A FITUR, considerada um dos principais barómetros do turismo mundial, entra em 2026 com ambição reforçada. María Valcarce, diretora da feira, sublinha que o evento evoluiu “de forma muito significativa” nos últimos anos, consolidando-se como “plataforma global de referência” para profissionais, destinos e empresas. A próxima edição, que terá lugar entre 21 e 25 de janeiro, afirma, será decisiva para compreender o momento do setor e antecipar tendências num mercado cada vez mais competitivo e tecnológico.

Entre as grandes novidades está o novo Pavilhão do Conhecimento, um espaço pensado para fortalecer o papel estratégico da FITUR enquanto centro de reflexão, aprendizagem e partilha de boas práticas. A digitalização e a sustentabilidade mantêm-se como eixos transversais, integrando tanto o formato da feira como os conteúdos programáticos. Valcarce destaca que estes pilares serão abordados numa perspetiva prática, com soluções reais ligadas à inteligência artificial, big data e modelos de gestão aplicados aos destinos inteligentes. A área de travel technology quase duplica de dimensão, reunindo mais de 150 empresas de 20 países.
Para 2026, a diretora prevê um turismo mais personalizado, experiencial e sustentado por dados, onde a autenticidade dos destinos terá um papel central. A FITUR posiciona-se como plataforma de antecipação destas mudanças ao ligar inovação, análise e casos de sucesso, permitindo aos profissionais “perceber para onde caminha o setor antes de as tendências se consolidarem plenamente”.
Portugal volta a marcar presença robusta, com o número de expositores a crescer de 34 para 39 e a inclusão de um núcleo algarvio — Lagos, Lagoa, Algarve e Albufeira — além do município de Espinho. Para Valcarce, esta expansão reforça a visibilidade do país e contribui para captar novos mercados, apoiar alianças estratégicas e consolidar resultados como os 29 milhões de turistas não residentes registados no último exercício.
O caráter profissional e a geração de negócio serão igualmente reforçados. A edição de 2026 aposta em agendas B2B, fóruns especializados e espaços de networking orientados para investimento e desenvolvimento de projetos, promovendo encontros “eficazes e geradores de oportunidades reais”.
A diversificação do turismo também estará em destaque. As 10 secções temáticas — entre as quais FITUR 4all, Cruises, LGTB+, Lingua, Screen e Sports — dão visibilidade a segmentos em rápido crescimento, desde o turismo acessível ao turismo cinematográfico, passando pelo desporto como motivação de viagem. Estes espaços, explica Valcarce, funcionam como “instrumentos práticos” para profissionais que procuram nichos e novos produtos.
A internacionalização continuará a ser uma prioridade, com maior representação de destinos da Ásia, Médio Oriente e África, refletindo um mapa turístico cada vez mais multipolar e competitivo.
A diretora deixa uma mensagem clara aos profissionais que vão participar: a FITUR 2026 será “uma edição chave para se preparar para o futuro”. O principal valor acrescentado da feira, defende, está na capacidade de reunir todo o ecossistema turístico global num único espaço, permitindo uma visão integral da indústria e facilitando decisões estratégicas. E recorda um elemento distintivo: a FITUR mantém jornadas abertas ao público durante o fim-de-semana, transformando-se também numa grande celebração do turismo para viajantes e curiosos.
Por Inês Gromicho


















































