que não conseguiríamos chegar sem eles onde hoje chegamos. Temos uma formação contínua e inicial que implementamos e o gosto que eles têm ao vestir uma camisola SANA advém de uma academia que criámos, a Academia SANA Hotels. Esta permite também que os nossos clientes se identifiquem com os nossos colaboradores e vice-versa. Todos os nossos colaboradores passam pela academia, que de facto tem sido inovadora no mercado hoteleiro nacional, sendo replicada ao nível internacional, nomeadamente em Berlim, onde começámos a nossa internacionalização. Muitas vezes perguntam-me qual o sucesso da SANA Hotels… É uma fórmula, um encadeamento de determinados factores que fazem parte do nosso ADN. Somos uma família.

Como se estrutura o Grupo?

O grupo Azinor é uma holding, onde eu sou administrador, que tem várias áreas de negócio. Temos uma panóplia de actividades, a mais visível é a sub-holding, a SANA Hotels, onde também sou administrador por inerência da holding e presidente da Assembleia-Geral da SANA Hotels.A parte que nos faz criar, inovar, despoletar tudo o que somos, é a hoteleira, porque o que fazemos aqui é o que queremos que se faça em nossa casa. Depois, acreditamos em Portugal e aqui apostamos. Sem vaidades fomos dos poucos grupos económicos, 100% portugueses, que num período de contraciclo económico, no qual ainda não tínhamos iniciado os projectos do EPIC Lisboa e Algarve, estando em construção o Myriad, decidimos avançar quando ninguém avançou, ou quando muitos pararam os projectos. Não parámos. Com estas unidades, criámos 500 postos de trabalho e investimos 240 milhões de euros.

Esta filosofia do projecto SANA como surge?

Nasce da nossa sensibilidade e das viagens. Tínhamos a vantagem de ser uma cadeia pequena, o que nos permitiu não cometer os erros dos outros. Por exemplo, como combater a antipatia no serviço? Formando. Sou um apologista de que a formação é a base e o pilar de todos nós. Sem isso não funciona qualquer modelo de negócio. Hoje, como o mundo é global e a oferta volátil, o cliente opta por prescindir de luxo em prol do calor humano. Começámos a ter essa percepção e reagimos. Através de pequenos exemplos começámos a transformar a nossa cultura.

A propriedade será sempre uma preocupação?

Não. Neste momento em Portugal temos 14 unidades, sendo 10 em Lisboa, e iniciámos o processo de internacionalização por Berlim e Angola. O crescimento deu-nos alguma sustentabilidade que nos permitiu avançar para outros passos, nomeadamente ao nível da gestão. Temos sido convidados por fundos que ficaram com hotéis decorrentes desta crise no âmbito da gestão. Temos uma gestão muito rigorosa, para nós um cêntimo é um cêntimo, vivemos o nosso dia-a-dia como se tivéssemos em austeridade. Damos o nosso melhor ao cliente, aos colaboradores, mas cada cêntimo é gerido ao cêntimo. O que tem acontecido é que definimos uma política muito rigorosa em termos do produto. Muitas vezes quando chegamos aos hotéis olhamos para eles e sabemos que não são SANA. A nossa cadeia poderia ter hoje mais hotéis. Não queremos abrir por abrir. O que nos interessa é se o produto se adapta à nossa filosofia.

E projectos novos?

Vamos ter agora dois novos projectos em Casablanca, Marrocos, com propriedade a 100%, um Evolution e um EPIC SANA. Esperemos que o processo de abertura esteja concluído em 2017. São duas unidades em premium location de Casablanca onde iremos reposicionar a marca em África, onde estamos a apostar fortemente. Mas o crescimento nunca irá pôr em causa a qualidade dos nossos produtos, isso eu garanto.

E para além de África?

Gostávamos de iniciar projectos no Brasil, porque conseguiríamos fazer o triângulo lusófono (Portugal, África e Brasil). Já estamos no terreno, temos um projecto em vista de cidade, prime location, em fase de negociação e avaliação e, se conseguirmos, será futuramente uma surpresa. Os nossos interesses são no Rio de Janeiro e São Paulo. A SANA Hotels tem essa particularidade de estar vocacionada para as cidades. Mas não estamos apostados só na vertente da “cama e duche”; temos apostado em outros conceitos integrados nos hotéis que também diferenciam. Neste momento o SPA Sayanna Wellness é considerado um dos melhores. Desenvolvemos também a vertente gastronómica, onde temos 20 restaurantes, cada um com a sua alma. Temos o Switch, uma criação SANA Hotels, que é um Super Club.

E a nível de terrenos?

Em Lisboa temos um terreno ao lado do SANA Lisboa, para fazer a ampliação da unidade. Neste momento não temos mais terrenos em carteira para hotéis. Também nunca foi essa a nossa filosofia, ou seja, o planeamento a esse ponto, muitas vezes, é o sentido de oportunidade. Tentamos sentir a cidade, estudamos, somos consumidores da própria cidade. Temos é uma característica, quando decidimos investir é para o fazer de imediato, não para prometer que fazemos.

Qual o objectivo da restruturação ao nível das marcas?

Sedimentar e consolidar o nosso crescimento. Foi importante o rebranding tendo surgido os nossos conceitos: SANA Excellence, SANA Style, EPIC SANA, SANA Residence, Myriadby SANA Hotels e agora o mais recente EVOLUTION. Isto permitiu de facto posicionar também as equipas pelo princípio da especialidade e uniformizar a nossa própria imagem. Esta aposta é interessante porque o que esteve subjacente não foi o salto quantitativo, mas sim qualitativo. Na SANA Hotels pretendemos que o cliente aprecie o requinte onde os pormenores fazem a distinção e todos os dias estamos a inovar, é chamado “SANA Movement”.

A Ambitur.pt tem vindo a publicar parte das Grandes Entrevistas que tem realizado nas suas edições impressas, com alguns excertos inéditos.

A entrevista foi realizada em Novembro de 2014

Pedro Chenrim