“Facendo Caminho” pode contribuir para o crescimento anual de peregrinos na ordem dos dois pontos percentuais

by Cristiana Macedo | 17 Janeiro 2020 11:50

O projeto “Facendo Caminho”, uma estratégia para a estruturação, proteção e valorização das rotas portuguesas dos Caminhos de Santiago na euro-região Galiza-Norte de Portugal, foi apresentado esta quinta-feira no Porto, numa cerimónia onde estiveram presentes os representantes das quatro entidades parceiras, Luís Pedro Martins, presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP); António Ponte, diretor regional da Cultura do Norte; Nava Castro, diretora de Turismo da Galiza; e Xosé Lago, diretor do AECT Galiza/Norte de Portugal.

“Facendo Caminho” representa um investimento de 657.499€ e conforme o comunicado enviado pela TPNP, Luís Pedro Martins refere que “pretende consolidar os Caminhos de Santiago como um produto estratégico, impulsionando-o como recurso patrimonial, cultural e natural transfronteiriço, capaz de gerar atividades turísticas e económicas que contribuam para o desenvolvimento socioeconómico do território”.

O projeto, que decorre até dezembro de 2021, vai focar-se na melhoria das condições conjuntas e de afluência aos caminhos, reforçando a identidade transnacional e incrementando a participação das populações locais na proteção e conservação das rotas. “A organização da atividade gerará a melhoria da sua qualidade de vida e o fomento do desenvolvimento do território”, considera Luís Pedro Martins, lembrando que está em marcha um processo de certificação dos caminhos, “que reconheça a importância histórica destes itinerários e ajude na sua salvaguarda”, concorrendo este projeto para tal objetivo, ao melhorar o conhecimento sobre os Caminhos.

Destaque para uma série de ações tendentes à promoção e sinalização do património através das novas tecnologias e para a elaboração de um estudo rigoroso e documentação do património cultural transfronteiriço associado ao fenómeno Jacobeu, o Ano Santo que se celebra em 2021, já com a abertura da Porta Santa ainda em 2020.

Estima-se que o projeto «Facendo Caminho» possa contribuir para um crescimento anual de peregrinos na ordem dos dois pontos percentuais, reforçando o aumento já registado nos últimos anos. Do documento faz parte uma forte componente de menorização dos impactos ambientais previstos face ao aumento do fluxo turístico ao património cultural e natural, envolvendo maior participação da comunidade local na conservação e proteção dos recursos.

Nava Castro salientou que os Caminhos de Santiago “são percorridos por peregrinos de todos os cantos do mundo” e enalteceu “este trabalho de cooperação e harmonização que resulta num documento estratégico para proteção, dinamização e promoção deste património conjunto da euro-região”. A responsável galega lembrou a experiência que a Junta da Galiza tem na promoção dos Caminhos de Santiago, salientando a criação de uma rede com mais de 70 albergues públicos para acolher os peregrinos. “Queremos partilhar essa experiência com o Norte de Portugal”, assegurou. Salientou ainda que dois dos Caminhos do Norte de Portugal são já o segundo e terceiro mais percorridos no âmbito da Galiza.

Xosé Lago manifestou a importância deste projeto e da junção destas entidades públicas, sem esquecer o envolvimento de outras Entidades no projeto, referindo como exemplo o papel da Comissão de Acompanhamento, bem como as ações de boas práticas e de visitação a referenciais estratégicos dos Caminhos, esperando que este projeto consolide a vontade na aposta em itinerários ibéricos, de matriz transfronteiriça, com alcance europeu, enquanto verdadeiros itinerários transnacionais e com escala.

António Ponte encerrou a sessão reforçando o papel e importância que o processo de Certificação dos Caminhos de Santiago Portugueses já em curso tem, sublinhado que este projeto vem também dotar a região de instrumentos científicos para reforçar o processo de certificação, certo de que em 2021 Portugal já estará mais apto a receber os peregrinos. António Ponte reforçou ainda a importância que o património cultural tem para o aproveitamento turístico do Caminho. “Sem património cultural e sem as comunidades, os caminhos não seriam tão ricos”, frisou.

Os Caminhos de Santiago são uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do Apóstolo Santiago. Desde então, pessoas de todos os cantos do mundo percorrem os caminhos que conduzem à catedral onde se veneram as relíquias do Santo Apóstolo, dando origem a um fenómeno que se mantém e reforça de dia para dia.

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