“Bairro Alto Hotel: um conceito vencedor”

“Bairro Alto Hotel: um conceito vencedor”

O Bairro Alto Hotel é hoje uma das unidades mais emblemáticas da cidade de Lisboa. Não só pela sua localização, mas pelas «performances» que tem registado ao nível de preço médio e taxa de ocupação. Jorge Cosme, director-geral do Hotel Bairro Alto, em entrevista dá conta do trabalho desenvolvido pelo hotel, assim como analisa alguns temas que gravitam ao seu redor.

Bairro Alto Hotel acaba por ser um dos hotéis com melhor performance da cidade de Lisboa…

Sim. Temos essa noção. O nosso negócio é bastante regular. Claro que também temos picos de ocupação mas, ao longo do ano, a taxa de ocupação mantém-se estável, o preço médio também se mantém sempre a um nível muito interessante…o que quer dizer que conseguimos não sofrer muito em termos de atropelos operacionais. A equipa está sempre formatada para poder receber hóspedes ao longo de todo o ano. O nosso core business aqui são clientes em lazer, sendo que também temos alguns grupos, de forma que está sempre contrabalançado.

Localização, localização, localização… é essa a vossa principal arma?

A localização é importante, é o que aprendemos na escola: os três factores mais determinantes para o sucesso de um projecto hoteleiro. Para nós serão cerca de 33%. E depois é um conceito bastante bem-definido, vencedor. A fórmula aqui já está bem implementada, bem estudada, poucas coisas são deixadas ao acaso. E por fim o serviço. É isso que faz o sucesso do Bairro Alto Hotel. E temos aqui um investimento constante, ainda agora estiveram fechados dois meses…

Isso é essencial?

Sim. Encerrámos no início de Dezembro e reabrimos 1 de Fevereiro. Estas obras eram necessárias para mantermos o nível do produto. Foram cerca de 600 mil euros investidos no hotel, em obras de conservação do edifício, que é de 1845, e o restante investido em obras de requalificação do produto, desde restauro de mobílias, pavimento de madeira, substituição de todos os colchões, LCD’s novos, cortinas, alcatifas, tapetes, etc… Este investimento é fundamental para continuar a manter o produto com grande nível de cuidado. E foi isso que o Bairro Alto Hotel se propôs a fazer. Ou seja, manter o preço médio lá em cima… Manter o preço médio lá em cima e continuar a dar uma óptima qualidade em termos da estrutura física, os equipamentos têm que estar todos em ordem, o layout impecável e o nível de serviço também. Assim que se começa a desinvestir, se começamos a deixar o produto cair, não dá para continuar a prestar o mesmo tipo de serviço e a querermos a tal performance de preço médio-alto.

Muita gente diz que há hotéis a mais em Lisboa, esta é uma verdade?

O parque hoteleiro já está bem fornecido. Se vierem mais produtos que sejam efectivamente diferenciadores, esses terão o seu próprio espaço. Tem que haver uma melhor concertação de tudo o que permite aos visitantes chegar a Lisboa. Faltam mais congressos em Lisboa, se calhar um centro de congressos com maior capacidade. Vamos ter os Rotários esta Primavera, que vão trazer cerca de 30 mil pessoas, se calhar precisávamos de ter três ou quatro grandes eventos destes por ano. Em termos de notoriedade a cidade está bem lançada, precisa é de um pouco mais de sustentação. Para aquilo que a cidade tem e oferece, se calhar já temos hotéis suficientes, porque temos boas ligações aéreas mas se não dinamizarmos outras rotas comerciais, se não dermos outros eventos à cidade, provavelmente vamos andar aqui todos a mastigar a mesma palha.

A vossa ligação à Leading Hotels of the World é essencial?

É a associação mais lógica que temos porque é uma marca de luxo que anda a par e passo com este tipo de conceito de hotéis. Tem tudo a ver com o Bairro Alto Hotel e com os seus elevados padrões de serviço.

Que novas realidades/paradigmas se colocam hoje à profissão?

Neste momento querem-se directores/gestores hoteleiros multifacetados, basicamente somos gestores de empresas muito específicas. Temos efectivamente de vestir várias peles: a pele do gestor hoteleiro, do director hoteleiro. E é isso que cada vez mais os accionistas/administrações querem, e ainda bem, um director hoteleiro é pluridisciplinar, muito presente, que perceba um pouco de tudo, de gestão, de comidas e bebidas, da vertente financeira, de vendas, de marketing, um gestor de emoções na parte do staff, um motivador, um líder. Temos que fazer um pouco de tudo, idêntico ao passado. Não se pretende hoje que os directores estejam sentados no gabinete, mas sim mais próximos dos hóspedes e das equipas.

Leia a entrevista na íntegra na edição n.º 257 da Ambitur.

Pedro Chenrim