Estado de Emergência: “As medidas terão de ser agressivas e imediatas”

by Inês Gromicho | 30 Março 2020 14:55

Com o país em “Estado de Emergência”, a Ambitur.pt continua a falar com os empresários do turismo nacionais para que partilhem connosco o que esperam do Governo para os ajudar a ultrapassar esta crise e quais as maiores preocupações que enfrentam atualmente.

Luís Henriques, co partner da Bestravel Viseu/Picoas e co Partner da Landventure,  reconhece que a quarentena “é importante para proteger o SNS e evitar que o mesmo entre em colapso” mas defende que a estratégia deveria ser “mais ambiciosa, como a proteção dos grupos de risco e permitir que a população ativa regresse à vida normal”. Isto porque, como frisa, “além da destruição da cadeia de produção, com a falência de parceiros, hotéis e companhias aéreas, julgo que o maior risco que corremos é claramente o prolongamento desta pandemia mundial”. O empresário admite estar muito preocupado com as várias repetições do surto pois “serão completamente devastadoras em termos económicos, criando, após isso, uma crise económica sem precedentes”.

Luís Henriques sabe que o principal papel dos privados passa por criar e manter emprego para que se consiga “alguma estabilidade económica no país”. Mas, para que tal seja possível, os empresários precisarão de “apoios e ajudas que nos permitem ser estes atores fundamentais”. E relembra que, com a atual carga fiscal, “não nos foi permitido, nos últimos anos, criar estrutura financeira para termos este papel sem ajuda”.

Assim, do Governo o responsável espera que crie “«reais» apoios às empresas”. Lembrando que é consensual que, dentro de dois a três meses, a sociedade ainda não terá regressado à sua rotina habitual, Luís Henriques aponta ainda a “desvantagem” de trabalharmos com o mercado externo, quer a nível de importações como de exportações. O que faz com que o setor do turismo possa “atravessar uma crise de vários meses que colocará em causa a sobrevivência das empresas”. Por isso mesmo, “as medidas terão de ser agressivas e imediatas”, passando por isenções fiscais, apoios financeiros a fundo perdido e “um processo mais transparente e menos burocrático de lay-off”. O co partner da Bestravel Viseu/Picoas acusa ainda o governo de falta de coragem política “para impor regras, limites, ir mais além em termos de apoios às empresas e às famílias”, apoios estes que deverão ser “diretos, rápidos e significativos”.

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