ETC: 56% dos europeus otimistas quanto às férias de verão

by Inês Gromicho | 7 Abril 2021 14:57

A Comissão Europeia de Viagens (ETC) acaba de divulgar mais um relatório sobre as perceções e intenções de viagem a curto prazo, a nível doméstico e inter-regional na Europa.

O desejo dos europeus por viajar disparou para o nível mais elevado desde que este inquérito da ETC se iniciou, em setembro de 2020, com 56% dos inquiridos a planear fazer uma viagem até final de agosto. 22% de todos os europeus que participaram tencionam viajar entre maio e junho de 2021, e 36% defende uma viagem mais tarde no verão.

29% dos viajantes apontam o período de maio e junho, enquanto 46% preferem julho e agosto para a sua próxima viagem. Quanto à escolha do destino, 49% querem viajar para outro país europeu e 36% optam por permanecer dentro do seu próprio país.

As férias permanecem o principal motivo de viagem dos europeus: 66% dos viajantes vão viajar em lazer – uma subida do marco de 56% antes da pandemia – enquanto que visitar amigos e familiares é a principal razão para 19% dos viajantes.

O impacto das vacinas contra a Covid-19 sobre a vontade de viajar é positivo: 48% de todos os europeus inquiridos sentem-se muito mais confiantes no que diz respeito a planear viagens nos próximos seis meses como resultado dos avanços da vacinação. 31% mostram-se neutros, e 21% continuam muito céticos.

O interesse por férias junto ao mar continua em força: 34% dos viajantes preferem este tipo de viagem. Uma preferência pela natureza e o ar livre é declarada por 15% dos inquiridos e é especialmente forte entre os mercados da Europa Central.

Mais de metade dos viajantes (52%) mostra vontade de fazer a sua próxima viagem de avião, embora no Reino Unido pareça ter havido uma redução da confiança nas viagens aéreas, com uma diminuição de 11% nesta preferência. As viagens de carro permanecem como as segundas mais populares para 36% dos europeus no que diz respeito a planos de viagem a curto prazo.

Apesar dos esforços dos países da UE para impulsionar o turismo, os europeus continuam a enfrentar desafios para manter os seus planos originais de viagem: somente 9% de todos os inquiridos não alteraram os seus planos.

No que diz respeito à saúde individual, as viagens aéreas são mencionadas por 17% de todos os europeus que participaram no estudo da ETC como sendo a parte mais preocupante da viagem, seguindo-se a ida a bares e restaurantes (13%).

Embora as medidas de quarentena sejam a principal preocupação dos viajantes (16%), há cada cada vez maior ansiedade (11%) relativamente às limitações a atividades disponíveis no destino.

Perceção para o período de janeiro de 2021 vs janeiro 2020
O relatório também é complementado por perceções dos viajantes no que diz respeito a destinos para o período de janeiro de 2021 face a janeiro de 2020.

36% de todas as referências nas redes sociais de viagens são efetuadas pelo grupo etário 35-44. Em janeiro de 2021, o Índice do Produto Turístico – avaliação da satisfação com a oferta de destinos europeus – era de 60%, representando uma redução de 7% face a janeiro de 2020, e uma pequena diminuição de 4% em relação a dezembro de 2020. Esta ligeira melhoria pode indicar que tanto turistas como destinos estão lentamente a adaptar-se ao turismo na era Covid-19.

O Índice de Satisfação Hoteleira durante janeiro de 2021 foi de 64% – igual a janeiro de 2020 e apenas ligeiramente abaixo do nível de 66% de dezembro de 2020. Neste caso também a estabilidade indica uma adaptação ao “novo normal”, diz a ETC.

Recomendações para os destinos
– À medida que as preocupações entre os viajantes no que diz respeito à experiência no destino aumentam, os organismos nacionais de turismo devem comunicar com clareza que atrações estão abertas no momento e que restrições/normas se aplicam a visitantes. Uma mensagem consistente e transparente será essencial para gerir as expectativas dos viajantes e reconstruir a confiança;
– Desenvolver e comunicar protocolos Covid-19 para bares e restaurantes é fundamental. Campanhas que adotem uma abordagem mais divertida e envolvente em relação às medidas da Covid-19 iriam aumentar a confiança e responder às ansiedades sanitárias de visitar esses espaços;
– Para receber turistas que viajam de carro e amantes da natureza, os destinos poderiam oferecer itinerários especiais, experiências diferentes e paragens divertidas em família ao ar livre. Um bom exemplo seriam listas de música local para acompanhar as viagens de carro, tornando a experiência mais imersiva.;
– Viagens responsáveis devem estar no topo da retoma do turismo. Os destinos devem adotar iniciativas tais como “brand story telling” cultivando uma “sensação de atenção”, em parceria com associações e organizações ambientais, e incluir hóspedes em eventos e atividades das comunidades locais.

Recomendações para as empresas/atividades
– Após uma longa espera, as empresas devem aproveitar o sentimento positivo em relação às viagens e a confiança do consumidor para os períodos da primavera- verão. Promoções do tipo compre agora – poupe depois, upgrades gratuitos e campanhas de novo marketing vão motivar clientes hesitantes;
– À medida que muitos destinos de sol e praia anunciam datas de abertura, os hotéis independentes e os resorts podem reforçar a formação do pessoal na adaptação às novas circunstâncias, desenvolvendo ainda mais o pensamento resiliente, implementando protocolos de saúde e segurança e usando valores de marca para proporcionar umas férias despreocupadas aos hóspedes;
– Para três em cada quatro europeus, viajar é um momento de estar com a família/parceiro. Por isso, as marcas turísticas podem comercializar-se como o cenário ideal para as famílias e parceiros partilharem tempo de qualidade e experiências extraordinárias;
– Com a consensualização de corredores turísticos entre países e o aumento das reservas diretas, os fornecedores de serviços – alojamento, companhias aéreas e rent-a-cars – podem colaborar em pacotes de descontos em alojamento e fly/drive, e promovê-los diretamente junto do seu público alvo.

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