Numa altura em que setor do lazer e das viagens aguarda por uma retoma consistente do negócio, a Lusanova preparou-se para trazer ao mercado um produto mais alargado, seja ao nível dos destinos nacionais, como internacionais. Tiago Encarnação, administrador da Lusanova, e Francisco Alvares, responsável comercial, em entrevista a ambitur.pt, abordam várias temáticas, avançando desde já que a partir de abril a Lusanova já volta a operar os circuitos na Europa, com partidas garantidas e guia em português.
Como olha a Lusanova, hoje, para os dois anos de pandemia?
Tiago Encarnação: Foram anos difíceis, todos têm a noção do que os operadores turísticos e os agentes de viagens passaram e o que ainda estão a passar. Este é um cenário que não passa de um dia para o outro. O que tentámos fazer foi preparar o produto para as novas exigências que o mercado exigia. De um momento para o outro, ficámos todos sem produto, com as condicionantes de termos todos de ficar em casa.
A pandemia acabou por funcionar como um acelerador de algumas tendências sobre as quais já tínhamos pensado, mas não tínhamos tido tempo para as desenvolver, por variadíssimas questões.
[blockquote style=”1″]Saímos desta forma um pouco do nosso ciclo tradicional. Mas além do alargamento a outros segmentos, também procurámos atingir quem viaja por outras motivações.[/blockquote]
Há desde logo três produtos em que começámos a apostar, uma aposta que continuará este ano. Um deles foi os Açores e Madeira, onde já tínhamos programação, nomeadamente nas épocas especiais como o Fim do Ano. O que fizemos foi alargar essa programação para outros segmentos: individuais e famílias. Saímos desta forma um pouco do nosso ciclo tradicional. Mas além do alargamento a outros segmentos, também procurámos atingir quem viaja por outras motivações. Para a Madeira, por exemplo, lançámos o ano passado os pacotes “Aventura” e “Radical”, que englobam um conjunto de atividades que vão desde as caminhadas pelas levadas ou as experiências gastronómicas, que podem ser feitas em grupo ou individualmente. Para os Açores fizemos o mesmo trabalho, explorar outras vertentes e segmentos que não eram tão tradicionais na Lusanova.
A nível europeu, para além dos city breaks, apostámos na Europa em comboio, que são viagens que também podem ser feitas de forma individual por várias cidades europeias, normalmente duas ou três, com opcionais incluídas. Também fizemos uma aposta no Fly & Drive que lançámos para a Europa. Este ano iremos lançar este produto para fora da Europa.
Esta foi a primeira necessidade, adaptar o produto às novas exigências do mercado. A segunda necessidade foi reestruturarmos a empresa internamente, falo em concreto em ganharmos algumas mais-valias ao nível da otimização dos procedimentos internos, ao nível da gestão das reservas, do seu acompanhamento, dos sistemas informáticos, entre outros. Aproveitámos a obrigação de termos de parar durante a pandemia para pensar um pouco no futuro e adaptarmos a Lusanova para o que podia ser o pós-pandemia. Hoje em dia a Lusanova tem muito mais produto, está muito mais generalista do que estava há dois anos.
Quais as grandes apostas da Lusanova para este ano?
Francisco Alvares: A Lusanova sempre foi muito bem aceite no mercado, devemos ser o operador português mais antigo, em operação. Estamos a caminhar para uma oferta mais generalista, faz sentido pelos anos que estamos no mercado e pela nossa credibilidade. Como não temos o produto charter, resolvemos caminhar e afirmar-nos, ainda mais, através de uma oferta mais diversificada no produto dos Circuitos, que é aquilo que nos caracteriza. Dentro deste contexto, temos os “grupos exclusivos”, cuja expressão pretendemos alargar junto das agências de viagens. Já lançámos alguns produtos, neste contexto, nomeadamente o Dubai, a Madeira, Roma e Vaticano com o Castelo Gandolfo, com partidas garantidas. No caso do Dubai a operação aconteceu com sucesso. Para os outros dois destinos verificámos aceitação do mercado, com reservas já efetuadas. Este trajeto também nos fez entender que havia alguma carência de produto a este nível no mercado para as agências.
[blockquote style=”1″]Como não temos o produto charter, resolvemos caminhar e afirmar-nos, ainda mais, através de uma oferta mais diversificada no produto dos Circuitos, que é aquilo que nos caracteriza.[/blockquote]
Tiago Encarnação: Estes são circuitos com datas específicas para serem comercializados pelas agências e se as reservas continuarem a ter uma boa resposta iremos abrir mais datas ao longo o ano. É um caminho que será progressivo, pois sabemos que há um conflito militar que pode afetar a todos.
Francisco Alvares: Dentro da Europa, onde temos a nossa principal oferta de circuitos (aéreo/terrestre) e com o objetivo de acentuarmos a nossa referência, introduzimos, como foi dito, o Fly & Drive, o Comboio e também os city breaks. Este último, um produto que parecia não ter grande futuro antes da pandemia porque muitos viajantes estavam a comprar diretamente, mas percebemos que os preços que conseguimos oferecer e os serviços que podemos disponibilizar ao cliente final podem ser em muitos casos vantajosos.
Temos já lançado para a Páscoa e verão tudo o que são circuitos Seleção, onde temos parcerias com DMCs locais. Aqui temos uma novidade em primeira mão, a partir de abril a Lusanova já volta a operar os seus circuitos na Europa, em que todas as partidas estão garantidas, com guia em português. Dos 72 circuitos Seleção que tínhamos lançado, alguns tinham guia em português, outros não. Ou seja, o que chamamos de Circuitos Europeus Clássicos todos têm guia em português e todos têm as suas partidas garantidas. É importante também frisar temos todas as reservas disponíveis online, estando a ser carregadas.
Ao nível do produto, sobretudo nos Grandes Destinos, continuamos com a aposta naqueles que já estão abertos e seguros. Há aqui uma situação com que a Lusanova sempre se preocupou, mesmo em altura da pandemia, nos destinos que lançávamos para o mercado. Que fossem destinos que nós considerávamos que não iriam fechar seguidamente. A nossa aposta continua nos produtos que colocámos nessa altura no mercado. Fomos e iremos introduzindo outros destinos, consoante vai abrindo o mercado, nomeadamente, Maldivas, Maurícias, Seychelles e Zanzibar (praias exóticas). Depois, ao nível dos grandes destinos, no continente americano temos não só os EUA e Canadá, como Costa Rica, em breve Chile e Peru, que podemos vir a abrir porque têm uma taxa de vacinação muito grande. Temos também as praias brasileiras abertas. Em África tivemos uma grande aposta, era um produto que não tínhamos e que construímos, que são os safaris. Temos também uma aposta em Marrocos e, uma surpresa para nós, o Egito. Muitos pensam neste destinos pelas praias de Hurghada e Sherm El Sheik, mas tivemos no primeiro trimestre deste ano uma agradável surpresa, com um volume assinalável de reservas.
No continente asiático é que se verifica que os destinos estão ainda um pouco fechados, estamos à espera que tenhamos oportunidade para voltar a colocar destinos que vendíamos antigamente, como por exemplo a India, China, Tailândia, Vietname, Camboja, entre outros. São países que estão com muitas restrições. Para já não os vamos ver, com exceção da Tailândia, que vamos operar.
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