Eventos: “O híbrido não é mais do que uma introdução digital na nossa operação”

Eventos: “O híbrido não é mais do que uma introdução digital na nossa operação”

Categoria Business, Empresas

Já não restam dúvidas de que o mundo mudou e todos os dias são discutidos novos modelos de negócios para as empresas. No caso da Meeting Industry (MI) fala-se nas vantagens do digital e em novos métodos, como é o caso do modelo híbrido, por exemplo. No entanto, nesta indústria, há uma coisa que nunca vai mudar: “É uma indústria de pessoas, feita por pessoas e para pessoas”.

Foi precisamente devido à temática “Meeting Industry: fim ou um novo começo?”que João Paulo Oliveira, diretor- geral da Leading, foi convidado para ser um dos oradores da terceira edição das “Tourism Talks”, promovida pela Message in a Bottle. 

Segundo o responsável, há novos modelos de negócio a debaterem-se entre si: no futuro, do ponto de vista do digital, o que “vai acontecer” será uma “passagem de emoções” para as pessoas. Embora haja consciência de que o “mundo mudou”, João Paulo Oliveira afirma que é necessário ser pragmático: “Estar a retirar pessoas à equação é matar o negócio”, seja ele qual for dentro do setor. É por isso que o responsável considera existir “alguma falha na perceção” do que  podem representar, “em termos de indústria e novo modelo de negócio”, os modelos híbridos podendo, mesmo, ser complemento àquilo que já existe: “Em cima de uma camada, vamos agora colocar uma segunda camada que são as pessoas que, por alguma razão, não podem estar no evento”, exemplifica. Há várias formas de aproveitar estes modelos: “Por um lado, trabalhar o conteúdo; e por outro, no alcance daquilo que estamos a fazer”, enuncia, reforçando que os modelos devem ser “entendidos como uma forma de acrescentar valor e não destruir o modelo de negócio que já existe. O híbrido não é mais do que uma introdução digital na nossa operação”.

E é justamente esta introdução que se está a tornar numa “realidade incontornável” na indústria MI, com o digital a assumir “cada vez mais preponderância, juntando-se o facto de o setor ser “um negócio de pessoas para pessoas”. Face a este cenário, é fundamental “ter espírito aberto” quanto “a esta matéria e aos modelos de negócio”. João Paulo Vieira diz que, agora, há “mais tempo” para “pensar e implementar esses modelos de negócio que podem trazer um retorno acrescido”, referindo que o “ceticismo”, que já pairou em anos anteriores, fez recuar outros modelos que estavam a aparecer no mercado. 

A crise que hoje avassala o mundo leva o responsável a referir-se à importância das empresas estarem preparadas para terem soluções: “A Leading foi do céu ao inferno em quatro semanas”, exemplifica. No entanto, João Paulo Vieira reitera que, se as empresas “estiveram preparadas”, apesar de não conseguirem, “de forma nenhuma, repor as operações”, “conseguem minimizá-las”, não estando assim “à espera daquilo que tem de ser dado como direito e não como obrigação”. 

Algarve: As “pessoas assentaram a sua operação no sol e mar”

A questão das acessibilidades é um desafio mas, no caso do Algarve, “não é só a falta de transporte aéreo que condiciona aquilo que é a monocultura da região no que diz respeito ao turismo”. Para João Paulo Oliveira, o Algarve “colocou, durante muitos anos, as fichas todas no mesmo número”. Embora o transporte seja imprescindível, é fundamental que as entidades locais “despertem para a realidade de outros produtos”, diz, considerando que já há avanços nesse sentido, nomeadamente nos produtos de nicho. Mas relativamente às MI ainda há várias limitações: “O Algarve tem condições excepcionais. Temos é que tirar as barreiras psicológicas da cabeça”. A visão do diretor da Leading é de que “as pessoas devem acreditar que destinos com mais dificuldade nos acessos conseguem posicionar-se nesta indústria”, algo que não aconteceu no Algarve: as “pessoas assentaram a sua operação no sol e mar”.

Em altura de desconfinamento, é importante conseguir “sair para o mercado com os olhos no futuro”. O crescimento da indústria MI em Lisboa levou ao surgimento de um “plano extraordinário” para a zona da Expo que, “rapidamente, deixou de ser tema, como se não fosse uma necessidade”, diz João Paulo Oliveira, reiterando ser importante “resolver esses problemas” que ficaram estagnados. Em jeito de conclusão, o responsável deixa um repto às instituições e entidades com quem se relacionam: “Que bebessem daquilo que é o know-how” de especialistas que têm boas sugestões para partilhar e que podem ser uma ajuda muito importante nesta viagem.