Estado de Emergência: Governo não se deve “colocar numa situação de subalternização face ao sistema bancário”

by Inês Gromicho | 25 Março 2020 15:20

O país está em “Estado de Emergência”, assim como a sua economia. A Ambitur.pt, cumprindo a sua missão, está a ouvir os empresários turísticos de norte a sul e ilhas, no sentido de auscultar quais as necessidades reais que a atividade turística tem, que medidas espera atualmente do Governo, e do que está também disposto a fazer de modo a contribuir para minimizar, neste momento, os impactos diretos da COVID-19.

Luís Veiga, administrador executivo do Grupo Natura IMB Hotels, admite estar neste momento preocupado com o facto de, a nível empresarial, todos irem sair mais debilitados desta crise porque “as Finanças não têm qualquer sensibilidade para a economia real. Temos, afinal, um contabilista/tesoureiro a mandar inequivocamente no Governo”. Além disso, o gestor mostra a sua preocupação também pelo facto de que “nada está a ser feito para os territórios de baixa densidade, nem uma medida, pelo que prevejo uma crise sem precedentes no Interior na fase pós-Covid-19”.

Para Luís Veiga, “tudo nos é pedido atualmente: desde doar dinheiro a doar géneros, disponibilizar quartos para clínicos, etc… e até o Governo nos diz para mantermos os postos de trabalho”. Mas adianta que, na verdade, “ninguém se preocupa como e de que forma se vão pagar os ordenados no final deste mês”.

Assim, o responsável do Grupo Natura IMB Hotels – que conta com cinco unidades na Serra da Estrela e o complexo Covilhã Country Club, na Quinta do Covelo – identifica desde logo algumas medidas que o Governo deve tomar de imediato. Desde logo, colocar as linhas de crédito e o lay-off simplificado a funcionar. “No primeiro caso, não se colocar numa situação de subalternização face ao sistema bancário, pedindo quase «por favor» para que este não abuse dos spreads”. Luís Veiga refere que uma vez que os bancos, neste momento, se financiam a taxas negativas, dever-se-ia impor já um teto de 1%, a suportar pelo Estado para que a taxa final fosse zero, a exemplo do praticado pelo Governo da Madeira. Já no caso do lay-off, o empresário indica que é “incorreto” fazer empreendimentos turísticos pagarem uma parte dos ordenados e, ainda por cima, adiantar os dois terços. “Quem impôs o estado de emergência foi o Governo pelo que os encerramentos são resultado dessa decisão. Todas as outras medidas são na verdade puras moratórias pelo que quando se fala de nove mil milhões de apoio, não o é na realidade”, conclui.

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