ERT Lisboa aprova “plano de contingência” de oito milhões de euros para captação de clientes

ERT Lisboa aprova “plano de contingência” de oito milhões de euros para captação de clientes

Como se pode retomar algum tipo de atividade para se poder ter receitas a entrar? Esta foi uma das questões levantadas no webinar “Lisboa no Horizonte”, promovido pela Ambitur esta quarta-feira, e que contou com o apoio da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT Lisboa). Debater como será a reativação do turismo na capital do país no pós-confinamento foi o objetivo desta iniciativa.

Gerar confiança, reativar o transporte aéreo e ter oferta no destino: são estas as três condições essenciais para o setor. “Sem estas, não teremos retoma do turismo”, sublinha Vítor Costa, presidente da ERT Lisboa. O momento atual pede que o setor vinque a sua necessidade específica: “O turismo foi a atividade mais atingida e, provavelmente, será a última a recuperar”, indica, considerando que serão precisas “novas medidas” que garantam a “abertura do destino e com oferta a funcionar”.

Assim, Vítor Costa considera que o setor terá que ter um mecanismo específico e uma resposta própria para se poder aguentar nesta fase. “São questões que já estão em cima da mesa e que precisam de ser ponderadas”, como, por exemplo, a “continuidade do lay-off simplificado ou uma medida equivalente”. Vítor Costa aponta que, nos casos em que as atividades já reabriram, o desafio, agora, é outro: “Onde é que estão os clientes? Vamos ter problemas nas empresas, no emprego, na disponibilidade das empresas”, sublinha, chamando a atenção para a “gestão difícil” do regresso ao trabalho: “Se as pessoas dos bancos continuarem em casa, não são clientes de restaurantes, por exemplo”.

Embora os esforços do setor na divulgação devam recair sobre o mercado interno, em Lisboa, a representação desse mercado é muito “exígua”: só “25% se concentra na nossa região”, exemplifica, indicando que estão a ser preparadas ações para que os “lisboetas utilizem a oferta que temos”. No entanto, para Vítor Costa o problema centrar-se-á em conseguir ter turistas na capital: “Se não conseguirmos daqui a três, quatro meses trazer turistas, vai haver um ‘descalabro’ até porque, as empresas “não podem viver do ‘oxigénio’ das medidas do Estado”, mas devem viver dos clientes.

“A estratégia “no imediato” é “concentrar (os esforços) na Europa”
E é precisamente no objetivo de trazer clientes que o Turismo de Lisboa se tem focado. Das últimas reuniões, o tema que tem sido mais debatido é justamente o que deve ser feito sobre este problema, tendo sido feitas várias reflexões sobre o plano estratégico em vigor desde janeiro. No entanto, “a visão territorial” das entidades envolvidas, e que “inclui a cidade de Lisboa e mais pólos”, e que teria sido a grande novidade do plano, será mantida. Já os prazos que estavam definidos serão alterados: “Decidimos que vamos alargar este projeto por mais dois anos”. A “valorização do destino” e com efeitos “multiplicadores” também é algo que vai continuar, mantendo os dois projetos em curso na zona ribeirinha, ou seja, a reabilitação para a atividade marítimo turística da Frente Ribeirinha Central e a criação do Museu do Tesouro Real do Palácio da Ajuda.

A questão dos mercados emissores terá de ser adaptada: “Tínhamos a intenção de trabalhar mercados mais longínquos do Médio Oriente e Ásia, ou reforçar os EUA e Brasil”, afirma Vítor Costa, indicando que a estratégia “no imediato” é “concentrar (os esforços) na Europa”. Foi ainda aprovado um plano de contingência com oito medidas, sendo reafetados oito milhões de euros para este plano. As verbas vêm de “ações que não se fazem por questões gerais”, indica o presidente da ERT Lisboa, sublinhando que esta realocação servirá para aplicar “naquelas ações que podem trazer mais clientes logo que o destino esteja pronto”. Estas “ações” incluirão “parcerias com companhias aéreas, de marketing e branding; o reforço do plano de comercialização e vendas das empresas; e o reforço do plano e apoio à captação de eventos (Meeting Industry)”, considerado como, “talvez, o setor mais prejudicado na região. Estamos em processo de contratação de agências de comunicação em seis mercados e, com elas, fazer seis programas específicos” para cada mercado.