ETC: Viajantes de longo curso permanecem prudentes quanto a planear viagens para a Europa

ETC: Viajantes de longo curso permanecem prudentes quanto a planear viagens para a Europa

Segundo o mais recente “Long-Haul Travel Barometer 3/2021” da European Travel Comissão (ETC), as intenções de viajar para a Europa entre setembro e dezembro de 2021 continuam baixas nos principais mercados. Os resultados do barómetro sugerem que enquanto as preocupações com segurança relacionadas com a Covid-19 persistirem, muitos vão continuar a mostrar prudência quanto a visitar destinos europeus. No entanto, com os ritmos de vacinação a continuarem a melhorar por todo o globo, há um maior apetite por parte dos viajantes de longo curso de visitarem a Europa do que na mesma altura do ano passado.

Na China o índice que analisa o sentimento para viajar para a Europa aumentou de 69 em setembro de 2020 para 92 em setembro de 2021, e embora os valores continuem abaixo de 2019 (102), a retoma da confiança é significativa e aponta para um desejo crescente de regressar à Europa. Porém, o conselho do Governo chinês de se evitarem viagens internacionais não essenciais juntamente com procedimentos rigorosos para o regresso dos viajantes (ex., testes antigénio/PCR negativos e quarentena) deverão abafar o desejo das pessoas de viajar nos próximos meses.

Nos EUA, o índice que avalia o sentimento de fazer viagens de longo curso permanece positivo (125) mas os americanos parecem sentir-se menos confiantes quando a Europa é o destino (97). Este resultado não é surpreendente já que o período de recolha de dados coincidiu com as discussões sobre os viajantes norte-americanos não poderem viajar para a Europa antes do início do outono de 2021. Embora alguns destinos europeus permençam totalmente abertos aos americanos, a remoção dos EUA da lista de viagens seguras da UE pressiona as esperanças de uma procura turística rejuvenescida a médio prazo.

Um sentimento similar pode observar-se na Rússia, onde as pessoas se sentem muito mais confiantes em viajar para países não europeus, em parte devido à não aprovação da vacina Sputnik por parte da Agência Europeia de Medicamentos. Os planos para retomar os voos internacionais entre a Rússia e países europeus populares lançam porém alguma esperança de regresso da atividade turística.

Infelizmente, o Japão continua a ser o mercado com a perspetiva menos positiva no que diz respeito a viagens de longo curso (índice 62). Embora os valores do índice para a Europa sejam menos negativos (94), apenas 28% dos japoneses inquiridos têm planos para visitar a Europa entre setembro e dezembro de 2021.

Segundo Luís Araújo, presidente da ETC, “Embora seja animador ver algum aumento do desejo de viajar internacionalmente e visitar a Europa, estes últimos resultados demonstram claramente que é preciso trabalhar mais para impulsionar o turismo para a Europa da parte de mercados exteriores essenciais. Os viajantes ainda continuam hesitantes em considerar a Europa como destino neste momento. Olhando para 2022, é imperativo que lutemos por implementar regras de viagem mais harmonizadas na Europa e a nível global, e que criemos maior clareza para is viajantes de longo curso. Com as campanhas de vacinação a evoluir, chegou o momento de mudar o foco de um país de risco para um viajante de risco”.

Quando questionados sobre os seus planos de viagem para o futuro, os inquiridos chineses e russos foram os mais positivos quanto a visitar a Europa nos próximos dois anos, embora com datas de viagem indeterminadas. Por outro lado, uma maior percentagem de inquiridos dos mercados japonês, norte-americano e canadiano mostraram-se céticos quanto a visitar a região até final de 2023, sugerindo um caminho longo e incerto de recuperação da procura. Contudo, esta recuperação lenta não deve necessariamente ser interpretada como estando relacionada com a atratividade da Europa mas sim com fatores como o desenvolvimento da pandemia, a facilidade de viajar e conectividade, os custos relacionados com as viagens e a situação financeira das pessoas.

