Eurostars Museum: um hotel com oito mil anos de história nos corredores

Categoria Alojamento, Business

“Estamos a falar de cerca de oito mil anos de história debaixo dos nossos pés”, sintetiza Pedro Mendes Leal, responsável pelo projeto museulógico que se apresenta agora no novo hotel do grupo Hotusa, o Eurostars Museum.

Localizado no nº 40 da Rua Cais de Santarém, bem perto de Santa Apolónia, o Eurostars Museum encontra-se fixado num edifício emblemático da capital portuguesa – o Palácio do Conde de Coculim – edíficio do século XVI, onde tem sido descoberta uma vasta coleção arqueológica que traça grande parte da história da cidade de Lisboa.

O edifício adquirido pelo grupo hoteleiro espanhol, corria o ano de 2009, distingue-se pela sua riqueza patrimonial e arqueológica, que tem sido estudada desde 2004. Perante este achado, o grupo hoteleiro decidiu criar um hotel cuja temática girasse em torno do património que ali se encontra.

Nos corredores do novo hotel, estará patente uma colecção visitável composta por áreas arqueológicas preservadas – incluindo uma casa romana e partes da antiga muralha da cidade – e por peças que foram sendo descobertas durante as intervenções arqueológicas.

De entre as peças mais valiosas desta coleção encontra-se uma estela, com 73 centímetros de altura, onde está gravada escrita fenícia, que, de acordo com o arqueólogo Nuno Neto, pode será “a manifestação escrita mais antiga recuperada na Europa Ocidental”.

Entre os objectos que estarão em exibição, que serão mais de 60, inclui-se uma colecção de cachimbos de caulino, dois tesouros com moedas, medalhas, crucifixos e anéis.

Cronologicamente, explicou Nuno Neto, no edifício onde agora se irá situar o novo hotel, encontram-se vestígios da várias épocas, que passam pela Idade do Ferro, período romano republicano e a fase imperial, a ocupação islâmica e a ocupação medieval já cristã, após a conquista de Lisboa, por D. Afonso Henriques, em 1147.

Mais tarde, já no século XVI, o edifíico daria origem ao palácio do Conde de Coculim, que sofre vários danos após o terramoto de 1755. No século XX, o palácio deu lugar a um armazém de ferro, sendo depois adquirido pela família Sommer para servir de escritórios à Cimentos de Leiria, acabando depois por ser comprado por António Champalimaud.

Através desta exposição de peças, será possível aos domingos e por marcação, que hóspedes e público em geral possam visitar o Eurostars Museum, numa visita guiada que terá um custo de cinco euros por pessoa.

O Eurostars Museum abre portas na primeira semana de dezembro e representa um investimento de 23 milhões. A nova unidade irá contar com 91 quartos, em duas tipologias: standard e suite. Na sua oferta, destaca-se ainda um restaurante, um Spa com piscina interior, sauna e sala de tratamentos, uma biblioteca e três salas de reuniões.

Ricardo Ramos Gonçalves