Uma análise mais profunda mostra que a Europa poderá ter de concorrer com destinos de curto prazo a médio prazo. Por exemplo, os inquiridos têm planos de visitar destinos estrangeiros além da Europa até final de 2021, com a região das Caraíbas a atrair os canadianos (33%) e os norte-americanos (41%). Para 32% dos chineses, destinos na Oceânia (sobretudo Austrália e Nova Zelândia) são os mais desejados, enquanto os russos miram o Médio Oriente (31%).

É curioso observar que na China e na Rússia, a percentagem de inquiridos que não sabem se irão viajar para a Europa nos próximos dois anos (26% e 38%, respetivamente), ultrapassa a percentagem daqueles que se mostram céticos (25% e 24%, respetivamente). Esta incerteza poderá significar que as pessoas destes mercados permanecem em modo de viagem “stand-by” que, mais tarde, se pode transformar em procura.

O que querem as pessoas de uma viagem à Europa este outono?
Na China, as multidões de turistas não são tão preocupantes desde que saibam que um destino está a gerir a pandemia com sucesso e tem uma percentagem elevada da população vacinada. 47% dos chineses sentem-se mais seguros em planear uma viagem para o exterior se os destinos gerirem com eficácia a Covid-19 e 32% se a percentagem da população vacinada no destino for alta. 27% ainda atribuem importância ao levantamento total das restrições de viagens e 26% aos testes antes de viajarem.

Para os chineses, a atratividade da Europa está em tópicos como a maior ligação ferroviária do mundo entre a Europa e a China, o facto do primeiro museu subaquático estar na Europa, a possibilidade de fazer uma viagem única de carro pela Europa, os destinos de Spa europeus reconhecidos pela UNESCO, entre outroas questões. Os destinos da Europa Ocidental e Central continuam a ser os mais populares entre os chineses (no TOP 10 encontramos França, Dinamarca, Alemanha, Áustria, Itália, Suíça, Finlândia/Países Baixos, Reino Unido e Grécia/Bélgica). Mas a procura de umas férias por diferentes países continua a prevalecer.

Já na Rússia, os residentes sentem-se atraídos por destinos que souberam lidar bem com a pandemia, mas privilegiam locais menos massificados com disponibilidade de atividades e atrações turísticas e uma boa relação preço-qualidade. A reabertura dos parques temáticos europeus (Disneyland Paris ou Europa Park) é um dos temas que mais atrai os russos à Europa, bem como o ambiente romântico de cidades europeias, como Budapeste, ou o facto de na Europa haver muitos hotéis e restaurantes de luxo. Os destinos que mais preferem estão na Europa de Leste, com um clima ameno, litoral e serviços mais acessíveis, nomeadamente a Turquia (18%), que se encontra no topo.

Nos EUA, visitar destinos com locais e atrações mundialmente famosos está a tornar-se cada vez mais importante para os viajantes. Por outro lado, ser vacinado e saber que um destino tem protocolos de saúde e segurança também aumenta a confiança para os norte-americanos começarem a planear uma viagem. A reabertura da Europa aos americanos foi essencial e os viajantes mostram-se entusiasmados em partilharem a sua primeira viagem internacional à Europa em mais de um ano. Atrai-lhes o facto de a Europa oferecer muitas ilhas que são consideradas seguras e pouco massificadas, bem como a ligação de muitos destinos europeus a artistas famosos (Barcelona a Gaudi).

Quase metade (46%) dos americanos que pretendem visitar a Europa nos últimos meses de 2021 veem novembro e dezembro como os períodos mais viáveis para a materialização dos planos de viagem. Entre os destinos preferidos estão França (34%), Itália (28%), Reino Unido (20%) e Alemanha (16%).

Por sua vez, serviços baratos e a disponibilidade de atrações populares são cada vez mais importantes para os japoneses que procuram o seu próximo lugar de férias. Contudo, as medias eficazes contra a Covid-19 e o número reduzido de casos continuam a ser o principal critério para a seleção de um destino. Os japoneses sentem-se atraídos pelos locais históricos ou pela rede ferroviária europeia. E aqueles que querem viajar até ao final do ano deverão visitar cidades europeias e destinos litorais em detrimento de regiões rurais e montanhosas. A Alemanha, Reino Unido e França continuam no topo das mentes dos turista japoneses.